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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Francisco Ribeiro (1965-2010)



Olha a estrela de Alba
Chama da manhã

Ó manhã, o teu abraço
Oxalá
Me não apague
A paixão da minha alma

Ó paixão
Nem a manhã
Apaga a luz que tem a chama do teu belo olhar

Madredeus, “Pregão”, O Espírito da Paz, 1994

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

"Saber ler na vida - folhear honestamente a vida
Apaixonadamente a vida
Nas arcas da noite, nas arenas do dia:
Risos, lágrimas, serenos rostos aparentes
Como se abríssemos cada dia a verde lima do espanto.
Não passar folhas em branco sem as entender,
Olhar rostos como quem tacteia rugas
Descobrindo planetas de mágoa ou rios de alegria.
A primeira página e o segredo puro dos acabados de gritar o primeiro grito,
iluminada essência do futuro.
E tudo isto
Entre vermes, frutos, flores, rinocerontes, pássaros,
Cães fiéis
Águas e pedras
E o fraterno fogo que acendemos a cada hora,
No espaço branco que é estendermos a nossa mão
Para outra mão apertarmos simplesmente
Mão pela qual corre o sangue como um rio de fogo.
Só temos uns tantos anos para lermos este livro
Debaixo do Sol,
Ou sob o aço da noite
Para este fogo tecer.
Chamarás ciência cultura vida dor espada ou espanto a tudo isto
Ou ilegível monotonia.
Nada. Mas lê."


Matilde Rosa Araújo, in Voz Nua

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)

“Sobre a nudez forte da verdade o manto diáfano da fantasia, parece clara a sentença, clara, fechada e conclusa, uma criança será capaz de perceber e ir ao exame repetir sem se enganar, mas essa mesma criança perceberia e repetiria com igual convicção um novo dito, Sobre a nudez forte da fantasia o manto diáfano da verdade, e este dito, sim, dá muito mais que pensar, e saborosamente imaginar, sólida e nua a fantasia, diáfana apenas a verdade, se as sentenças viradas do avesso passarem a ser leis, que mundo faremos com elas, milagre é não endoidecerem os homens de cada vez que abrem a boca para falar.”

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Rapidinhas lusófonas

25 a 27-03-2010:
Realizou-se em Brasília a Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial. Os resultados da conferência serão apreciados na próxima cimeira dos Chefes de Estado e do Governo da CPLP, a decorrer em Julho próximo, em Luanda.

31-03-2010:
Na sequência da VI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizado também em Brasília, foi elaborado o Plano de Acção de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projecção da Língua Portuguesa. O ponto III desse plano é dedicado ao estado de desenvolvimento do Acordo Ortográfico.

5 a 9-04-2010:
Ainda no Brasil, decorreu em Florianópolis o 13º Colóquio da Lusofonia. As actas do encontro podem ser consultadas aqui.

26-04-2010:
A Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP) e a Priberam assinaram um protocolo de cooperação, que se reflecte desde já na inclusão do Léxico da Galiza no vocabulário da Priberam. Mais informação aqui.

27-04-2010:
Realizou-se em Lisboa o Seminário Preparatório do IV Festlatino. Na palestra “A Galiza e o espaço linguístico-cultural de expressão portuguesa”, Henrique Monteagudo, secretário do Conselho da Cultura Galega, deu conta do pedido de adesão deste organismo à CPLP, enquanto entidade observadora, e da proposta ao governo galego do ensino do português como língua segunda nas escolas secundárias galegas.

30-04-2010:
Continua a não haver notícias do Vocabulário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, divulgado à imprensa em Junho do ano passado, anunciado como pronto em Dezembro, depois em Fevereiro...

quinta-feira, 18 de março de 2010

O amor (não) está no ar?

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa apresenta uma nuvem onde se aglomeram as palavras mais procuradas diariamente. Uma das mais pesquisadas, quase sempre visível na nuvem, é a palavra amor. Analisando o gráfico logo abaixo da respectiva entrada, relativo às pesquisas das últimas 46 semanas, verifica-se que, no espaço de quinze dias, atingiu-se o ponto mais baixo (15-02-2010) e o ponto mais alto (01-03-2010) desde o início do ano! Não há dúvidas: o amor tem altos e baixos. Curioso é o facto de o ponto mais baixo ter ocorrido um dia após o dia dos namorados.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Não negue à partida uma adivinhação que desconhece

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa tem uma opção de pesquisa (ver Pesquisar nas definições) que permite, por exemplo, descobrir palavras com a mesma terminação. É uma forma rápida de encontrar uma palavra de que não nos lembramos (no caso, era actinomancia). Com um simples asterisco (ex.:*mancia), facilmente se encontra a palavra pretendida na lista apresentada. Esta é também uma boa forma de enriquecer o nosso léxico. Ou de dar umas quantas gargalhadas.



Afinal, quantas pessoas é que sabem que à arte de adivinhar “por meio da ordem em que um galo vai apanhando os grãos dispostos num alfabeto” se dá o nome de alectoromancia? Ou que a tiromancia é a arte de adivinhar “por meio do queijo”?
A listagem das palavras que resultam desta pesquisa pode ser vista aqui. Nunca se sabe quando é que uma dessas técnicas de adivinhação pode ser útil...


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Coerência ortográfica

A conjugação de grafias anteriores e posteriores ao Acordo Ortográfico (AO) de 1990 num mesmo texto não é caso único na versão online do jornal Público. Esta situação ocorre sobretudo agora que a principal agência noticiosa portuguesa, a Agência Lusa, passou a redigir os seus textos segundo a nova norma ortográfica. Em período de transição, e sem a verificação ortográfica necessária, exemplos como os que se seguem serão frequentes na imprensa escrita (destacados nossos):

Ex.1:
Reduzir o consumo abusivo de bebidas alcoólicas durante as festas académicas, minimizando os danos associados, é o principal objetivo do projeto "Antes que te Queimes", que compreende ainda ações sobre sexualidade responsável, primeiros socorros e substâncias psicoativas.

Ex.2:
O processo deverá, depois, seguir a tramitação normal até ao licenciamento (apresentação do projecto de arquitectura e dos projectos de especialidade e respetiva aprovação), mas a empresa não avança, para já, com prazos relativamente ao início da obra que vai reabilitar o mercado.
[...]
Mas a Eusébios tinha imposto como condição para assinar a escritura a obtenção da isenção do pagamento dos cerca de 200 mil euros de Imposto Municipal Sobre Transações Onerosas de Imóveis (IMT).

Um problema relacionado com a instrução do pedido de isenção atrasou o processo, que foi deferido pela Direção Geral de Impostos (DGCI) no início de Janeiro.

No entanto, José Craveiro considera que “há outras coisas que podem ser feitas, como a reestruturação dos centros de saúde em unidades funcionais e o depurar dos ficheiros médicos, que têm mais pessoas do que aquelas que os censos dizem que existem”. Deu o exemplo da reestruturação feita no centro de saúde de Santa Comba Dão, onde a partir de hoje a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados passou a funcionar nos dias úteis, aos fins de semana e feriados das 08h00 às 24h00.

Dessa reestruturação faz ainda parte o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) e a desativação das extensões de Pinheiro de Ázere, Óvoa e São Joaninho, todas com menos de 1500 utentes e que significavam “um grande desperdício de recursos”
.

Ex.3:
A Atlânticoline tem ainda em aberto o concurso para a escolha do segundo navio para a operação deste ano, que vai assegurar as ligações entre as ilhas açorianas entre 7 de junho e 26 de setembro.

Ex.4:
No entanto, a estratégia da Câmara vai além da elaboração do PPS e dos cerca de 9,5 milhões de euros de investimento previstos no programa de ação da Regeneração Urbana, co-financiado em 55 por cento por fundos europeus.

“A obra física e o betão, por si só, não resolvem os problemas todos e é importante um conjunto de ações imateriais”, defendeu, explicando que, neste sentido, a Câmara Municipal conta já com instituições locais como parceiras.
[...]
O objetivo é “recuperar laços” e “contrariar o “afastamento dos sinienses relativamente ao centro histórico”, o que está em parte relacionado, segundo a autarca, com “um crescimento demasiado rápido” da cidade a partir dos anos 70, aquando do desenvolvimento do Complexo Industrial de Sines.

“Construímos uma cidade à volta, o que apertou o centro histórico, criou novas urbanidades e centros atrativos da população”, explicou.



Os utilizadores da língua que queiram evitar nos seus textos a incoerência ortográfica ilustrada pelos exemplos acima encontram nas ferramentas linguísticas da Priberam vários recursos úteis e fáceis de utilizar.

Ciente do período de transição que se atravessa e da ligação que cada utilizador estabelece com a sua língua, a Priberam não tem pretensões de impor uma ou outra ortografia, mas, na liberdade de escolha, a tecnologia FLiP existe para casos como este, na opção com ou sem AO: na versão FLiP 7, no corrector online, no conversor online ou no vocabulário online (estes últimos de acesso gratuito).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Saudades do Calvin



Nos anos 90 do século passado, o Público trouxe-nos esta dupla e as suas trapalhadas. Hoje, a propósito de uma notícia sobre Bill Watterson, o criador de Calvin & Hobbes, a versão online do jornal brinda-nos com uma pequena trapalhada de foro ortográfico (destacado nosso):

«A entrevista foi publicada hoje no Cleveland Plain Dealer, jornal da cidade onde Bill Watterson vive, e terá sido a primeira que o autor concedeu a um jornalista em 20 anos, ainda que tenha sido por correio eletrónico

A presença de uma grafia posterior ao novo ortográfico – eletrónico – só é digna de destaque porque o jornal expôs no seu editorial de 30 de Dezembro de 2009 as razões pelas quais rejeitava a nova ortografia, afirmando que «Vamos continuar a escrever a nossa língua como a escrevemos hoje. Os nossos colunistas terão total liberdade de escolha, mas a redacção escreverá notícias baseadas em “factos”, sem “espectáculo” mas com “acção”.»

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

E agora?

A Agência Lusa passou a redigir os seus textos segundo a nova norma ortográfica, desde o passado dia 30 de Janeiro.
Resta saber o que farão agora jornais e revistas que ainda não adoptaram o Acordo Ortográfico de 1990 e que irão difundir os textos noticiosos da Lusa. Será que vão rever todos os textos recebidos à procura das novas grafias e substituí-las pelas antigas? Será que vão colocar uma nota em cada notícia, a avisar os leitores, no caso de reproduzirem os textos sem alteração? Será que vão fazer uma grande trapalhada?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Do Acordo Ortográfico e da Academia Brasileira de Letras

Com o Acordo Ortográfico (AO) de 1990 já em vigor no Brasil, a comissão de lexicologia e lexicografia da Academia Brasileira de Letras (ABL) elaborou uma nota explicativa das orientações e opções tomadas na 5ª edição do Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa (São Paulo: Global, 2009), onde se encontram os quatro princípios metodológicos seguidos (p. LI):

a) respeitar a lição do texto do Acordo;

b) estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo;

c) acompanhar o espírito simplificador do texto do Acordo;

d) preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores, quando das omissões do texto do Acordo.

À partida, a instanciação dos princípios acima não deixa antever o impacto das opções tomadas pela ABL, que só começa a desenhar-se quando são apresentadas as principais medidas tomadas pela comissão (p. LII). Mas só após exaustiva e fastidiosa consulta do VOLP (cuja versão electrónica on-line ainda não se encontra disponível) é que se percebe que a alínea c) acima transcrita pretende justificar interpretações que vão além do que diz o texto legal do AO e que a alínea d) é muitas vezes descurada pelas opções tomadas, comprometendo-se assim a esperada unificação ortográfica.

Algumas das opções e respectivas justificações do VOLP são particularmente intrigantes, como as que se seguem.

- registam-se palavras com formas divergentes das referidas no AO (ex.: grafa-se primo-infeção no AO mas primoinfeção no VOLP; co-herdeiro no AO mas coerdeiro no VOLP – cf. Base XVI), contrariando-se assim exemplos e regras claramente apresentados no texto legal;

- eliminam-se variantes não referidas no AO (ex.: benfeito surge no texto do AO, daí ter-se eliminado bem-feito no VOLP), mas mantêm-se outras no mesmo contexto (ex.: benquerença surge no texto do AO, mas é mantida a forma bem-querença no VOLP);

- elimina-se simplesmente o hífen em todas as palavras que contêm "formas de ligação", sem que haja explicitação inequívoca do que é entendido por “forma de ligação” ou da solução a tomar após a remoção do hífen (ex.: disse me disse, esmeralda do brasil, toma lá dá cá, tomara que caia mas pauapicar, empauapicar, flordelisado);

- abrem-se excepções às decisões ao uso do hífen nos casos acima, com "formas de ligação", nomeadamente para os gentílicos como rio-grandense-do-norte, mas não para os gentílicos indígenas como carajá do norte;

- fazem-se distinções entre palavras aglutinadas, palavras hifenizadas e locuções que escapam aos critérios definidos e são difíceis de compreender (ex.: o VOLP regista judeo-árabe mas judeo aramaico; regista judeu-cristão mas judeu cristianismo; regista francomação mas franco-maçom);

- hifenizam-se os termos compostos formados por elementos repetidos de origem onomatopaica mas escrevem-se aglutinados se forem de outra origem(ex.: tam-tam "tambor" versus tantã "pessoa desequilibrada"; o cuco "ave" foi cu-co até aos aditamentos, onde se descobriu que afinal não era bem uma onomatopeia, senão na origem do latim; já o fru-fru parece continuar hifenizado, mesmo tendo origem na palavra francesa froufrou);

- hifenizam-se os termos pertencentes às áreas da botânica ou da zoologia (conforme a Base XV, 3º) que designam animais, plantas, flores, frutos, raízes e sementes mas escrevem-se sem hífen sempre que tiverem outros significados diferentes desses (ex.: flor-de-lis "lírio-roxo" versus flor de lis "emblema da realeza francesa" que representa essa flor; bálsamo-do-peru "espécie de árvore" versus bálsamo do peru "líquido resinado obtido do bálsamo-do-peru");

- contraria-se o disposto na Base XVI, 1.º, alínea b), segundo a qual o prefixo re- (à semelhança do que sucede com outros prefixos terminados em -e, como entre- ou sobre-) deverá ser seguido de hífen quando o elemento seguinte começar por -e e o VOLP regista, por exemplo, reentrar. O texto legal do AO é inequívoco relativamente ao uso de hífen com um prefixo que termina na mesma vogal em que se inicia o elemento seguinte (ex.: anti-ibérico, contra-almirante, auto-observação).

- elimina-se o uso do hífen nos compostos com quase- ou não- (ex.: não metal; quase delito), quando o AO em nenhum momento o faz.

Será que a Academia das Ciências de Lisboa, cujo vocabulário é esperado até ao final deste ano, vai interpretar o AO da mesma maneira?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (III)

Falar do Acordo Ortográfico (AO) de 1990 não implica falar apenas de lusofonia. Nem do projecto de uma "ortografia unificada de língua portuguesa", como menciona o texto legal. Implica falar de polémica, de aceitação e rejeição, de petições contra e a favor e da falta de uma política linguística coesa, pelo menos em Portugal. Tem sido assim desde antes de 1990 e não parece que este cenário se vá alterar, mesmo após a ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa por parte do Brasil (2004), Cabo Verde (2006), São Tomé e Príncipe (2006), Portugal (2009) e, a partir desta semana, Timor Leste.

Nos últimos tempos, falar do AO implica também falar de erratas, de listas de correcções, de ajustes, de aditamentos e de actualizações. Porquê? Porque os produtos de língua portuguesa entretanto disponibilizados no Brasil e em Portugal reflectem o facto de (i) o texto legal do AO ser ambíguo, incongruente e lacunar em vários pontos, gerando por isso interpretações divergentes, (ii) não existir um vocabulário comum atempadamente publicado que tenha colmatado essas lacunas e divergências, (iii) este ser um período de transição. Já aqui e aqui se tinha alertado para estes factos. Se restam dúvidas acerca das dificuldades da aplicação do AO, basta ver como os dicionários e os vocabulários entretanto publicados se distanciam na interpretação e na aplicação do texto legal, comprometendo assim a tão almejada unidade ortográfica.

A Priberam tem acompanhado atentamente todo o processo relativo ao AO, no sentido de não tomar decisões precipitadas e de produzir ferramentas que correspondam qualitativamente às expectativas dos utilizadores, não só em Portugal, mas também no Brasil e em outros países da CPLP. Pelo facto de a Priberam ter adquirido uma grande responsabilidade devido aos produtos que desenvolve, às marcas a que se tem associado e ao número de utilizadores que recorrem aos seus produtos e serviços, é exigido aos seus correctores um alto grau de qualidade e a resolução pronta das dúvidas ortográficas (e não a criação de mais áreas de dúvida ou hesitação).

Tendo em conta este contexto, a Priberam sentiu necessidade de definir linhas gerais explícitas e fundamentar linguisticamente as suas opções nos pontos em que o AO é ambíguo, incongruente e lacunar, tornando-as públicas nos critérios do FLiP relativamente ao Acordo Ortográfico de 1990, disponibilizados on-line logo desde o lançamento do FLiP 7.

Todavia, neste período de transição, dificilmente algum produto de língua portuguesa estará isento de fazer alterações ou actualizações, e os produtos da Priberam não constituem excepção. Veja-se, aliás, como a própria Academia Brasileira de Letras teve rapidamente de proceder a correcções ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (São Paulo: Global, 2009) no seu encarte de correcções e aditamentos à 5ª edição. Isto depois de ter publicado a edição segundo o AO do Dicionário escolar da língua portuguesa, que teve de sofrer ajustes numa 2.ª edição, a qual, por sua vez, ainda revela divergências relativamente ao referido vocabulário.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Lusofonia é...

... descobrir que auspicioso é uma das palavras mais pesquisadas recentemente no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa porque é um termo muito proferido numa telenovela brasileira.

Recursos linguísticos on-line

Recentemente, a Priberam reformulou os recursos linguísticos disponibilizados on-line.

Primeiro, através a inclusão de um Conversor para o acordo ortográfico que permite visualizar as modificações decorrentes do Acordo Ortográfico de 1990 (AO) e de um Vocabulário que possibilita a consulta de informação ortográfica e morfológica, com ou sem AO, tanto em português de Portugal como em português do Brasil.

De seguida, com a disponibilização de um Conjugador, no intuito de enriquecer o acesso à informação gramatical já disponibilizada através do Corrector ortográfico e sintáctico. Ambas as ferramentas são válidas para português de Portugal e para português do Brasil (com ou sem AO), assim como para espanhol.

Foram também disponibilizados quatro Auxiliares de tradução que facultam equivalentes de e para espanhol, francês, inglês e português (com ou sem AO).

Por fim, a mudança mais radical prende-se com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e com a Gramática, cujos conteúdos on-line foram totalmente renovados, estando em constante actualização e melhoramento.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

«Fuck preparation. They have desenrascanço1

Depois de saudade ter alcançado o 7º lugar no top internacional As dez palavras mais difíceis de traduzir, eis que parece ter chegado a hora de mais um portuguesismo galgar fronteiras linguísticas. Trata-se de desenrascanço, o modus operandi de muitos portugueses, e figura, logo em 1º lugar, no top As dez palavras estrangeiras mais fixes de que o Inglês precisa (de onde se extraiu o título desta entrada).

Nota1: «Foda-se a preparação. Eles têm o desenrascanço».

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

FLiP 7 em rosa cheguei1, ou melhor, em rosa chegou

Depois do FLiP:Mac 2 e do FLiP:Mac 2 Brasil, as versões do FLiP para Macintosh lançadas em Dezembro de 2008, chegou finalmente a hora de apresentar o FLiP 7, a última versão do pacote de ferramentas linguísticas da Priberam para o Microsoft Windows. As principais características e funcionalidades são descritas na página do produto, podendo também algumas delas ser visualizadas numa peça transmitida pela SIC.

A apresentação do FLiP 7 teve lugar na Biblioteca Nacional e contou com as presenças do Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, do director da BN, Jorge Couto, do Secretário Executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira e do Embaixador do Brasil na CPLP, Lauro Moreira, entre outros.

Na sua comunicação, o ministro da cultura referiu-se ao FLiP 7 como um "instrumento de liberdade" que, a propósito das alterações decorrentes do Acordo Ortográfico (AO) de 1990, "permite-nos compreender como as novidades são simples". Pinto Ribeiro revelou ainda que estão a decorrer conversações com outros países da CPLP para acordar uma data para a entrada em vigor do AO, que poderá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2009.


Nota1: No português do Brasil, a forma verbal cheguei é usada informalmente como apositivo, significando "berrante, garrido, vistoso" (ex.: um vestido cheguei; umas sandálias verde cheguei).

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (II)

Algumas implicações da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO) em correctores ortográficos foram alvo de análise em O novo acordo ortográfico e os correctores automáticos, comunicação da Priberam apresentada em Agosto deste ano ao IX Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Uma breve entrevista da mesma altura, ao programa Páginas de Português, da Antena 2, aborda também esta problemática, ainda que sumariamente.

Nesta análise, como nas reflexões que habitualmente faz sobre o tema, a Priberam não pretende esgrimir argumentos contra ou a favor do Acordo Ortográfico, mas antes fazer uma análise sob uma perspectiva prática e contribuir para um debate pouco frequente relativamente ao texto do AO: o da sua aplicação efectiva. Neste aspecto, é inequívoco que o AO tem consequências no processamento da língua natural (PLN) e nos correctores ortográficos em particular, mas também em auxiliares de tradução ou em motores de busca.

Curiosamente, o próprio texto legal do AO tem, aparentemente, preocupações específicas com o PLN, como se pode ler no ponto 5.3. da "Nota Explicativa", aquando da explicitação das razões ponderadas para a manutenção dos acentos gráficos nas palavras esdrúxulas e graves, recuando assim no estipulado pelo texto de 1986, o que, a manter-se em 1990, constituiria "problema para o tratamento informatizado do léxico".

Este argumento não parece, no entanto, ser pertinente, dado o elevado número de ambiguidades entre classes gramaticais que a língua contém e que o PLN tem obrigatoriamente de tratar. Mais do que isso, a eliminação das consoantes ditas "mudas" (ver Base IV) vai aumentar o número de palavras homógrafas (ex.: a(c)to/ato, substantivo e flexão verbal de atar; ó(p)tico/ótico, adjectivo relativo à vista e ao ouvido, respectivamente). A mesma consequência terá a eliminação do acento gráfico que distinguia palavras graves homógrafas de palavras proclíticas (ver Base IX, 9.º), como no caso de para, 3ª pessoa do singular do indicativo do verbo parar e preposição.

O principal problema na aplicação do AO prende-se com a qualidade do texto legal, que, devido a lacunas, ambiguidades e incoerências, gera dificuldades acrescidas. Há no mercado português dicionários que publicitam seguir a ortografia preconizada pelo Acordo de 1990, obras que terão implicado certamente tempo e trabalho aturado de lexicógrafos. No entanto, as diferentes opções de dois dicionários para um número considerável de palavras são a prova manifesta de que o texto legal não é razoavelmente claro nem suficientemente objectivo para impedir diferentes interpretações ortográficas.

Apenas a título de exemplo, veja-se as divergências publicadas por dois desses dicionários relativamente a:

- acentuação

Texto Editores*Porto Editora**
cômoro/cómorocômoro
fêmeafêmea/fémea
géisergeiser

- grafia de consoantes
Texto Editores*Porto Editora**
anfractuoso/anfratuosoanfractuoso
excepção/exceçãoexceção
manufaturamanufactura/manufatura
perfeccionistaperfeccionista/perfecionista
tacto/tatotato
tectónico/tectônico/tetónico/tetônicotectónico/tectônico
tumefactotumefacto/tumefato
veredictoveredicto/veredito

- uso do hífen
Texto Editores*Porto Editora**
abrogaçãoab-rogação
céu da bocacéu-da-boca
indoeuropeuindo-europeu
maria vai com as outrasmaria-vai-com-as-outras
para quedasparaquedas
re-entrarreentrar
sobre-excitarsobreexcitar
subreptíciosub-reptício
tão somentetão-somente


Desta pequena reflexão, parece óbvia a conclusão de que, enquanto não houver instrumentos reguladores da ortografia, nomeadamente das duas academias (Academia das Ciências de Lisboa e Academia Brasileira de Letras), quem tem de trabalhar com a ortografia vai ter problemas na aplicação do AO (falamos do trabalho na Priberam, mas também do trabalho de jornalistas, de tradutores, de revisores, de professores...), daí que a confiança num corrector ortográfico automático, como o FLiP, se revista de grande importância para quem tem de seguir impreterivelmente as alterações ortográficas introduzidas pelo Acordo.

*Novo Dicionário da Língua Portuguesa Conforme Acordo Ortográfico, Lisboa: Texto Editores, 2007.
**Novo Dicionário Editora da Língua Portuguesa 2009 – Acordo Ortográfico, Porto: Porto Editora, 2008.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (I)

Neste momento é possível encontrar no mercado inúmeras obras recentes sobre o Acordo Ortográfico de 1990 (AO), nomeadamente:

- dicionários e vocabulários que referem seguir o estipulado no texto legal do AO:
  • Dicionário Editora da Língua Portuguesa 2009 - Acordo Ortográfico, Porto: Porto Editora, 2008.
  • Novo Dicionário da Língua Portuguesa Conforme Acordo Ortográfico, Lisboa: Texto Editores, 2007.
  • Novo Grande Dicionário da Língua Portuguesa Conforme Acordo Ortográfico, Lisboa: Texto Editores, 2007.
  • Vocabulário – As palavras que mudam com o Acordo Ortográfico, 1ª ed., Lisboa: Caminho, 2008 [Disponível online aqui].
- guias práticos que pretendem ilustrar o que vai mudar na ortografia portuguesa:
  • João Malaca Casteleiro e Pedro Correia, Atual – O novo acordo ortográfico, Lisboa: Texto Editora, 2007.
  • Guia Prático do Acordo Ortográfico, Porto: Porto Editora, 2008.
  • Instituto Antônio Houaiss e José Carlos de Azeredo, Escrevendo pela nova ortografia, São Paulo: Publifolha, 2008.
  • Evanildo Bechara, A Nova Ortografia, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
  • Douglas Tufano, Guia Prático da Nova Ortografia, São Paulo: Melhoramentos, 2008 [Disponível online aqui].
- livros de opinião sobre o AO e a sua aplicação:
  • Vasco Graça Moura, Acordo Ortográfico: A Perspectiva do Desastre, Lisboa: Alêtheia Editores, 2008.
  • António Emiliano, Foi você que pediu um acordo ortográfico?, Lisboa: Guimarães Editores, 2008.
  • António Emiliano, O Fim da Ortografia: comentário razoado dos fundamentos técnicos do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), Lisboa: Guimarães Editores, 2008.
Das obras acima referidas, é interessante verificar que os dicionários entretanto comercializados não explicitam nem fundamentam os critérios adoptados no tratamento de aspectos mais problemáticos do AO (cujo texto legal não soluciona muitos dos problemas que cria), tomando mesmo opções divergentes em alguns casos, como se verá em posts futuros.

Até à data, não foi publicada nenhuma obra lexicográfica (dicionário, vocabulário, thesaurus) autorizada e comum a todos os países lusófonos, com a chancela dos órgãos que têm a obrigação de se debruçar sobre o assunto (nomeadamente, a Academia das Ciências de Lisboa, a Academia Brasileira de Letras ou mesmo o Instituto Internacional da Língua Portuguesa).

A Priberam tem acompanhado atentamente todo o processo relativo ao AO, no sentido de não tomar decisões precipitadas e de produzir ferramentas que correspondam qualitativamente às expectativas dos utilizadores, não só em Portugal (através da comercialização do FLiP), mas também no Brasil (através da comercialização do Novo Corretor Aurélio) e em outros países lusófonos.

Dado que (i) o texto legal do AO não prevê soluções para muitos dos seus problemas e que (ii) não existem novos documentos lexicográficos autorizados reguladores que permitam substituir as obras tidas como referência até agora, é necessário que seja a Priberam a definir linhas gerais explícitas e a fornecer ao utilizador das suas ferramentas linguísticas a explicação de algumas opções tomadas. A Priberam vê-se ainda obrigada a questionar algumas opções dos dicionários entretanto publicados, o que poderia ter sido evitado, por exemplo, pela publicação atempada do vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, previsto no art. 2º do AO.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990

Em Portugal, na primeira metade de 2008, o tema do Acordo Ortográfico (AO) voltou a ser alvo de destaque na imprensa, com discussões e perorações mais ou menos apaixonadas e mais ou menos fundamentadas. No entanto, em nenhuma dessas ocasiões se falou de um pormenor de extrema importância: o AO entra efectivamente em vigor após a sua ratificação e após promulgação pelo Presidente da República Portuguesa? Agora, mais do que nunca, esta parece ser uma pergunta legítima. Em Maio e em Julho últimos foram publicados em Diário da República os documentos legais que possibilitam a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 em Portugal: primeiro, a ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, pela Resolução da Assembleia da República nº 35/2008 de 16 de Maio de 2008, e depois, o correspondente Decreto do Presidente da República nº 52/2008 de 29 de Julho de 2008. Mas será que isso é suficiente para que o AO já vigore em Portugal?

O AO é uma convenção internacional que prevê, no art. 3º do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que "O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto da República Portuguesa." Uma pesquisa no Legix não revela registos que atestem o depósito dos instrumentos de ratificação do Brasil (2004), de Cabo Verde (2006) e de São Tomé e Príncipe (2006).

Segundo o art. 119º da Constituição Portuguesa, a publicação das convenções internacionais e dos respectivos avisos de ratificação é obrigatória no Diário da República, sob pena de a sua falta de publicidade implicar ineficácia jurídica. Por este motivo, em Julho (nos dias seguintes à publicação no DR), a Priberam questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) sobre este assunto, não tendo, até ao momento, recebido qualquer resposta. Questionado também o Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), este remeteu as dúvidas colocadas para o MNE.

Assim sendo, até ao esclarecimento deste pormenor e, consequentemente, até à efectiva entrada em vigor da nova ortografia, vigora o Acordo Ortográfico de 1945, com uma alteração de 1973. Este texto oficial, anotado pela Priberam, está disponível aqui.





Priberamt
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