Na semana passada o Dicionário Priberam celebrou o décimo ano da sua existência e hoje celebra o décimo aniversário da “Palavra do dia”.
Trata-se de uma iniciativa da Priberam que, desde Abril de 2009, destaca, nem que seja por um dia, palavras maioritariamente raras, curiosas ou pouco consultadas, escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook, no Twitter e no Instagram.
Tudo começou com anverso, a primeira palavra do dia do Priberam, divulgada a 8 de Abril de 2009. Desde então, já foram divulgadas 3652 palavras diferentes, o que corresponde a menos de 3% das palavras do dicionário. É caso para dizer que, em dez anos, já demos cerca de 150 voltas ao abecedário. Mesmo que não adicionássemos mais palavras ao dicionário, ainda temos palavras para mais 355 anos de palavras do dia, mais exactamente até 1 de Setembro de 2374.
A propósito dos 10 anos do Priberam, que hoje se celebram, ocorrem-nos dez coisas sobre este dicionário online de língua portuguesa que, ao longo de uma década, se tornou uma referência para falantes de português em todo o mundo. Como hoje é o dia das mentiras, descubra uma patranha na lista abaixo.
1. O Priberam é serviço público grátis.
2. O Priberam pronuncia-se |pribèrã| e rima com catamarã.
3. O Priberam é um santo.
5. O Priberam gosta que lhe dêem música (como esta ou, mais recentemente, esta *).
6. O Priberam desperta o lexicógrafo adormecido que há em cada falante de português.
7. O Priberam tem entrada própria no dicionário.
8. O Priberam é um medicamento que combate náuseas e vómitos.
9. O Priberam está ligado a um crime.
10. O Priberam é sinónimo de dicionário.
Dados gerais
O balanço geográfico é em tudo idêntico ao do ano anterior, com Brasil, Portugal e Angola no topo das pesquisas por país e Lisboa, São Paulo e Porto no topo das pesquisas por cidade. A principal diferença é que Londres surge agora como a primeira cidade não pertencente a um país da CPLP, seguida de Madrid e de Paris.
Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, 2018 foi ano de pesquisar por quimera; no Brasil, foi ano de fazer buscas por ranço. Esta última foi também, no cômputo geral, a palavra mais pesquisada do ano.
Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2018
Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram bicefalia (Angola), sociocognitivo (Cabo Verde), reteso (Guiné-Bissau), cadeado (Guiné Equatorial), oratura (Moçambique), diesel (São Tomé e Príncipe) e prever (Timor-Leste).
Analisando as buscas feitas no Dicionário Priberam por consulentes de outros países, é impossível não reparar num claro interesse por expressões típicas do registo informal das variedades de língua portuguesa, como treco-lareco (Andorra), acusa-cristos (Austrália), bicho-carpinteiro (Áustria), pespineta e bagunçada (Bélgica), cagarolas (Bielorrússia), esbaldar (Bolívia), lusco-fusco (Bósnia e Camboja), picuinhas (Cabo Verde e Canadá), bifar (Chile), choninha (China), camueca (Colômbia), perrengue (Costa Rica) molenga e vida airada (Dinamarca), chulice, engonhar e népias (Emirados Árabes Unidos), arreda (Equador), bacano (Eslováquia), crocodilagem e truaca (EUA), cusquice (França), estropício (Guatemala), capetinha, chi-coração e ginjeira (Holanda), bitaite, desbunda e mixuruca (Índia), borga (Irlanda), besnico (Israel), não dizer coisa com coisa (Japão), trengo (Luxemburgo e Andorra), cirandar (Marrocos), calhandreiro (Peru), patusco (Quénia), passou-bem (Reino Unido), fixe (Sérvia), chunga (Suécia e Suíça), carolo (Tailândia), choné (Tanzânia), picanço (Ucrânia), tanso (Uruguai) ou zupar (Usbequistão).
Nesta volta ao mundo feita através de pesquisas no Dicionário Priberam, também saltam à vista as buscas por comidas, bebidas e alimentos associados à cultura lusófona, como quizaca (África do Sul), chicha (Alemanha), farnel (Arábia Saudita), pampilho (Austrália), bica (Bósnia), jindungo (Bulgária), magusto (Cabo Verde), muamba e funje (Canadá), açorda e chispe (Colômbia), farófia (Croácia), lingueirão (Cuba), paçoca (Paraguai), chopinho (Peru), carcaça (República Dominicana) ou chanfana e sardinhada (Venezuela).
A procura por africanismos, de que são exemplo quizaca, jindungo, muamba e funje acima, reflecte-se ainda em buscas como cretcheu (Bélgica), chopela (Bolívia), bijagó (Irlanda), jajão (Holanda) ou quitanda (Tanzânia).
No domínio daquelas buscas que podem ferir algumas susceptibilidades, mas que já se tornaram habituais, não há como não reparar em ménage (Dinamarca), siririca (Espanha), galderice (Holanda), meita (Ilha de Jersey), chocha e minete (Luxemburgo), bujão (México), broche e canzana (Nigéria), paneleiro (República Checa), transa (Suécia), lambia-te (Suíça) ou encoxada (Turquia e Ucrânia).
Já as pesquisas por expressões latinas, analisadas pela primeira vez no ano passado, continuam a surpreender. Se já se tornou habitual a busca por expressões mais correntes, como cogito ergo sum (Chile) ou mutatis mutandis (Senegal), também já são comuns buscas por expressões do domínio jurídico, como non bis in idem e quid juris (Emirados Árabes Unidos), res furtiva (Malta), e por expressões do domínio religioso, como mater dolorosa (Coreia do Sul), qui sine peccato est (Tanzânia) ou deus dedit, deus abstulit (Turquia). No entanto, em 2018 destacam-se sobretudo buscas por expressões latinas mais filosóficas, como potius mori quam foedari (Afeganistão), sit pro ratione voluntas (Guatemala), beneficium accipere, libertatem est vendere (Itália), si vis me flere, dolendum est primum ipsi tibi (Panamá) ou honor honestum decorat, inhonestum notat (Sérvia).
O ano de 2018 em palavras
A Priberam faz a análise e divulgação das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam desde 2010. Em 2018, pelo segundo ano consecutivo, a Priberam associou-se à agência de notícias Lusa para, através do site O Ano em Palavras, dar a conhecer as 24 palavras mais pesquisadas no dicionário relativas a eventos que marcaram o ano a nível político, económico, cultural e social.
Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem acontecimentos de 2018
O site está estruturado com as palavras apresentadas cronologicamente, de Janeiro a Dezembro e, para cada palavra, é possível aceder ao seu significado, bem como ao artigo e à foto da Lusa sobre o evento que motivou as pesquisas no Dicionário Priberam.
Batatas, cebolas, folhas, hortelã, manjericão, tomates... Que receita terá levado os consulentes do Dicionário Priberam a deixarem a nuvem das mais pesquisadas de hoje neste preparo?
O ano é 1813. A obra é a 2.ª edição do Diccionario da Lingua Portugueza, recompilado por António de Morais Silva, referência maior da lexicografia portuguesa 1. O verbete consultado é mulher (pág. 327):
MULHÉR, s. f. Femea da especie humana. § Matrona, oposto a marido. § Mulher do mundo: meretriz. Eufr. I. 3. Mulher de partido; o mesmo. Costa, Terenc.2
Avancemos um século, para 1913. A obra é a 2.ª edição do Novo Diccionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, outra referência da lexicografia portuguesa. O verbete consultado é novamente mulher (pág. 1342):
mulhér f. Pessôa do sexo feminino, depois da puberdade. Espôsa: minha mulhér está doente. Fam. Pessôa do sexo feminino, pertencente ás classes inferiores da sociedade: vão alli duas mulheres. Fig. Homem mulherengo. * Pop. Espécie de jôgo popular. (Do lat. mulier)
Avancemos outro século e um tantinho mais, para chegarmos a 2018. A obra é agora o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, dicionário online com mais de 33 milhões de utilizadores 3. O verbete consultado continua a ser mulher, mas aconselha-se a sua visualização aqui, por ser bem mais extenso do que os dois acima. A presente versão resulta de uma iniciativa que, à luz do actual papel da mulher na sociedade, questionou o retrato redutor e pouco abonatório que dela é feito em alguns dicionários, incluindo o Dicionário Priberam pelas razões aqui expostas, desafiando os portugueses a contribuírem para a sua revisão.
Como se chegou até aqui? Um dicionário de língua regista o uso que dela é feito em determinada época e por determinado público. Ao percorrer rapidamente dois séculos de inúmeras transformações, verificamos que o mundo mudou, a sociedade mudou, o papel da mulher mudou e o do dicionário também, sendo por isso natural que o verbete mulher reflicta tais mudanças.
Em mais de 200 anos, o progresso e a necessidade de designar novos conceitos e realidades fizeram surgir termos e significados novos, na língua geral e nas mais diversas áreas, e os dicionários dão conta dessa evolução (ex.: astronauta, biodiversidade, caravanismo, digitalizar, esquizofrenia, futebol, genoma, helicóptero, internet, jazz, kickboxing, ludoteca, microfauna, nuclear, óvni, piza, radar, sida, televisão, uquelele, vitamina, wi-fi, xilitol, zoo, etc.).
A evolução implica também mudanças sociais e culturais e o papel da mulher é disso um exemplo: do acesso ao voto e à educação até à sua emancipação profissional e sexual, incluindo questões de identidade de género, muito mudou para a mulher, sobretudo nas últimas décadas. Veja-se o caso da feminização dos nomes de algumas profissões, decorrente do acesso da população feminina a tais cargos, que está na origem de termos como árbitra, bombeira, cirurgiã, embaixadora, mecânica, tatuadora, vice-ministra, etc. Note-se, ainda, a adequação de género gramatical em casos como presidente, chefe, dentista, jornalista ou terapeuta, vocábulos em tempos dicionarizados apenas como substantivos masculinos, e agora como substantivos de dois géneros (ex.: a presidente, o presidente), porque eram desempenhados maioritariamente por pessoas do sexo masculino. A mulher deixou de ser fêmea, esposa ou meretriz no dicionário? Não, mas os dicionários descrevem hoje o que ela é para além dessa visão, combatendo assim a perpetuação de estereótipos.
Em mais de 200 anos, mudou também o formato do dicionário e o seu papel. Numa altura em que a ideia de mudança linguística era por vezes sinónimo de instabilidade, ou mesmo de corrupção, os dicionários impressos do século XIX assumiram um papel normativo, de autoridade, e estabilizaram um pouco a língua. As suas fontes centravam-se em obras literárias (de que são exemplo Eufrosina e Terencio, no verbete mulher de 1813, acima), através das quais se aferia o bom uso de determinado termo ou expressão. É a visão do dicionário como guia do uso correcto da língua4.
Na segunda metade do século passado, porém, esse papel começou a mudar e o paradigma normativo deu lugar a novos modelos de dicionário, mais orientados para o utilizador e para a descrição do uso real da língua5. O desenvolvimento tecnológico e computacional acelerou essa revolução lexicográfica, pois permitiu criar e gerir bases de dados de dicionários, bem como compilar e analisar largas quantidades de informação, dos mais variados domínios e registos de língua, que atestam o seu uso efectivo. O dicionário foi perdendo o estatuto de texto prescritivo, assumindo uma abordagem descritiva na selecção das palavras e na forma como as define. Por fim, quando o suporte físico do papel dá lugar ao suporte electrónico e digital, a informação contida em volumes impressos, pesados e ao alcance de apenas alguns, passa a estar rapidamente acessível através de um toque de dedos e disponível para todos.
O Dicionário Priberam chega ao grande público em plena era digital, como obra online e de acesso gratuito. Sem os condicionamentos de espaço típicos dos dicionários em papel, o Priberam constitui-se uma plataforma lexicográfica inovadora que, para além do conteúdo habitual de um dicionário, facilita a busca, permite pesquisas nas definições, apresenta informação relacionada, como conjugação, parónimos, palavras parecidas e relacionadas, dúvidas linguísticas, propostas de tradução e até evidência do uso real, contextualizado e autêntico da palavra pesquisada em blogues e no Twitter. O dicionário é agora uma ferramenta de consulta, mais próxima do utilizador, com quem permite interacção, e mais dinâmica. O dicionário não ignora o desenvolvimento recente de novos usos linguísticos reveladores de atitudes e realidades contemporâneas. Veja-se o exemplo de casal ou casamento, termos que já não se definem exclusivamente em relação a elementos de sexos diferentes.
O papel do dicionário, como o entendemos, é registar, de forma controlada, os usos da língua e o seu dinamismo. Por essa razão, no Dicionário Priberam haverá sempre espaço para melhoramentos, sugestões de inclusão, de correcção ou comentários que possam beneficiar o seu conteúdo. Os mesmos podem ser enviados para o endereço do costume: dicionario@priberam.pt. Estamos no entanto conscientes de que, por mais palavras e sentidos que um dicionário registe, nenhum dicionário regista todos os vocábulos e sentidos de uma língua e o Dicionário Priberam não é excepção. A língua é uma entidade viva que não se contém nas páginas de um dicionário e a sua mudança é inevitável:
«It is a great pity that language cannot be the exact, finely attuned instrument that deep thinkers wish it to be. But the facts are, as we have seen, that the meaning of practically any word is susceptible to change of one sort or another, and some words have so many individual meanings that we cannot really hope to be absolutely certain of the sum of these meanings.»6
Terminamos com duas perguntas: se avançarmos mais um século, qual será a definição de mulher em 2118? E que tipo de dicionários teremos daqui a cem anos?
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Notas:
2 Eufr. é abreviatura de Eufrosina, comédia de Jorge Ferreira de Vasconcelos (1616). Costa, Terenc. é abreviatura da obra As primeiras quatro comedias de Publio Terencio Africano, traduzida por Leonel da Costa (1788).
4 B. T. Atkins, Michael Rundell (2008), The Oxford Guide to Practical Lexicography, Oxford: O.U.P., pág. 2.
5 R. R. K. Hartmann, Gregory James (2002), Dictionary of Lexicography, London & New York: Routledge, pp. viii-ix.
6 Thomas Pyles, John Algeo (1993), The Origins and Development of the English Language, 4.ª ed., Fort Worth: Harcourt Brace Jovanovich College Publishers, pág. 256.
A Priberam, em parceria com a FOXlife Portugal, desafia os consulentes do Dicionário Priberam a participarem na revisão da palavra mulher, que, actualmente, é a seguinte:
"mulher", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2018, https://www.priberam.pt/dlpo/mulher [consultado em 03-05-2018].
Porquê mulher?
Porque apesar de o papel da mulher na sociedade actual ter sofrido alterações consideráveis do ponto de vista social, profissional e económico, a consulta das palavras mulher e homem ainda revela, em alguns dicionários, associações mais pejorativas no primeiro caso do que no segundo.
Atente-se, por exemplo, na lista de locuções atribuídas a mulher, na transcrição do Dicionário Priberam acima: mulher de partido e mulher pública referem-se apenas a usos de língua depreciativos, quando, na realidade, tais expressões, em resultado de mudanças sociais recentes, adquiriram outros usos que merecem estar contemplados no dicionário.
Veja-se, ainda, a secção “Palavras relacionadas”, funcionalidade que permite encontrar outras palavras do dicionário cujas definições têm alguma relação com a palavra consultada e às quais é possível aceder mediante um simples clique. No caso de mulher, a lista de relacionadas apresenta termos depreciativos, como lambisgóia ou marafona, enquanto a consulta de homem revela termos mais abonatórios como deus ou super-homem. Convenhamos, em qualquer comparação, a lambisgóia e a marafona saem sempre a perder para deus e o super-homem! Se até o algoritmo (cálculo automático) responsável pela apresentação de palavras relacionadas do Dicionário Priberam aparenta ser algo discriminatório ou sexista, porque não propor a revisão de mulher?
Apesar de um dicionário não poder, nem dever, filtrar a realidade à medida de quem o faz ou de quem o lê, branqueando usos preconceituosos ou pejorativos de determinadas palavras, sejam eles de género, raça, orientação sexual ou de qualquer outro tipo, pode e deve ser o mais neutro, abrangente e inclusivo possível.
Conscientes da necessidade de melhorar o verbete mulher, a Priberam e a FOXlife criaram assim o movimento “A palavra mulher definida por nós”, desafiando os consulentes do Dicionário Priberam a contribuírem para uma definição menos sexista, mais abrangente, justa e enquadrada na sociedade actual.
Até 16 de Maio, os interessados poderão participar através do site www.palavramulher.pt, onde estarão reunidos e partilhados todos os contributos. No final, os linguistas da Priberam irão analisar as propostas que poderão contribuir para a revisão da palavra mulher, que ficará disponível a 22 de Maio.
A “palavra do dia” do Dicionário Priberam celebrou no passado domingo mais um aniversário.
Há nove anos que a Priberam coloca em destaque palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook, no Twitter e no Instagram da Priberam.
Palavras para quê? Para o Dicionário Priberam, as palavras são tudo.
Dados gerais
Geograficamente, o balanço é muito semelhante ao do ano anterior: Brasil, Portugal e Angola continuam no topo das pesquisas por país; Lisboa e São Paulo mantêm os lugares cimeiros nas buscas por cidades, com o Porto a ultrapassar o Rio de Janeiro e a ocupar agora o terceiro lugar que no ano passado pertencia à cidade carioca; a primeira cidade não pertencente a um país da CPLP é Madrid, seguida de Macau e de Londres.
O acesso ao Dicionário Priberam através de dispositivos móveis continua a crescer, representando já mais de 53% das buscas: o acesso a partir de smartphones subiu 74,41% e o acesso a partir de tablets subiu 8,66% face a 2016.
Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, 2017 foi novamente ano de resiliência; no Brasil, foi ano de idiossincrasia. Esta última foi também, no cômputo geral, a palavra mais pesquisada do ano.
Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2017
Analisando as buscas feitas por outros países, deparamo-nos com um curioso interesse por expressões típicas do registo informal em língua portuguesa, como forrica na África do Sul, bate-cu em Andorra, gingão na Austrália, atazanar na Áustria, bundudo na Bélgica, rego nas Bermudas, escarafunchar na Bulgária, pumba e supimpa no Catar, bater com o nariz na porta na China, regabofista no Chipre, mangar nos Emirados Árabes Unidos, trampa na Eslováquia, rambóia no Gana, abada em Hong Kong, espelunca na Hungria, caraca na Índia, mitra na Islândia, cagança em Israel, augado na Líbia, litrosa no Listenstaine, refilice em Macau, catano na Namíbia, bulufas na Nigéria, morcão no Senegal, chular na Tailândia, cegada no Togo ou bichona na Ucrânia.
Como não podia deixar de ser, alguns países revelam buscas mais direccionadas para hum... certos interesses, como porno na Argélia e na República Democrática do Congo, enema na Arábia Saudita e cu no Belize, encoxada no Cazaquistão, no Egipto e na Indonésia, boquete e broca nas Filipinas, boceta na Guiana, suruba em Itália, chupar-te em Marrocos, bico no Sri Lanca ou periquita na Suécia.
O ano de 2017 em palavras
Em 2017, uma vez mais, os utilizadores do Dicionário Priberam também pesquisaram por termos relacionados com acontecimentos da actualidade política, desportiva ou económica. Este ano, em parceria com a agência de notícias Lusa, o site O Ano em Palavras apresenta, para cada mês, algumas das palavras mais procuradas dessas áreas no Dicionário Priberam, acompanhadas pelas respectivas notícias e fotografias da Lusa.
Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem acontecimentos de 2017
Com esta iniciativa, damos a conhecer algumas das palavras mais procuradas em cada mês, passando assim em revista os principais acontecimentos nacionais e internacionais do ano.
«Há palavras que fazem bater mais depressa o coração - todas as palavras - umas mais do que outras, qualquer mais do que todas. Conforme os lugares e as posições das palavras. Segundo o lado de onde se ouvem - do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol.
Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. [...]»
José de Almada Negreiros in A Invenção do Dia Claro, 1921.
No passado dia 8 celebrou-se o 8.º aniversário da “Palavra do dia” do Dicionário Priberam. Pela terceira vez consecutiva, escolhemos palavras de Almada Negreiros (1893-1970) para assinalar essa data, porque “há palavras que fazem bater mais depressa o coração” e porque há 8 anos que a iniciativa da Priberam destaca, nem que seja por um dia, palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook e no Twitter da Priberam.
E porque “cada palavra é um pedaço do universo”, deixamos aqui alguns pedaços de universo que, no último ano, tiveram destaque no Dicionário Priberam:
Dados gerais
Em 2016, o site do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa registou um acréscimo de 1,11% relativamente ao número de utilizadores contabilizados no ano passado. Por outras palavras, os mais de 25 milhões de utilizadores mantiveram-se fiéis ao Dicionário Priberam.
Brasil, Portugal e Angola ocupam os três primeiros lugares na liderança por países e, na proveniência por cidades, os mesmos lugares pertencem a Lisboa, São Paulo e Rio de Janeiro. A primeira cidade não pertencente a um país da CPLP é Macau (52.º lugar), seguida de Madrid (57.º lugar) e de Londres (58.º lugar).
O tráfego a partir de dispositivos móveis continua a aumentar: o acesso ao Dicionário Priberam através de smartphones cresceu 23,51% face ao ano passado, enquanto a percentagem de acessos a partir de tablets e desktop desceu.
Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, a palavra mais pesquisada em 2016 foi arrendatário, seguida de exangue e de resiliência. No Brasil, a palavra mais pesquisada foi gitana, seguida de resiliência e de saruê.
Se já nos resignámos a que resiliência conste das buscas da Priberam (no cômputo geral, é a palavra mais pesquisada pelo terceiro ano consecutivo), são sobretudo de estranhar as buscas por arrendatário em Portugal, que talvez estejam ligadas às alterações à lei do arrendamento. As buscas por gitana e saruê no Brasil justificam-se por serem termos usados na novela Velho Chico.
Figura 1: Palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam em 2016
Se o FLiP* da Priberam dá a volta ao texto, o Dicionário Priberam permite dar uma volta ao mundo. Analisando palavras e expressões pesquisadas por utilizadores de outros países, deparamo-nos com algumas buscas curiosas.
Por exemplo, há aquelas buscas possivelmente relacionadas com o que acontece ou pode acontecer em determinados destinos turísticos, como esbardalhar em Andorra, romance e dolce far niente nas Maldivas, tosquenejar na Namíbia ou chorrica (!) na República Dominicana. Os utilizadores provenientes de países com comunidades portuguesas mostram a ligação da diáspora portuguesa à actualidade do país e à sua língua materna, como atestam buscas por geringonça na Suíça ou carapau de corrida na Bélgica, morcão e o seu feminino morcona em França e no Luxemburgo, perrice no Canadá ou lazeira na Irlanda. A pesquisa por termos próprios da cultura lusófona também esteve presente, como mostram as buscas por regueifa no Camboja, vinha-d’alho na Indonésia ou chopinho na China. O mesmo interesse despertam palavras e expressões típicas da língua portuguesa, como se afere a partir das buscas por circuncisfláutico na Suécia, jajão na Hungria, lamechas na Islândia, maneirinho no Ruanda, mãos-atadas na Ucrânia e ou coisa que o valha em Singapura. Por fim, há aquelas pesquisas assim para o coiso, como as buscas por bundudo nas Filipinas, chupão no Japão, gostosa no Líbano ou trepada na Estónia.
O ano de 2016 em palavras
Os acontecimentos marcantes deste ano tiveram reflexo nas buscas do Dicionário Priberam:
Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem acontecimentos de 2016
O site O Ano em Palavras, divulgado pela Priberam na semana passada, apresenta algumas das palavras que estiveram no top das consultas no Dicionário Priberam e que se podem associar a notícias ou eventos, nacionais ou internacionais, de um determinado dia.
* O FLiP é um conjunto de ferramentas linguísticas de auxílio à escrita em língua portuguesa que inclui correctores sintácticos e estilísticos, correctores ortográficos (com opção de utilização da grafia segundo o Acordo Ortográfico de 1990), conversores para o Acordo Ortográfico de 1990, nove dicionários temáticos, hifenizadores, dicionários de sinónimos, conjugadores de verbos para o português europeu e para o português do Brasil e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa em versão offline. Mais informação em www.flip.pt.
«As palavras têm moda. Quando acaba a moda para umas começa a moda para outras. As que se vão embora voltam depois. Voltam sempre, e mudadas de cada vez. De cada vez mais viajadas.»
Relembramos as palavras do escritor Almada Negreiros (1893-1970) no aniversário da “Palavra do dia” do Dicionário Priberam, iniciativa que há sete anos coloca na moda, nem que seja por um dia, palavras raras, curiosas ou pouco consultadas. As palavras do dia da Priberam são escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook e no Twitter da Priberam. Algumas das reacções que provocam podem ser vistas aqui no Facebook ou aqui no Twitter.
A Priberam divulga os dados de acesso ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, sobretudo as palavras mais pesquisadas, nos primeiros dias de cada ano, desde 2010.
Segundo o diário espanhol ABC, a Real Academia Espanhola (RAE) fez o mesmo em Fevereiro, divulgando os dados de acesso do ano passado ao seu Diccionario de la Lengua Española, disponível online em www.rae.es.
Se, em 2015, no Dicionário Priberam, o primeiro lugar das pesquisas pertence a resiliência, no dicionário da RAE esse lugar pertence a cultura:
Curioso é o facto de haver pesquisas comuns a ambos os dicionários, tais como amor, paradigma ou procrastinar/procrastinação:
Figura 2: Palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam em 2015.
O que poderá explicar esta semelhança? Será por causa da latinidade? Será da natureza humana? Ou será um mero acaso?
Dados gerais
No ano de 2015, o site do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa contabilizou mais de 25 milhões de utilizadores e viu o número de acessos aumentar em todos os países da CPLP, à excepção do Brasil. Curiosidade: o maior crescimento registou-se no Quénia, onde o número de acessos mais do que quadruplicou, tornando-se no 11.º país do ranking.
A proveniência dos mais de 25 milhões de consulentes do Dicionário Priberam é diversificada, com o Brasil na liderança, logo seguido de Portugal e dos Estados Unidos da América. Na proveniência por cidades, Lisboa fica à frente de São Paulo e do Rio de Janeiro. Curiosidade: no ranking, a primeira cidade não pertencente a um país da CPLP é Nova Deli, em 56.º lugar, seguida de Madrid, em 60.º, e de Londres, em 62.º.
Figura 1: Proveniência dos utilizadores do Dicionário Priberam por cidade
Verificou-se ainda um aumento de 46% no número de acessos ao Dicionário Priberam a partir de dispositivos móveis ( smartphones e tablets), seja directamente ao site, seja através das aplicações do dicionário para Android, iOS e Windows Phone, tendência iniciada no ano anterior.
Palavras mais pesquisadas
A palavra mais pesquisada no Dicionário Priberam em Portugal foi resiliência, logo seguida de indigitar e de paradigma.
Figura 2: Palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam em 2015
Se o elevado número de pesquisas por resiliência se percebe em tempos de austeridade, a busca por indigitar explica-se pelas indigitações de um e, poucas semanas depois, de outro primeiro-ministro em Portugal.
No Brasil, a palavra mais pesquisada no Dicionário Priberam foi igualmente resiliência, seguida de procrastinação e de inerente.
As palavras mais pesquisadas nos restantes países de língua oficial portuguesa incluem pormenorizar, orientação e adenda em Angola; monitorização, instigar e requerer em Cabo Verde; lenda, vimos e baptizado na Guiné-Bissau; fanatismo, enlace e interacção em Moçambique; concomitantemente, leviandade e cantábrico em São Tomé e Príncipe; contra-ordenacional, equídeos e mandatários em Timor-Leste.
O ano de 2015 em palavras
As palavras mais pesquisadas no site do Dicionário Priberam surgem agrupadas diariamente numa “nuvem” visível no lado direito da página da Internet:
Figura 3: Nuvem de palavras mais pesquisadas do dia 24 de Novembro de 2015
A análise dessa nuvem ao longo das semanas e dos meses permite verificar que vários acontecimentos em Portugal, no Brasil e no resto do mundo tiveram impacto nas pesquisas efectuadas no Dicionário Priberam em 2015 (para saber quais, basta clicar nas palavras com hiperligação abaixo).
Em Janeiro, após o atentado terrorista contra o jornal francês Charlie Hebdo, jiadismo destacou-se na nuvem durante várias semanas; em Fevereiro foi a vez de iconoclasta, atributo associado ao então novo ministro das finanças grego Yanis Varoufakis; Março foi mês de pesquisar por babilônia, nome de telenovela estreada nesse mês no Brasil, e por deliberadamente, após a queda de um avião nos Alpes franceses; em Abril, o anúncio das memórias do ex-líder madeirense Alberto João Jardim colocou bilhardice na nuvem e mesma sorte teve xenofobia, na sequência de protestos contra a xenofobia na África do Sul; em Maio destacou-se doleira, no seguimento da investigação policial brasileira Operação Lava Jato; em Junho chegou jajão; em Julho impôs-se pan-americano, devido à realização dos Jogos Pan-Americanos; Agosto foi mês de emigrantes, sobretudo em Portugal; em Setembro, a onda de refugiados sírios na Europa fez disparar novamente as buscas por xenofobia; Outubro foi mês de abstenção e de indigitação (de um primeiro-ministro) por causa dos resultados das eleições legislativas em Portugal; Novembro voltou a ser mês de indigitação (de outro primeiro-ministro), mas também de bataclã, após novo atentado terrorista em Paris, e ainda de grelo, a propósito de um festival do grelo na Galiza que, por erro de tradução automática, foi publicitado como festival do clitóris em espanhol; finalmente, em Dezembro, a nuvem deu destaque ao pedido de impeachment contra a presidente brasileira Dilma Rousseff e à criminalização do piropo com carácter de proposta sexual em Portugal.
«Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras.»
José de Almada Negreiros in A Invenção do Dia Claro, 1921.
Não faz 100 anos, mas faz hoje 6 anos que a “Palavra do dia” surge destacada na página do Dicionário Priberam, sendo também publicitada diariamente no Facebook, no Twitter e no Google+.
As palavras do dia são, geralmente, palavras raras, curiosas e pouco consultadas às quais se pretende dar algum destaque, nem que seja por um dia. A imagem abaixo reúne algumas palavras do dia do Dicionário Priberam dos últimos 6 anos (clicar na imagem para aumentar):
Imagem retirada do filme José e Pilar (2010), de Miguel Gonçalves Mendes.
No dia do seu aniversário, citamos, mais uma vez, um consulente atento de dicionários:
«Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir [...] é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos. [...]
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. [...] temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre.
E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúscula) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.
Mas eu falava de gente, de nós, que fazemos a aprendizagem do sorriso e dos sorrisos ao longo da vida própria e das alheias. [...]
A tudo isto é que eu chamo sabedoria. [...]
Dir-me-ão que não cabe tanto no sorriso. Eu digo que cabe. Soube-o a noite passada, quando foi ele a única resposta para a insónia e para os monstros do pesadelo nascido no sono onde o corpo acabou por deslizar, cansado e aflito. Sorrir assim, mesmo sem olhos que nos recebam, é o verbo mais transitivo de todas as gramáticas. Pessoal e rigorosamente transmissível. O ponto está em haver quem o conjugue.»
José Saramago, «O sorriso», Deste Mundo e do Outro, 5.ª edição, Lisboa, Editorial Caminho, 1997
Durante o ano de 2013, o Dicionário Priberam recebeu mais de 62 milhões de visitas que, com o tempo médio de mais de 4 minutos de permanência no site, perfizeram o equivalente a mais de... 491 anos! Ao todo foram visualizadas 200 milhões de páginas. Estes números não incluem os acessos a partir das aplicações do dicionário para Android, iOS e Windows Phone. Os acessos a partir da aplicação para Android registaram um aumento de 380% face a 2012. Apesar dos aumentos registados na utilização das aplicações, as consultas ao site do dicionário continuam a representar cerca de 80% dos acessos.

Tal como já tinha acontecido em 2012, a palavra mais pesquisada pelos portugueses foi poder. Em 2.º lugar ficou a palavra ser e em 3.º resiliência. Já no Brasil, a palavra mais consultada foi atemporal, tendo o amor subido para a 3.ª posição (em 2012, ocupava a 8.ª posição). À semelhança de anos anteriores, o maior número de acessos foi feito a partir de Brasil e Portugal. O número de visitantes a partir de Angola e Moçambique duplicou face a 2012. Em Portugal registou um aumento de 20%.
Estes são os erros mais frequentes na consulta do Dicionário Priberam, que muitas vezes é usado apenas para saber como se escreve uma palavra da qual até se conhece o significado. Sempre que possível, são apresentadas sugestões de correcção para as sequências digitadas não reconhecidas. As listas de erros mais frequentes, que variam de país para país, são usadas para melhorar os correctores da Priberam.
Todos os dias é seleccionada uma palavra que surge destacada na página do Dicionário Priberam, sendo também publicitada diariamente no Facebook e no Twitter. A escolha da palavra do dia, que já tem motivado vários comentários e perguntas relativamente aos critérios seguidos, é da responsabilidade da equipa de linguistas da Priberam e recai, geralmente, sobre palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, às quais se procura dar algum destaque, nem que seja por um dia. As cinco palavras acima foram as mais visualizadas das 365 palavras do dia de 2013.
Apesar de alguns palavrões se encontrarem todos os anos entre as palavras mais consultadas, ficam aqui, como curiosidade, apenas os três mais pesquisados, devidamente disfarçados para não ferir susceptibilidades.
As pesquisas no Dicionário Priberam chegam em maior número de Portugal e do Brasil, mas há outras proveniências, algumas das quais destacadas acima. A lista completa das principais pesquisas inclui quase uma centena de países a partir dos quais o Dicionário Priberam foi consultado em 2013.
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