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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Anglofonia não deve...


...ser isto: consultar a palavra camone no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e deparar com o senhor que, segundo Bruno Nogueira, "toda a vida sodomizou a língua inglesa"!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Coerência ortográfica

A conjugação de grafias anteriores e posteriores ao Acordo Ortográfico (AO) de 1990 num mesmo texto não é caso único na versão online do jornal Público. Esta situação ocorre sobretudo agora que a principal agência noticiosa portuguesa, a Agência Lusa, passou a redigir os seus textos segundo a nova norma ortográfica. Em período de transição, e sem a verificação ortográfica necessária, exemplos como os que se seguem serão frequentes na imprensa escrita (destacados nossos):

Ex.1:
Reduzir o consumo abusivo de bebidas alcoólicas durante as festas académicas, minimizando os danos associados, é o principal objetivo do projeto "Antes que te Queimes", que compreende ainda ações sobre sexualidade responsável, primeiros socorros e substâncias psicoativas.

Ex.2:
O processo deverá, depois, seguir a tramitação normal até ao licenciamento (apresentação do projecto de arquitectura e dos projectos de especialidade e respetiva aprovação), mas a empresa não avança, para já, com prazos relativamente ao início da obra que vai reabilitar o mercado.
[...]
Mas a Eusébios tinha imposto como condição para assinar a escritura a obtenção da isenção do pagamento dos cerca de 200 mil euros de Imposto Municipal Sobre Transações Onerosas de Imóveis (IMT).

Um problema relacionado com a instrução do pedido de isenção atrasou o processo, que foi deferido pela Direção Geral de Impostos (DGCI) no início de Janeiro.

No entanto, José Craveiro considera que “há outras coisas que podem ser feitas, como a reestruturação dos centros de saúde em unidades funcionais e o depurar dos ficheiros médicos, que têm mais pessoas do que aquelas que os censos dizem que existem”. Deu o exemplo da reestruturação feita no centro de saúde de Santa Comba Dão, onde a partir de hoje a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados passou a funcionar nos dias úteis, aos fins de semana e feriados das 08h00 às 24h00.

Dessa reestruturação faz ainda parte o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) e a desativação das extensões de Pinheiro de Ázere, Óvoa e São Joaninho, todas com menos de 1500 utentes e que significavam “um grande desperdício de recursos”
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Ex.3:
A Atlânticoline tem ainda em aberto o concurso para a escolha do segundo navio para a operação deste ano, que vai assegurar as ligações entre as ilhas açorianas entre 7 de junho e 26 de setembro.

Ex.4:
No entanto, a estratégia da Câmara vai além da elaboração do PPS e dos cerca de 9,5 milhões de euros de investimento previstos no programa de ação da Regeneração Urbana, co-financiado em 55 por cento por fundos europeus.

“A obra física e o betão, por si só, não resolvem os problemas todos e é importante um conjunto de ações imateriais”, defendeu, explicando que, neste sentido, a Câmara Municipal conta já com instituições locais como parceiras.
[...]
O objetivo é “recuperar laços” e “contrariar o “afastamento dos sinienses relativamente ao centro histórico”, o que está em parte relacionado, segundo a autarca, com “um crescimento demasiado rápido” da cidade a partir dos anos 70, aquando do desenvolvimento do Complexo Industrial de Sines.

“Construímos uma cidade à volta, o que apertou o centro histórico, criou novas urbanidades e centros atrativos da população”, explicou.



Os utilizadores da língua que queiram evitar nos seus textos a incoerência ortográfica ilustrada pelos exemplos acima encontram nas ferramentas linguísticas da Priberam vários recursos úteis e fáceis de utilizar.

Ciente do período de transição que se atravessa e da ligação que cada utilizador estabelece com a sua língua, a Priberam não tem pretensões de impor uma ou outra ortografia, mas, na liberdade de escolha, a tecnologia FLiP existe para casos como este, na opção com ou sem AO: na versão FLiP 7, no corrector online, no conversor online ou no vocabulário online (estes últimos de acesso gratuito).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Saudades do Calvin



Nos anos 90 do século passado, o Público trouxe-nos esta dupla e as suas trapalhadas. Hoje, a propósito de uma notícia sobre Bill Watterson, o criador de Calvin & Hobbes, a versão online do jornal brinda-nos com uma pequena trapalhada de foro ortográfico (destacado nosso):

«A entrevista foi publicada hoje no Cleveland Plain Dealer, jornal da cidade onde Bill Watterson vive, e terá sido a primeira que o autor concedeu a um jornalista em 20 anos, ainda que tenha sido por correio eletrónico

A presença de uma grafia posterior ao novo ortográfico – eletrónico – só é digna de destaque porque o jornal expôs no seu editorial de 30 de Dezembro de 2009 as razões pelas quais rejeitava a nova ortografia, afirmando que «Vamos continuar a escrever a nossa língua como a escrevemos hoje. Os nossos colunistas terão total liberdade de escolha, mas a redacção escreverá notícias baseadas em “factos”, sem “espectáculo” mas com “acção”.»

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

E agora?

A Agência Lusa passou a redigir os seus textos segundo a nova norma ortográfica, desde o passado dia 30 de Janeiro.
Resta saber o que farão agora jornais e revistas que ainda não adoptaram o Acordo Ortográfico de 1990 e que irão difundir os textos noticiosos da Lusa. Será que vão rever todos os textos recebidos à procura das novas grafias e substituí-las pelas antigas? Será que vão colocar uma nota em cada notícia, a avisar os leitores, no caso de reproduzirem os textos sem alteração? Será que vão fazer uma grande trapalhada?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

E ainda há quem não acredite no Pai Natal?!

Regresso de férias e vejo que começa a delinear-se uma resposta ao meu pedido de Natal:

"A pequena equipa formada pelos professores catedráticos Maria Helena da Rocha Pereira e Aníbal Pinto de Castro (e por um seu assistente, Marcelo Vieira) já concluíram a revisão definitiva das palavras que começam por A, B, C, D e E. Faltam todas as outras letras, mas Pinto de Castro diz que o trabalho entrou numa fase de grande intensidade e acredita que o novo Vocabulário Resumido da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa vai estar concluído dentro de um mês, altura em que será entregue à Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) para ser impresso."
in Expresso de 09-01-2010, suplemento "Primeiro Caderno", p. 26

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Querido Pai Natal,

A Priberam deseja-lheum Nariz Natal
Priberam
Operação Nariz Vermelho


Desculpa escrever-te tão em cima da hora, sobretudo nesta época já de si tão atarefada. Sei, por experiência profissional, que não é fácil responder a tantas cartas, reais e virtuais, que chegam diariamente, das mais diversas proveniências. Não imagino sequer a confusão linguística que vai por esse Pólo Norte. O meu pedido é por isso muito curto: gostaria de saber o que fazer com Acordo Ortográfico (AO) de 1990 em Portugal...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Do Acordo Ortográfico e da Academia Brasileira de Letras

Com o Acordo Ortográfico (AO) de 1990 já em vigor no Brasil, a comissão de lexicologia e lexicografia da Academia Brasileira de Letras (ABL) elaborou uma nota explicativa das orientações e opções tomadas na 5ª edição do Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa (São Paulo: Global, 2009), onde se encontram os quatro princípios metodológicos seguidos (p. LI):

a) respeitar a lição do texto do Acordo;

b) estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo;

c) acompanhar o espírito simplificador do texto do Acordo;

d) preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores, quando das omissões do texto do Acordo.

À partida, a instanciação dos princípios acima não deixa antever o impacto das opções tomadas pela ABL, que só começa a desenhar-se quando são apresentadas as principais medidas tomadas pela comissão (p. LII). Mas só após exaustiva e fastidiosa consulta do VOLP (cuja versão electrónica on-line ainda não se encontra disponível) é que se percebe que a alínea c) acima transcrita pretende justificar interpretações que vão além do que diz o texto legal do AO e que a alínea d) é muitas vezes descurada pelas opções tomadas, comprometendo-se assim a esperada unificação ortográfica.

Algumas das opções e respectivas justificações do VOLP são particularmente intrigantes, como as que se seguem.

- registam-se palavras com formas divergentes das referidas no AO (ex.: grafa-se primo-infeção no AO mas primoinfeção no VOLP; co-herdeiro no AO mas coerdeiro no VOLP – cf. Base XVI), contrariando-se assim exemplos e regras claramente apresentados no texto legal;

- eliminam-se variantes não referidas no AO (ex.: benfeito surge no texto do AO, daí ter-se eliminado bem-feito no VOLP), mas mantêm-se outras no mesmo contexto (ex.: benquerença surge no texto do AO, mas é mantida a forma bem-querença no VOLP);

- elimina-se simplesmente o hífen em todas as palavras que contêm "formas de ligação", sem que haja explicitação inequívoca do que é entendido por “forma de ligação” ou da solução a tomar após a remoção do hífen (ex.: disse me disse, esmeralda do brasil, toma lá dá cá, tomara que caia mas pauapicar, empauapicar, flordelisado);

- abrem-se excepções às decisões ao uso do hífen nos casos acima, com "formas de ligação", nomeadamente para os gentílicos como rio-grandense-do-norte, mas não para os gentílicos indígenas como carajá do norte;

- fazem-se distinções entre palavras aglutinadas, palavras hifenizadas e locuções que escapam aos critérios definidos e são difíceis de compreender (ex.: o VOLP regista judeo-árabe mas judeo aramaico; regista judeu-cristão mas judeu cristianismo; regista francomação mas franco-maçom);

- hifenizam-se os termos compostos formados por elementos repetidos de origem onomatopaica mas escrevem-se aglutinados se forem de outra origem(ex.: tam-tam "tambor" versus tantã "pessoa desequilibrada"; o cuco "ave" foi cu-co até aos aditamentos, onde se descobriu que afinal não era bem uma onomatopeia, senão na origem do latim; já o fru-fru parece continuar hifenizado, mesmo tendo origem na palavra francesa froufrou);

- hifenizam-se os termos pertencentes às áreas da botânica ou da zoologia (conforme a Base XV, 3º) que designam animais, plantas, flores, frutos, raízes e sementes mas escrevem-se sem hífen sempre que tiverem outros significados diferentes desses (ex.: flor-de-lis "lírio-roxo" versus flor de lis "emblema da realeza francesa" que representa essa flor; bálsamo-do-peru "espécie de árvore" versus bálsamo do peru "líquido resinado obtido do bálsamo-do-peru");

- contraria-se o disposto na Base XVI, 1.º, alínea b), segundo a qual o prefixo re- (à semelhança do que sucede com outros prefixos terminados em -e, como entre- ou sobre-) deverá ser seguido de hífen quando o elemento seguinte começar por -e e o VOLP regista, por exemplo, reentrar. O texto legal do AO é inequívoco relativamente ao uso de hífen com um prefixo que termina na mesma vogal em que se inicia o elemento seguinte (ex.: anti-ibérico, contra-almirante, auto-observação).

- elimina-se o uso do hífen nos compostos com quase- ou não- (ex.: não metal; quase delito), quando o AO em nenhum momento o faz.

Será que a Academia das Ciências de Lisboa, cujo vocabulário é esperado até ao final deste ano, vai interpretar o AO da mesma maneira?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (III)

Falar do Acordo Ortográfico (AO) de 1990 não implica falar apenas de lusofonia. Nem do projecto de uma "ortografia unificada de língua portuguesa", como menciona o texto legal. Implica falar de polémica, de aceitação e rejeição, de petições contra e a favor e da falta de uma política linguística coesa, pelo menos em Portugal. Tem sido assim desde antes de 1990 e não parece que este cenário se vá alterar, mesmo após a ratificação do Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa por parte do Brasil (2004), Cabo Verde (2006), São Tomé e Príncipe (2006), Portugal (2009) e, a partir desta semana, Timor Leste.

Nos últimos tempos, falar do AO implica também falar de erratas, de listas de correcções, de ajustes, de aditamentos e de actualizações. Porquê? Porque os produtos de língua portuguesa entretanto disponibilizados no Brasil e em Portugal reflectem o facto de (i) o texto legal do AO ser ambíguo, incongruente e lacunar em vários pontos, gerando por isso interpretações divergentes, (ii) não existir um vocabulário comum atempadamente publicado que tenha colmatado essas lacunas e divergências, (iii) este ser um período de transição. Já aqui e aqui se tinha alertado para estes factos. Se restam dúvidas acerca das dificuldades da aplicação do AO, basta ver como os dicionários e os vocabulários entretanto publicados se distanciam na interpretação e na aplicação do texto legal, comprometendo assim a tão almejada unidade ortográfica.

A Priberam tem acompanhado atentamente todo o processo relativo ao AO, no sentido de não tomar decisões precipitadas e de produzir ferramentas que correspondam qualitativamente às expectativas dos utilizadores, não só em Portugal, mas também no Brasil e em outros países da CPLP. Pelo facto de a Priberam ter adquirido uma grande responsabilidade devido aos produtos que desenvolve, às marcas a que se tem associado e ao número de utilizadores que recorrem aos seus produtos e serviços, é exigido aos seus correctores um alto grau de qualidade e a resolução pronta das dúvidas ortográficas (e não a criação de mais áreas de dúvida ou hesitação).

Tendo em conta este contexto, a Priberam sentiu necessidade de definir linhas gerais explícitas e fundamentar linguisticamente as suas opções nos pontos em que o AO é ambíguo, incongruente e lacunar, tornando-as públicas nos critérios do FLiP relativamente ao Acordo Ortográfico de 1990, disponibilizados on-line logo desde o lançamento do FLiP 7.

Todavia, neste período de transição, dificilmente algum produto de língua portuguesa estará isento de fazer alterações ou actualizações, e os produtos da Priberam não constituem excepção. Veja-se, aliás, como a própria Academia Brasileira de Letras teve rapidamente de proceder a correcções ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (São Paulo: Global, 2009) no seu encarte de correcções e aditamentos à 5ª edição. Isto depois de ter publicado a edição segundo o AO do Dicionário escolar da língua portuguesa, que teve de sofrer ajustes numa 2.ª edição, a qual, por sua vez, ainda revela divergências relativamente ao referido vocabulário.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Livro sobre o Segundo HAREM disponível online

A edição digital do livro Desafios na avaliação conjunta do reconhecimento de entidades mencionadas: O Segundo HAREM (Linguateca, 2008), editado por Cristina Mota e Diana Santos, já está publicamente acessível. Nele documenta-se a segunda avaliação conjunta da Linguateca em reconhecimento de entidades mencionadas1, o HAREM, na qual a Priberam participou em 2008. A participação da Priberam é descrita no capítulo 9, intitulado "Adaptação do sistema de reconhecimento de entidades mencionadas da Priberam ao HAREM".

Nota1:
A expressão "entidades nomeadas" é a tradução proposta pela Linguateca para a expressão inglesa named entities, termo que designa "entidades com nome próprio" (ex.: Reino Unido, Luís de Camões, ministro dos Negócios Estrangeiros, etc.).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Novo Corretor Aurélio 2.0


Alguém precisa dizer ao Grump e ao Vândalo desta tirinha que o Novo Corretor Aurélio 2.0 já se encontra à venda no Brasil. Com ele, e com o FLiP 7 em Portugal, fica um pouco mais fácil escrever segundo as novas regras ortográficas do português.

P.S.: Está sol? O calor convida a uma ida à praia? O tema "acordo ortográfico" não desperta interesse? Não faz mal, justifica-se na mesma uma visita ao blogue do Orlandeli, de onde foi retirada a tira acima.





Priberam.pt
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