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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Agenda: II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial


A Priberam é um dos patrocinadores da II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, que se realiza na reitoria da Universidade de Lisboa, nos próximos dias 29 e 30 de Outubro.

Subordinado ao tema “Língua Portuguesa Global – Internacionalização, Ciência e Inovação”, o evento irá debruçar-se sobre a afirmação do português em organismos internacionais, na divulgação científica e na comunicação digital.

Trata-se de uma iniciativa do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em parceria com o Instituto Camões, a CPLP e algumas universidades portuguesas, que irá reunir académicos e responsáveis políticos para debater e avaliar a aplicação do plano aprovado na conferência anterior, realizada no Brasil em 2010.

Para mais informações, consultar o programa disponível aqui.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dicionários nos Cadernos de Lanzarote

Imagem retirada do filme José e Pilar (2010), de Miguel Gonçalves Mendes.

A propósito da celebração dos 15 anos da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago, relembramos aqui duas passagens dos Cadernos de Lanzarote em que o autor fala sobre dicionários: 

“Não me lembro, desde que ando neste ofício, de ter dado tanto uso aos dicionários. E não é porque as dúvidas, agora, sejam mais frequentes ou mais incómodas que antes: o que sucede é que se vem tornando exigentíssima a necessidade de estar perto das minhas palavras.”
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário III, Lisboa: Círculo de Leitores, 1998, pp. 32-33. 


“É justa a alegria dos lexicólogos e dos editores quando, ao som dos tambores e das trombetas da publicidade, aparecem a anunciar-nos a entrada de uns quantos milhares de palavras novas nos seus dicionários. Com o andar do tempo, a língua foi perdendo e ganhando, tornou-se, em cada dia que passou, simultaneamente mais rica e mais pobre: as palavras velhas, cansadas, fora de uso, resistiram mal à agitação frenética das palavras recém-chegadas, e acabaram por cair numa espécie de limbo onde ficam à espera da morte definitiva ou, na melhor hipótese, do toque da varinha mágica de um erudito obsessivo ou de um curioso ocasional, que lhe darão ainda um lampejo breve de vida, um suplemento de precária existência, uma derradeira esperança. O dicionário, imagem ordenada do mundo, constrói-se e desenvolve-se sobre palavras que viveram uma vida plena, que depois envelheceram e definharam, primeiro geradas, depois geradoras, como o foram os homens e as mulheres que as fizeram e de que iriam ser, por sua vez, e ao mesmo tempo, senhores e servos.”
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário V, 4.ª ed., Lisboa: Caminho, 1998, p. 35.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Agenda: “Língua Portuguesa, Sociedade Civil e CPLP”



Realiza-se no próximo dia 11 de Outubro, na Universidade do Algarve, a conferência “Língua Portuguesa, Sociedade Civil e CPLP”. 

O evento, organizado pela Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa da CPLP, propõe-se discutir o papel das sociedades civis na promoção, divulgação e projecção da língua portuguesa.

Para mais informações, consultar o programa disponível aqui.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Aniversário Priberam: 24 anos



Hoje a Priberam comemora o seu 24.º aniversário!

Em mais um ano de trabalho, entre outras actividades, a Priberam reformulou alguns dos seus produtos e serviços para facilitar o acesso por meio de dispositivos móveis, como o LegiX para iPad ou o novo site do Dicionário Priberam para tablets e smartphones.

No campo da investigação em aprendizagem automática e processamento da língua natural, a Priberam viu o trabalho de um dos seus investigadores ser recompensado com o Prémio Científico IBM, patrocinou mais uma Lisbon Machine Learning School, organizou mais uma temporada de Priberam Machine Learning Seminars e aumentou a equipa de investigadores.

Por fim, a Priberam teve o seu "momento aha" e ultrapassou os 89 000 fãs no Facebook!

Venham daí essas prolfaças! Prolfaças para nós mas também para todos aqueles (clientes, parceiros, admiradores) que nos têm acompanhado e que, com os seus comentários, sugestões ou críticas, têm contribuído para a actualização e melhoramento dos nossos produtos e serviços.

Nova versão online do Dicionário Priberam

Já está disponível a nova versão do site do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Com um visual mais moderno e desafogado para facilitar a leitura e a compreensão do dicionário, inclui também informação adicional como, por exemplo, a visualização de anagramas, palavras relacionadas ou divisão silábica. 

Ao visual renovado alia-se a compatibilidade com dispositivos móveis, como tablets e smartphones, sobretudo porque tem vindo a registar-se um aumento claro da procura a partir desses dispositivos.

Dado que a maioria das consultas é feita de fora de Portugal, o dicionário foi também optimizado para corresponder melhor a esta sua vocação global, recorrendo a servidores localizados em diferentes países por forma a melhorar a velocidade de carregamento das páginas. 

A Priberam agradece o envio de críticas ou sugestões para dicionario@priberam.pt

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)

Prestamos homenagem ao escritor português Urbano Tavares Rodrigues, falecido hoje em Lisboa:


“– E que sentido tem a nossa vida?, que responsabilidade não será amanhã a nossa se ficarmos quietinhos a assistir ao descalabro, nesta grande prisão de gente bem comportada, que é, ao mesmo tempo, o palco de uma peça de Ionesco, onde se tomam a sério as maiores imbecilidades e o bem se confunde a todo o momento com a injustiça, com a hipocrisia?!”

Urbano Tavares Rodrigues, Terra Ocupada, Livraria Bertrand, 1964

terça-feira, 23 de julho de 2013

Lisbon Machine Learning School 2013


Amanhã tem início a terceira edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), escola de Verão intensiva que inclui aulas, laboratórios e palestras sobre aprendizagem automática.

A LxMLS 2013 conta com o patrocínio da Priberam e decorre até 31 de Julho, no Instituto Superior Técnico.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

FLiP 9


Aí está o novo FLiP, jovem e fresco, a celebrar 18 anos!

Na sua nona versão, o FLiP, pacote de ferramentas linguísticas da Priberam, destaca-se pela compatibilidade com o Windows 8 e o Microsoft Office 2013 / 365, pela versão redesenhada do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e por melhorias ao nível da hifenização e da correcção ortográfica e sintáctica.

Tal como já acontecia nas versões anteriores, o uso da grafia segundo o novo Acordo Ortográfico é opcional e são contempladas as variedades da língua portuguesa de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. 

O FLiP 9 está disponível para download e em CD a partir do dia 25 deste mês, pelo preço de 69,99 € (IVA incluído). Para quem tem o FLiP 6, o FLiP 7 ou o FLiP 8, está disponível, apenas por download, a versão de actualização pelo preço de € 48,99 (IVA incluído).

Para mais informações, consulte www.flip.pt.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O dicionário é mesmo irrevogável

Nos últimos dias, a vida política portuguesa tem estado buliçosa, com demissões e comunicados repentinos. Cientes desses factos, alguns consulentes do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, munidos de boas intenções e de verve, acharam que o dicionário devia ajustar-se à actualidade (via Twitter):


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Abrir um dicionário

Quem acompanha a Priberam sabe que a “Palavra do dia” é uma palavra que surge destacada na página do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP), sendo também publicitada diariamente no Facebook e no Twitter. As palavras do dia são, geralmente, palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, às quais se procura dar algum destaque, nem que seja por um dia.

Como em qualquer dicionário de língua, porém, no DPLP também existem “palavras-defuntas”, aquelas que estão “ali paradinhas, quietas, mudas (no sentido literal e metafórico) porque não falam, ninguém fala por elas e ninguém as fala”. Quem assim as define é o escritor Gonçalo M. Tavares que, no texto que se transcreve abaixo, disserta sobre o papel dos dicionários:

«Uma palavra que durante décadas não seja utilizada na rua ou nos livros e permaneça apenas no dicionário tem um destino à vista: ser palavra-defunta. O dicionário pode ser visto, assim, como uma antecâmara da morte. Como se algumas palavras estivessem ali paradinhas, quietas, mudas (no sentido literal e metafórico) porque não falam, ninguém fala por elas e ninguém as fala – com se estivessem, então, ali em fila, em linha, à espera do seu próprio velório.
     Ou podemos então mudar radicalmente de ponto de vista: o dicionário, com os seus milhares e milhares de palavras, pode ser entendido como um depósito contra o esquecimento, um enorme arquivo. Eis, pois, um outro nome possível para o dicionário: instrumento para evitar o esquecimento.
   Imaginemos, por absurdo, que os dicionários desapareciam. Que uma qualquer ordem política determinava a sua destruição. Pois bem, seria uma matança. Em poucas décadas morreriam palavras como tordos. E se, no limite, não existisse qualquer livro, e ficássemos apenas […] com a linguagem das conversas rápidas, então o vocabulário ficaria reduzido ao mais essencial e mínimo: sim, não, comida, bebida, etc. Poderíamos assim, com a linguagem, expressar as necessidades do organismo mas certamente não as do espírito.
     Abrir o dicionário, pois, como ato de resistência e salvação: não vou ficar só com as palavras que ouço ou leio nos livros comuns – eis o que se poderia dizer. Abrimos ao acaso na página 310, e depois na página 315, sempre com a firme determinação de salvar duas ou três palavras de cada página. Como aquele que salva quem se está a afogar. E não é por acaso, aliás, que muitas das mitologias remetem o esquecimento para a imagem do rio. Uma água onde as coisas se afundam, deixam de ser vistas à superfície, desaparecem da vista. A passagem do rio utilizada também como metáfora do tempo que passa e leva e afunda as coisas que ainda há momentos estavam à nossa frente, bem vivas. Salvar palavras da água que engole e faz esquecer as coisas, eis o que é, em parte, abrir um dicionário.
     Dotados, então, de um espírito de nadador-salvador, abrimos ao acaso o dicionário e trazemos palavras mais ou menos raras – umas que já nadam há muito debaixo de água, com dificuldades, outras, mais resistentes, mais visíveis, mas ainda estimulantes (e algumas bem conhecidas dos nossos clássicos).
     Passemos pela letra M. Ao acaso e rapidamente.
     Morato – adjetivo que significa bem organizado.
     Maçaruco – (regionalismo) indivíduo mal trajado.
     Manajeiro – aquele que dirige o trabalho das ceifas ou outros.
     Metuendo – que mete medo; terrível; medonho.
     E tropeçamos depois em palavras de significado popular e óbvio, mas bem divertido:
     Mata-sãos: médico incompetente; curandeiro.
     Eis, pois, a partir daqui, uma frase possível que quase poderíamos introduzir numa conversa de café (uma frase em letra M):
     - O manajeiro metuendo, maçaruco, aproximou-se do morato espaço do mata-sãos e disse: por favor, aqui não, vá curar mais além.»

Gonçalo M. Tavares, Visão, 22 de Setembro de 2011






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