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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Centenário da primeira reforma ortográfica em Portugal


«Ministério do Interior – Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior e Especial – 1.ª Repartição. – Conformando-se com o parecer da comissão encarregada, por portaria de 15 de Fevereiro de 1911, de estabelecer as bases para a unificação da ortografia que deve ser adoptada nas escolas e nos documentos e publicações oficiais:
Manda o Govêrno da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior:
1.º Que o relatório da referida comissão seja publicado no Diário do Govêrno, devendo ser para o futuro adoptada em todas as escolas, e bem assim nos documentos e publicações oficiais, a ortografia proposta pela comissão;
2.º Que se dê a tolerância máxima de três anos, a contar da data da publicação da presente portaria, para a conservação das grafias existentes nos livros didácticos actualmente em uso, a fim de não prejudicar os respectivos autores ou editores;
3.º Que se promova a rápida organização e publicação, pelo preço mais módico possível, de um vocabulário ortográfico e de uma cartilha, especialmente destinada a vulgarizar e exemplificar o sistema de ortografia adoptado;
4.º Que a comissão nomeada por portaria de 15 de Fevereiro de 1911 continue em exercício pelo tempo que se julgar conveniente, a fim de ser ouvida sobre quaisquer dúvidas que se suscitem relativamente à execução da reforma proposta, podendo a referida comissão reùnir-se por iniciativa própria, ou convocada pela Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior e Especial, por intermédio da qual serão feitas quaisquer reclamações sôbre o assunto.
Paços do Govêrno da República, em 1 de Setembro de 1911. O Ministro do Interior, António José de Almeida

É com este texto, publicado no Diário do Govêrno n.º 206, de 4 de Setembro de 1911, pág. 5-6, que se aprova o primeiro acto legislativo sobre a ortografia da língua portuguesa. De acordo com o chefe do gabinete de revisão da Imprensa Nacional de Lisboa na altura, a regulação da ortografia era premente uma vez que “tais variedades de grafias trazem para a Imprensa [Nacional] não só descrédito mas também prejuízos pecuniários”, pois as emendas que eram necessárias fazer aquando da transição para outras publicações periódicas, “além de estabelecerem confusão no espírito do compositor, avolumam de uma maneira assombrosa a despesa da composição, e impedem a rapidez da impressão” (p. 3).
Na base desta portaria estão as Bases da Ortografia Portuguesa, obra escrita em 1885 pelo romanista Gonçalves Viana e pelo orientalista Vasconcelos Abreu.

Cem anos e algumas reformas ortográficas depois, com as consequentes discussões académicas (e não tão académicas), inúmeras interpretações e muita polémica, confirma-se que a questão da ortografia continua a ser “um dos capítulos mais atormentados da história linguística portuguesa”, como escreve Giuseppe Tavani em A Demanda da Ortografia Portuguesa (Lisboa: Edições João Sá da Costa, 1987, p. 201). Será que vai continuar a sê-lo nos próximos cem anos?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sobre a grafia do nome do líder líbio

As notícias sobre a Líbia têm sido constantes na imprensa desde o início do ano, devido aos confrontos entre rebeldes e forças governamentais. Inconstante continua a ser a grafia do nome próprio do (ainda) chefe de estado líbio.

Na imprensa portuguesa, hoje mesmo é possível encontrar Kadhafi (como escrevem os jornais Diário de Notícias, Expresso, i, Sol e Correio da Manhã), Khadafi (como escrevem o Público e o Jornal de Negócios) ou Kadafi (como escreve o Jornal de Notícias). A diferença é mínima – só muda o lugar ou a presença da letra h – e resulta da transliteração do árabe.

De acordo com Nadia Bentahar, formadora de árabe no Centro de Línguas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e tradutora, o nome do líder líbio, em árabe, escreve-se القذافي.Transcrito foneticamente, à maneira do árabe clássico, obtém-se Al-Qaḏâfî. Ora, na passagem da transcrição fonética para a transliteração surgem alguns problemas:
1. O som árabe Q (ficheiro de som) é transcrito por vezes como K, Kh ou Q, não havendo uma transcrição consensual entre os países de tradição francófona e os de tradição anglo-saxónica.
2. Os líbios pronunciam o som árabe Q como G e por isso as pronúncias mais próximas do dialecto da Líbia são Algathafi (transliteração anglo-saxónica) ou El-Gueddafi (transliteração francófona). No entanto, estas formas não têm muita visibilidade fora da Líbia e da zona do Magrebe.
3. O artigo al- em Al-Qaḏâfî foi omitido muitas vezes nas transliterações da imprensa internacional e assim surgiram grafias como Khadafi ou Gueddafi.

Na imprensa brasileira também ocorre variação, mas, tal como em Portugal, ela não é tão grande quanto em inglês, língua que regista várias grafias possíveis para este mesmo nome.

Seja qual for a grafia, Khadafi, Kadhafi ou Kadafi, dificilmente algum falante de português consegue distingui-las na pronúncia. Por isso, e na ausência de uma grafia oficial, deve fazer-se um esforço para manter a coerência, optando por uma só grafia no mesmo texto ou documento.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Lusofonia é...

... descobrir, via Twitter, que a aplicação do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa para iPhone contribui desta forma para um melhor conhecimento da língua portuguesa:


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Num Windows perto de si



A partir de hoje, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa conta com mais uma aplicação, a juntar à sua lista de suplementos e à edição em ebook para o Kindle.

Trata-se de uma aplicação para Microsoft Windows que permite a consulta do Dicionário Priberam sem necessidade de ligação à Internet, possibilitando o uso da ortografia com ou sem o Acordo Ortográfico de 1990 e a selecção entre a variedade de português de Portugal ou do Brasil. Mais informações, aqui.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Herrar é umano, mas é pouco profissional


De acordo com o Ponto Media, blogue dedicado ao tema do jornalismo, em particular nos meios digitais, um estudo recente revela que os leitores de jornais não reagem muito bem a casos como este.

A baixa tolerância de muitos leitores a inconsistências, gralhas e erros ortográficos e gramaticais reflecte-se nos comentários e críticas rapidamente disponíveis online. Por essa razão, justifica-se uma maior atenção ao trabalho de edição e revisão por parte dos jornais.

Em Portugal, as publicações Expresso, Visão, Jornal de Letras, Público, A Bola, Record, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Jornal i e Diário da República, entre outras, contam com a tecnologia FLiP, o pacote de ferramentas linguísticas da Priberam, para ajudar na tarefa de revisão e correcção de texto. No Brasil, o mesmo sucede com os jornais O Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo.

O FLiP permite a correcção ortográfica, sintáctica e estilística na variedade europeia e na variedade brasileira do português, com ou sem o Acordo Ortográfico de 1990. Encontra-se integrado em dezenas de aplicações, entre as quais se contam os sistemas utilizados nas redacções dos jornais acima referidos.

Seja qual for a opção, quem quer escrever bem usa o FLiP, porque “herrar” pode ser “umano”, mas não é profissional.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Lusofonia é...

... o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP) ter passado a permitir quatro opções de consulta em termos da ortografia: português europeu e português do Brasil, antes e depois do Acordo Ortográfico de 1990.

A nova versão do DPLP já está disponível online. O trabalho de adaptação do conteúdo, do software e da interface do DPLP permite agora a consulta numa das duas normas, além de se manter a possibilidade de visualizar o conteúdo na grafia pré ou pós-Acordo Ortográfico:

Para escolher uma das variedades do português, o utilizador só tem de clicar no ícone da bandeira portuguesa ou da bandeira brasileira. Todo o conteúdo dos verbetes reflectirá a grafia da opção seleccionada.

Foram ainda introduzidas outras melhorias, entre as quais botões para partilhar as palavras nas redes sociais Facebook, Google+1 e Twitter que, mesmo antes de serem divulgados, já estavam a ser largamente utilizados.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Lisbon Machine Learning School

Realiza-se no Instituto Superior Técnico, de 20 a 25 de Julho, a primeira Lisbon Machine Learning School, de que a Priberam é um dos patrocinadores. Vamos contar com a presença de vários oradores que são investigadores de topo na área de Linguística Computacional. O número de inscritos ultrapassou todas as expectativas: perto de 150!




É já para a semana!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Não há santo que valha



Mas parece não haver santo que valha ao top 10 das palavras pesquisadas e não encontradas na página online do dicionário. A razão é óbvia, embora em alguns casos possa não saltar logo à vista: são erros, senhor, são erros.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Rock in Law 2011 - não à crise

Com efeito, a crise não chegou ao Rock In Law! Foram publicados os resultados e os números que se seguem não podiam ser mais esclarecedores:

- Presença de 2300 pessoas: 40% acima do número de participantes no Rock in Law 2010;
- Angariação de fundos: o evento angariou 98 402€, sendo que, deduzindo os respectivos custos, vai ser possível contribuir com 73 103€ para a criação da nova Casa dos Rapazes e para a melhoria das instalações da APPDA –Lisboa;
- Todos os patrocinadores que se associaram ao evento contribuíram em muito para este sucesso, donde destaco a participação da Priberam pelo terceiro ano consecutivo.

Está, pois, bem demonstrado que em tempos difíceis a união por causas sociais faz ainda mais sentido. Se pudermos contar com a "música dos advogados", tanto melhor!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Agenda: Festa Literária Internacional de Paraty 2011

Para quem não sabe, o FLiP não é a Flip. Confuso?

O FLiP, pacote de ferramentas linguísticas da Priberam para auxiliar na escrita em língua portuguesa, não está sozinho no mundo dos acrónimos. Do outro lado do Atlântico chega-nos a Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, no estado do Rio de Janeiro.

A 9.ª edição da Flip, que tem hoje início e que decorre até 10 de Julho, conta com a participação de vários autores nacionais e internacionais e tem na agenda conferências, exposições, oficinas, exibições de filmes e outros eventos, sem descurar a programação destinada aos mais jovens. Mais informações, aqui.






Priberamt
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