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terça-feira, 29 de abril de 2014

Vasco Graça Moura (1942-2014)


Homenageamos com este texto o escritor português Vasco Graça Moura, falecido recentemente em Lisboa:

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, "Soneto do Amor e da Morte", in Antologia dos Sessenta Anos

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)

Prestamos homenagem ao escritor português Urbano Tavares Rodrigues, falecido hoje em Lisboa:


“– E que sentido tem a nossa vida?, que responsabilidade não será amanhã a nossa se ficarmos quietinhos a assistir ao descalabro, nesta grande prisão de gente bem comportada, que é, ao mesmo tempo, o palco de uma peça de Ionesco, onde se tomam a sério as maiores imbecilidades e o bem se confunde a todo o momento com a injustiça, com a hipocrisia?!”

Urbano Tavares Rodrigues, Terra Ocupada, Livraria Bertrand, 1964

segunda-feira, 26 de março de 2012

Antonio Tabucchi (1943-2012)

«Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
[...]»
Tabacaria”, Álvaro de Campos


«Fernando Pessoa para mim era um desconhecido. E o título [da colecção de poemas de Álvaro de Campos que Tabucchi adquiriu em Paris] era “Tabacaria” [...] E o poema tocou-me tanto, impressionou-me tanto, que eu pensei, bom, caramba, se há uma pessoa no mundo que escreveu um poema assim, eu quero aprender essa língua.»

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Agenda: Pessoa na Gulbenkian


Tem amanhã início em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, e decorre até 30 de Abril, uma exposição dedicada ao escritor português Fernando Pessoa.

Organizada pela Fundação Roberto Marinho e pelo Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, onde foi inaugurada em Agosto de 2010, a exposição “Fernando Pessoa, Plural como o Universo”, celebra a vida e obra do escritor nas suas múltiplas escritas (de ortónimo e heterónimos) e assinala também a iniciativa Ano de Portugal no Brasil e Ano do Brasil em Portugal.

Com uma forte componente interactiva e através da apresentação de textos, fotografias, pinturas, vídeos, sons e objectos, os visitantes podem acompanhar o percurso de vida do escritor paralelamente ao da sua vasta e diversificada produção literária.

Em parceria com a Casa Fernando Pessoa, o programa de actividades educativas inclui visitas guiadas, jogos e oficinas de escrita e teatro.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Agenda: Festival Literário de Macau



Começa já no próximo domingo, e decorre até dia 4 de Fevereiro, a primeira edição do festival literário de Macau, The Script Road / Rota das Letras.

O evento, que pretende celebrar literatura, arte, música e cinema, reúne escritores e artistas provenientes da China, Macau, Hong Kong e de países de língua oficial portuguesa, como Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, entre outros.

Mais informações sobre o programa podem ser encontradas aqui e aqui.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lellito

Retalhos de lexicografia antiga na literatura cronística moderna:

“O ex-comando recusou um Morais1 que eu lhe quis oferecer pelos anos: «Isso é gastar cera com ruins defuntos, Senhor Doutor. Para o material que Vossa Excelência me entrega, o Lellito2 dá e sobra.»
Não sei se as palavras lhe saíram por sobranceria ou por insensibilidade mas, em qualquer caso, revelam estouvamento. O Prático Ilustrado é um excelente dicionário, mas não tem dimensão que dê para os cambiantes da Prosa com P grande.”

in A.B. KOTTER, Bilhetes de Colares 1982-1998. in memoriam José Cutileiro. Lisboa: Assírio & Alvim, 2007, p. 40. Organização e posfácio de Fernando Venâncio.



1António de Morais SILVA, Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Confluência, 1949 [1789].
2
Dicionário Prático Ilustrado. Porto: Lello & Irmão, 1956.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Agenda: XII Correntes d’Escritas



Realiza-se esta semana, de 23 a 26 de Fevereiro, na Póvoa de Varzim, o XII Correntes d’Escritas.

Trata-se da 12.ª edição do encontro de escritores de expressão ibérica, que este ano conta com a presença de mais de 65 escritores, provenientes de 12 países. O programa inclui mesas de debate (cujos temas escolhidos são versos retirados de cada um dos livros finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa 2011), sessões de poesia, lançamentos de livros, espectáculos de teatro e cinema, sessões com o público escolar, exposições, entre outros. Mais informações aqui.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Agenda: 12 anos da atribuição do Prémio Nobel a José Saramago e 62 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos



A 10 de Dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas ratificou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento que pela primeira vez passou a proteger universalmente direitos humanos fundamentais, como aquele que se lê no seu artigo 5º: “Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

A 10 de Dezembro de 1998, exactamente meio século após a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Academia Sueca atribuiu a José Saramago (1922-2010) o Prémio Nobel da Literatura. No discurso proferido no palácio real de Estocolmo, o escritor lembrou a efeméride com o senso crítico que lhe era característico: “Nestes cinquenta anos não parece que os Governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que, moralmente, quando não por força da lei, estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se no mundo, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrénica humanidade que é capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte neste tempo do que ao nosso próprio semelhante.

Mantendo vivo o espírito das citações acima destacadas, a Fundação José Saramago realiza na próxima sexta-feira, dia 10 de Dezembro, no Palácio Galveias, em Lisboa, uma sessão comemorativa dos 12 anos da atribuição do Prémio Nobel de Literatura ao escritor português e dos 62 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mais informação, aqui.

sábado, 30 de outubro de 2010

Biblioteca particular de Fernando Pessoa online



A partir deste mês, é possível aceder gratuitamente e online à biblioteca particular de Fernando Pessoa. Os mais de 1000 livros que compõem a biblioteca multilingue do poeta, reunida entre 1898 e 1935, foram digitalizados e podem agora ser consultados, página a página, na biblioteca digital Fernando Pessoa.

Nas palavras da escritora Inês Pedrosa, actual directora da Casa Fernando Pessoa:
«Entendemos que uma biblioteca desta importância devia tornar-se património da humanidade – e não apenas dos que podem deslocar-se a esta Casa onde Fernando Pessoa viveu os últimos quinze anos da sua vida.
[...]
Procurámos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacámos páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros.
Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.
»

O processo de digitalização foi levado a cabo por uma equipa internacional de investigadores, no âmbito de uma colaboração entre a Casa Fernando Pessoa e o Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.

Para além do acesso aos livros, disponíveis na íntegra em formato PDF e JPG, a biblioteca digital de Fernando Pessoa disponibiliza informação sobre a constituição da biblioteca, sobre as anotações feitas pelo próprio Pessoa, sobre as dedicatórias constantes de alguns volumes ou sobre outros estudos feitos sobre a biblioteca do autor.

A Casa Fernando Pessoa disponibiliza também online a obra poética de Fernando Pessoa e dos seus principais heterónimos, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares, aqui.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Agenda: Seminário de homenagem a Henrique de Senna Fernandes (1923-2010)

O CETAPS (Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies) organiza amanhã, dia 29 de Outubro, a partir das 14h30, na Casa de Macau de Lisboa, um seminário de homenagem a Henrique de Senna Fernandes, falecido este mês. Mais informação sobre o programa aqui.

O escritor e advogado macaense Henrique de Senna Fernandes foi autor de obras como Nam Van, A Trança Feiticeira e Amor e Dedinhos de Pé, tendo estas duas últimas sido adaptadas ao cinema pelas mãos dos realizadores Cai Yuan-Yuan e Luís Filipe Rocha.

Henrique de Senna Fernandes exercia advocacia, mas sempre afirmou serem a escrita e o ensino as suas verdadeiras vocações. Depois da passagem da administração do território macaense para a China, em 1999, decidiu continuar a residir em Macau, onde faleceu no dia 4 deste mês.

Nas suas obras, Senna Fernandes, além do valor literário, deixa aos lexicógrafos abonações para o léxico do português de Macau, algumas delas presentes no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa / Editorial Verbo, 2001).

terça-feira, 6 de julho de 2010

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

"Saber ler na vida - folhear honestamente a vida
Apaixonadamente a vida
Nas arcas da noite, nas arenas do dia:
Risos, lágrimas, serenos rostos aparentes
Como se abríssemos cada dia a verde lima do espanto.
Não passar folhas em branco sem as entender,
Olhar rostos como quem tacteia rugas
Descobrindo planetas de mágoa ou rios de alegria.
A primeira página e o segredo puro dos acabados de gritar o primeiro grito,
iluminada essência do futuro.
E tudo isto
Entre vermes, frutos, flores, rinocerontes, pássaros,
Cães fiéis
Águas e pedras
E o fraterno fogo que acendemos a cada hora,
No espaço branco que é estendermos a nossa mão
Para outra mão apertarmos simplesmente
Mão pela qual corre o sangue como um rio de fogo.
Só temos uns tantos anos para lermos este livro
Debaixo do Sol,
Ou sob o aço da noite
Para este fogo tecer.
Chamarás ciência cultura vida dor espada ou espanto a tudo isto
Ou ilegível monotonia.
Nada. Mas lê."


Matilde Rosa Araújo, in Voz Nua

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)

“Sobre a nudez forte da verdade o manto diáfano da fantasia, parece clara a sentença, clara, fechada e conclusa, uma criança será capaz de perceber e ir ao exame repetir sem se enganar, mas essa mesma criança perceberia e repetiria com igual convicção um novo dito, Sobre a nudez forte da fantasia o manto diáfano da verdade, e este dito, sim, dá muito mais que pensar, e saborosamente imaginar, sólida e nua a fantasia, diáfana apenas a verdade, se as sentenças viradas do avesso passarem a ser leis, que mundo faremos com elas, milagre é não endoidecerem os homens de cada vez que abrem a boca para falar.”

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis





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