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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mia Couto: 30 anos de vida literária



De 2 a 4 de Dezembro decorre, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um colóquio dedicado aos 30 anos de carreira literária do escritor moçambicano Mia Couto.

O evento, organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas e pela Caminho, irá reunir especialistas na obra do autor, estando também previsto a inauguração de uma exposição, a exibição do filme O Último Voo do Flamingo e o lançamento do livro O menino do sapatinho.

Mais informação sobre o programa, aqui.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Agenda: III Congresso Internacional Fernando Pessoa



A terceira edição do congresso internacional Fernando Pessoa tem hoje início e decorre até dia 30 deste mês, no Teatro Aberto, em Lisboa.

O evento, organizado pela Casa Fernando Pessoa, comemora os 125 anos do escritor português com a presença de “investigadores, críticos, tradutores e criadores de variados países que encontram neste escritor universal alento e inspiração para os seus percursos académicos ou artísticos”.

Mais informações sobre o programa, aqui.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Agenda: Dia do Desassossego



Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar” é o lema da iniciativa criada pela Fundação José Saramago para comemorar a data de nascimento do escritor português, dia 16 de Novembro. 

Este ano, o Dia do Desassossego pretende pôr as pessoas a “ler nas praças e ruas de Lisboa, povoando-as da vida que os livros contêm”. Estão previstos vários eventos, como leituras de passagens de textos de Saramago e de outros autores portugueses, sessões de contos ou o percurso literário de O Ano da Morte de Ricardo Reis.

Mais informações sobre o programa, aqui.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Agenda: Herberto Helder - absurdité du centre, continuité du temps

No cinquentenário da publicação de Os Passos em Volta, de Herberto Helder, o Centre de Recherches sur les Pays Lusophones (CREPAL) organiza um colóquio internacional consagrado ao escritor português, nos próximos dias 14 e 15 de Novembro, em Paris. 

Mais informações sobre o programa (em francês), aqui.

(Retrato de Herberto Helder por Frederico Penteado/ Wikimedia Commons)

«-Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio… Enfim, Às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro… Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida… compreende?… a nossa vida, a vida inteira, está ali como… como um acontecimento excessivo… Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e a violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos? [...]»

Herberto Helder, "Estilo" in Os Passos em Volta, Lisboa: Assírio e Alvim, 1980, pp. 11-12.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Prémios

Celebramos a atribuição recente do prémio Fernando Namora ao escritor angolano José Eduardo Agualusa, do prémio Neustadt ao escritor moçambicano Mia Couto e do prémio José Saramago ao escritor angolano Ondjaki com algumas palavras dos autores:

(José Eduardo Agualusa, © Daniel Rocha)
«Sou um angolano de origem portuguesa – o que faz de mim quase um brasileiro, e há longos anos que me acho no papel de passageiro em trânsito pelos diferentes territórios onde prospera a nossa língua. Esta deriva, quase sempre feliz, tem contribuído para aumentar o meu interesse pela vida das palavras. [...]
Quanto mais me apaixono pela nossa língua, e mais me aproximo dela, melhor a vejo, inteira, na sua diversidade. A língua segue sendo uma só, embora rio de muitas águas, a cada dia mais largo e mais profundo.
Nunca como hoje houve tanta circulação de pessoas, de ideias, de palavras, no espaço da nossa língua. Nunca estivemos tão próximos como agora. São portugueses que emigram para Angola ou para o Brasil. Brasileiros que, tendo vivido longos anos em Portugal, regressam a casa. Brasileiros, por outro lado, a fixarem-se em Angola. Todo este trânsito vem democratizando ainda mais a língua comum. Não existe hoje um centro de poder. Portugal recebe tanto quanto dá. Jovens portugueses falam como angolanos. Angolanos apropriam-se de termos brasileiros. Muitas vezes não se trata sequer de importação, mas de regressos. 
O que eu amo, pois, é este idioma democrático, plurinacional, que a todos pertence e a todos igualmente se entrega e enriquece. Esta nossa Língua Geral.»

José Eduardo Agualusa, “Esta nossa Língua Geral” in Jornal de Letras, n.º 1082, 21-03 a 03-04 de 2012, pp. 8-9.


(Mia Couto, © Daniel Rocha)
«Estava já eu predisposto a escrever mais uma crónica quando recebo a ordem: não se pode inventar palavra. Não sou homem de argumento e, por isso, me deixei. Siga-se o código e calendário das palavras, a gramatical e dicionárica língua. Mas ainda, a ordem era perguntosa: "já não há respeito pela língua-materna?" [...]
Estraga-se a decência, o puro sangue do idioma. E porquê? Por causa dessas contribuições dispérsicas que chegam à língua sem atestado nem guia de marcha. Devia exigir-se, à entrada da língua um boletim de inspecção. E montavam-se postos de controlo, vigilanciosos.
Se forem criados tais postos eu mesmo me voluntario. Uma espécie de milícia da língua, com braçadeira, a mandar parar falantes e escreventes. A revistar-lhes o vocabulário, a inspeccionar-lhes o saco da gramática.
- Vem de onde essa palavra?
E mesmo antes da resposta, eu, arrogancioso:
- Não pode passar. Deixa ficar tudo aqui no posto.
Os queixosos, nas cartas dos leitores, reclamando. E eu, abusando dos abusos, rindo-me deles. Mas não me divertindo de alma inteira, não. Porque a vida é uma grande fábrica de imagineiros e há muita estrada para poucos postos vigilentos. [...]»

Mia Couto, “Escrevências desinventosas”, in Cronicando (Lisboa: Caminho, col. «Uma terra sem amos», n.º 52, 1991, pp. 167-169).


(Ondjaki, © Rui Gaudêncio)
«[...] depois das tempestades todas de ser para escrever, de escutar para recontar, de ir buscar no passado umas coisas tão lindas que não eram de ser estivadas, mas acariciadas – eram memórias de outras épocas que me chegavam pela voz da avó Agnette, e as lições da escola, e os autores que andavam a sonhar um [sic] língua de estrear novos ritmos, mais a máquina de escrever da minha mãe, e os rumores das estigas faladas, arremessadas contra a parede da nossa infância cheia de curvas – ritmo e cadências que haveria de ter que lembrar para pisar em frente na vida...
hoje que te vejo, senhora dona língua portuguesa, esse teu nome é plural…; de ti fizemos também corpo criativo – “língua desportuguesa”… – e com o carinho que te temos, se fosses uma velhinha acariciava-te as mãos e beijava-te os olhos mas, ah!, se habitasses o corpo de uma mulher madura dessas a que o sabor se pressente de olhos quietos, então confesso que a noite seria de amor. estranho amor. profundo amor.
depois dos contornos todos da palavra “travessia”, durante todas as “madrugadas”, entre “varanda e arejamento”, pisando “solidões”, tecendo “falésias” fecho os olhos e sorrio ao pensar que eu nasceria perto do teu corpo – outra e outra vez...»

Ondjaki, “Nome plural” in Jornal de Letras, n.º 1082, 21-03 a 03-04 de 2012, p. 14.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Diz que é uma espécie de dicionário on-line... chamado Priberam

Aquando da apresentação do seu último livro, Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno, o humorista português Ricardo Araújo Pereira descreve um certo dicionário (perto do minuto 19, no vídeo abaixo):



«[...] Há um dicionário on-line que tem... A gente faz uma pesquisa e ele devolve o significado da palavra. A gente põe a palavra e ele devolve o significado da palavra e em baixo tem um gráfico com o número de vezes que a palavra foi pesquisada nos últimos meses. Quando a gente fez o programa, punha-se "esmiuçar" e aparecia 0 vezes nos últimos 24 meses. 4000 vezes na última semana! [...]»

Para quem teve dificuldade em identificar o dicionário, aqui fica uma imagem esclarecedora da funcionalidade "Histórico de pesquisas" do Dicionário Priberam ao serviço do humor:









Priberam.pt
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