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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Números e palavras de 2020

Dados gerais
Em 2020, ano de confinamento, de quarentena, de teletrabalho e de telescola devido à pandemia da covid-19, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP) registou um aumento muito significativo de pesquisas, subindo para 45 milhões o número de utilizadores (mais 7 milhões do que no ano anterior), os quais geraram 261 milhões de pesquisas, quase o dobro das pesquisas registadas em 2019.

Talvez por essa razão, 2020 foi também o ano em que o site do Dicionário Priberam passou a integrar, desde Maio, o ranking auditado netAudience, um sistema de classificação que mede a audiência da Internet e que regista os 20 sites portugueses mais visitados em cada mês.

No balanço geográfico, destacam-se, por país, Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e EUA, com a liderança por cidade a pertencer a Lisboa, Porto, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

No que diz respeito ao trabalho de actualização do DPLP, o ano transacto foi bastante produtivo, já que foram redigidos mais de 2200 novos verbetes, criadas perto de 6000 novas acepções e adicionados quase 9000 sinónimos e cerca de 2000 antónimos.


Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, mitigação, que se destacou logo no primeiro trimestre de 2020, permaneceu no topo das pesquisas o tempo suficiente para se tornar a palavra mais pesquisada do ano. No Brasil, a palavra mais pesquisada em 2020 foi relicário (alvíssaras a quem nos ajudar a perceber porquê!). No cômputo geral, a palavra mais pesquisada de 2020 no DPLP foi também mitigação, tal foi o desejo de ver mitigada a pandemia.

Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2020

Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram resolução (Angola), jus (Cabo Verde), antecessor (Guiné-Bissau), juro (Moçambique), masoquista (São Tomé e Príncipe) e despesas (Timor-Leste).


Volta ao mundo
Há várias maneiras de caracterizar o ano de 2020. Vejamos algumas, a partir das muitas pesquisas no DPLP feitas por consulentes de diversas proveniências, que confirmam que nenhuma parte do mundo escapou ao tema da covid-19.

Pode descrever-se 2020 como um ano austero (França), cinzento (México), desarmante (Roménia), horripilante (Ucrânia), instável (Costa Rica), lúgubre (Paraguai), taciturno (Gibraltar), tempestuoso (Hong Kong terá tido outras razões além da covid-19 para esta busca) ou até tumultuário (Chipre), mas sabe melhor descrevê-lo como quilhado (Alemanha), chanfrado, marado, sacana ou mesmo cabrão (a Roménia entusiasmou-se...). Isto porque 2020 foi o ano do coronavírus, ou melhor, do dito-cujo (Hungria), mas também um ano do capeta (São Tomé e Príncipe) ou do chifrudo (Chile)!

Para alguns, 2020 foi uma hecatombe (Cabo Verde, Roménia), um cataclismo (São Tomé e Príncipe), uma catástrofe (Timor-Leste), um flagelo ou um pandemónio (Guiné-Bissau), uma intempérie (Macau), um caos (Países Baixos), uma praga (Hungria e Itália), um drama (Suriname), um fardo (Itália) ou até uma chatice (Emirados Árabes Unidos), um perrengue (Argentina, Equador, Nova Zelândia, Uruguai).

Para outros, 2020 foi um ano de desassossego e amargura (Ruanda), perda (Suíça), descontentamento (Timor-Leste), apreensão (China), condicionalismos (Paquistão), precauções (Coreia do Sul), estresse (Espanha) e até de neura (Austrália) ou chilique (Canadá, Irlanda).

Para outros ainda, 2020 foi um ano que, quase de certeza, fez alguém barafustar (Cabo Verde), atarantar-se (EUA), flipar (Roménia) ou tripar (Argélia). Foi também o ano em que, justificadamente, alguém se pode ter sentido anacoreta (Canadá, Emirados Árabes Unidos), eremita (Equador), chateado (Colômbia), jururu (Itália), carrancudo (Irlanda), piurso (Suíça) ou mesmo ao deus-dará (Espanha).

Face a este cenário de 2020, não admira que, na figura 1 acima, se destaque resiliência, (já nossa conhecida de balanços anteriores), como uma das palavras mais pesquisadas em Portugal e no cômputo geral. É provável que as razões que fizeram aumentar a procura por resiliência justifiquem também as buscas por bom senso (Brasil), calma (Camboja), estoicismo (Timor-Leste) ou por benevolência (Espanha), camaradagem (Japão), compaixão (Suécia), empatia e porto seguro (Brasil).

Por ter sido o ano que foi, é natural que 2020 também tenho feito disparar as buscas por colinho e amor (Paraguai), cafuné (Colômbia), aconchego (Espanha), xodó (Vietname) e, claro, saudade (Canadá, Colômbia, Espanha, Eslovénia, Nova Zelândia, Polónia).

O confinamento de 2020 teve várias consequências, uma das quais parece ter sido uma maior dedicação à arte da culinária. Isso reflectiu-se também nas buscas do DPLP que quase davam para abastecer uma secção de secos e molhados (Nova Zelândia). Optamos por destacar as pesquisas patê, esparguete, pimento, pastinaga, hambúrguer, picante e gasosa, pois com elas o Vietname quase compôs uma refeição (só faltou o cafezinho, mas, dessa busca, encarregou-se a República Checa). Como as buscas por pratos culinários, alimentos, ervas e temperos, sobremesas e bebidas foram tantas e tão variadas, é natural encontrar também buscas por empanturrado (Marrocos, Suécia), gastura (Paraguai) ou apepsia (Nepal). 

Outra consequência do confinamento parecer ter sido o interesse por aquelas coisas que ficaram mais difíceis de fazer em 2020, como ramboiada (Eslováquia), moina, vida airada (Luxemburgo) ou até bilhardar (Luxemburgo) e mujimbar (Chile).

Compreensivelmente, e por tudo o que se disse acima, 2020 foi um ano digno de inúmeras interjeições, como caraças (Espanha e Suíça), carago (Sri Lanca), meleca (Itália), lagarto, lagarto (Alemanha), vade-retro (Israel), poça (França) ou até porra (Hungria), para não mencionar outras duas mais cabeludas (não é, Bolívia, Finlândia, França, Hungria e Suíça?).

Aproveitando a nota mais informal acima, não podemos deixar de referir aquelas buscas mais informais, brejeiras ou safadas a que estes balanços já nos habituaram, como agarramento, paquera (Áustria), apalpão (Austrália), sarro (Colômbia); anilha (Polónia), bujão (Andorra), cu (Brasil), traseiro (Chipre); grelinho (Chile), lasca (Dinamarca), pachacha (Finlândia), pepeca (Chile, Uruguai), xenhenhém (Costa Rica), xoxota (Índia); minete (Luxemburgo), siririca (Costa Rica); pica (Bermudas); felácio (Áustria), broche (Guatemala, Irlanda, Luxemburgo), bronha (Emirados Árabes Unidos), boquete (Canadá), boqueteiro (Irlanda), brochista (Roménia); tesão (Chile), tusa (Coreia do Sul), tesudo (Suíça, Uruguai); broxar (Canadá), curtir (Ucrânia), transar (Bangladeche, São Tomé e Príncipe), ménage (Brasil) ou swing (Tailândia).

Para nos redimirmos do parágrafo anterior, terminamos numa nota mais erudita, com o levantamento de pesquisas por latinismos, que se distribuíram pelos domínios académico, como numerus clausus (Angola) e data maxima venia (Brasil), jurídico, como res judicata pro veritate habetur (Angola), habeas corpus (Chile), ipso jure (Cuba) ou post factum (Japão), filosófico, como ad augusta per angusta e sapiens nihil affirmat quod non probet (Brasil), est modus in rebus (EUA), fas est et ab hoste doceri (Hungria), ubi veritas e audentes fortuna juvat (Luxemburgo), exegi monumentum aere perennius (Polónia), aut caesar, aut nihil (Timor-Leste) ou plurima mortis imago (Venezuela), a par de buscas mais gerais, como ab hoc et ab hac (Hungria) in extremis (Moçambique), ipsis verbis e ad vitam aeternam (Países Baixos), alea jacta est (Paraguai), fama volat (Sri Lanca) ou semper et ubique (Suíça). 


O ano de 2020 em palavras
No ano em que covid-19 passou a fazer parte do vocabulário de todos, a Priberam voltou a associar-se à agência de notícias Lusa para ilustrar algumas das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam em 2020.

No site O Ano em Palavras, é possível visualizar, cronologicamente, algumas das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam relativas à actualidade nacional e internacional de 2020, bem como as notícias e fotos dos eventos que originaram essas pesquisas e que marcaram o ano a nível político, económico, cultural e social.

Entre as mais de duas centenas de palavras que, devido ao elevado número de pesquisas diárias, ganharam destaque na nuvem do dicionário ao longo do ano e foram recolhidas para posterior selecção pelos editores da Lusa, é inevitável encontrar muitas que se referem directamente à covid-19, como assintomático, confinamento, coronavírus, pandemia (a mais pesquisada de todas), quarentena ou zaragatoa:

Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem alguns dos principais acontecimentos de 2020


Com este retrato de 2020 terminamos o balanço do ano no DPLP. A todos os consulentes, resta-nos agradecer terem estado desse lado e desejar buscas mais felizes em 2021.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Lexicografia criativa (5)

Nem no período das férias os consulentes tiram férias do Dicionário Priberam

Carlos Pereira é um auto-intitulado “estafeta do humor”, que entrega piadas em forma de texto, vídeo, áudio e, intitula agora a Priberam, de definição lexicográfica, como se pode ver pela descrição do seu Varandim no YouTube:

As três primeiras definições do varandim acima são, ipsis litteris, do Priberam, mas a última é, claramente, um saudável devaneio lexicográfico.


terça-feira, 21 de julho de 2020

Lisbon Machine Learning School 2020



Está aberta a 10.ª edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), a escola de Verão sobre aprendizagem automática. Este ano, devido a condicionamentos decorrentes da COVID-19, a escola é virtual e pode ser acompanhada online em live streaming.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

quarta-feira, 8 de abril de 2020

"Palavra do dia" faz 11 anos



Passaram onze anos desde que, em Abril de 2009, o Dicionário Priberam começou a divulgar a palavra do dia na sua página online e nas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram). São onze anos de partilha diária, o que se traduz em mais de 4000 termos partilhados, termos maioritariamente raros, curiosos, pouco usados ou caídos no esquecimento das páginas dos dicionários e que a equipa de linguistas da Priberam resolveu destacar por um dia. 

A moda da palavra do dia do Dicionário Priberam pegou e agora é vê-la divulgada até nas ondas hertzianas. Em 2019, a Rádio Morabeza, de Cabo Verde, foi a primeira a estabelecer uma parceria com a Priberam para a divulgação da palavra do dia, no programa informativo “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00). Recentemente, foi a vez do programa “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer, passar a divulgar a palavra do dia na sua página de Facebook.

Nestes dias de isolamento social e de confinamento forçado, há palavras que nos confortam e que precisamos de ler, dizer e ouvir mais. Fazemos uma pausa nas palavras obscuras, esquisitas ou pouco conhecidas, inspiramos fundo, até porque dum spiro spero, e, em tempos difíceis, escolhemos jovialidade como palavra do dia de hoje e como mote para as próximas partilhas diárias.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

11.º aniversário do Dicionário Priberam

Nas celebrações do 11.º aniversário do Dicionário Priberam, vemo-nos confinados em casa devido à pandemia da COVID-19, mas nem por isso deixamos de assinalar a data. O Priberam está um ano mais velho, mas continua a ser instrumento precioso para compreender a actualidade.

Numa altura de quarentena, o que procuram os consulentes do Dicionário Priberam? Em Portugal, em meados do mês passado, a revista Exame Informática fez a mesma pergunta e fez um gráfico com as principais pesquisas relacionadas com o coronavírus:


Os números de acesso no primeiro trimestre de 2020 confirmam que os consulentes de Portugal se viraram para o dicionário para perceber a crise provocada pela COVID-19, mas não foram os únicos. De acordo com o Google Analytics, relativamente ao trimestre homólogo de 2019, houve um aumento de mais 17 milhões de consultas ao Dicionário Priberam em Portugal, mais de 5 milhões de consultas no Brasil e mais de 26 milhões de consultas em todo o mundo!

A nuvem do Dicionário Priberam, actualizada em tempo real, é um bom indicador das buscas dos consulentes, pois reflecte as palavras mais pesquisadas por dia. Neste momento tem este aspecto:


Se já o era anteriormente, agora mais do que nunca é caso para dizer, como fez um utilizador do Twitter, que:


O Dicionário Priberam acompanha o confinamento. Confinem com o Dicionário Priberam, nem que seja pelos mesmos motivos deste outro utilizador do Twitter:


terça-feira, 31 de março de 2020

Priberam Machine Learning Lunch Seminars (11.ª série)



A 11.ª temporada dos seminários de aprendizagem automática com almoço grátis patrocinados pela Priberam teve início no dia 18 do mês passado.

Por norma, os seminários decorrem quinzenalmente às terças-feiras, das 13h às 14h, no campus da Alameda do Instituto Superior Técnico, mas, em tempo de COVID-19, os seminários irão ocorrer remotamente, por videoconferência (via Zoom), com a mesma periodicidade.

Contrariamente ao que é habitual, os almoços não serão fornecidos, mas fique à vontade para trazer o seu e almoçar ao mesmo tempo que assiste ao seminário!

Os interessados podem inscrever-se aqui ou obter mais informação aqui.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Números e palavras de 2019

Dados gerais
No ano em que comemorou o seu 10.º aniversário, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP) contabilizou mais de 38 milhões de utilizadores e ultrapassou a barreira dos 136 milhões de consultas (mais quatro milhões do que no ano anterior).

No que diz respeito ao trabalho de actualização e de revisão do DPLP, em 2019 foram redigidos cerca de 900 verbetes novos, criadas mais de 2600 acepções em falta e revistos mais de 5500 verbetes.


Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, 2019 foi ano de pesquisar por inerente; no Brasil, foi ano de fazer buscas por nuance. No cômputo geral, a palavra mais pesquisada do ano no DPLP foi pragmático.

Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2019

Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram disseminação (Angola), incidental (Cabo Verde), fenómeno (Guiné-Bissau), separação (Moçambique), pontada (São Tomé e Príncipe) e lar (Timor-Leste).


Volta ao mundo
Analisando palavras e expressões pesquisadas por utilizadores de outros países, deparamo-nos com várias curiosidades, algumas das quais apontadas abaixo.

Na figura 1 acima, destaca-se a presença de vagabunda, termo ofensivo que foi a segunda palavra mais pesquisada no Brasil em 2019. Curiosamente, na Suécia, vagabundo foi o termo mais pesquisado no mesmo período. Mas o Brasil e a Suécia não foram os únicos países a procurar por termos clara ou potencialmente ofensivos, como o comprovam as buscas por coninhas (Colômbia, Jordânia, Luxemburgo e Suíça), nhurro (EUA), chungaria (Holanda), songamonga (Líbano), totó (Luxemburgo), bruaca (Macau), burgesso (Malta), cabrão (Maurícia), cagão (Noruega), bunda-mole (Panamá), matumbo (Rússia), jagodes (Senegal) ou javardo (Suíça).

No registo informal, destacam-se termos e expressões das variedades de língua portuguesa, como candonga (Azerbaijão), fornicoques (Bélgica), caolho (Chile), porreiro (Costa do Marfim), lero-lero (Israel), micar (Itália), azucrinar (Emirados Árabes Unidos), calmeirão (Finlândia e Tailândia), chibaria (França, Holanda, Reino Unido e Tailândia devem ter tido espectadores atentos à letra da canção portuguesa no Festival da Eurovisão), galar (França), janado (Holanda), chilique (Hungria), chiça (Iraque), caraças (Itália, Trindade e Tobago), xaropada (Japão), bitaite (Letónia), manguito (Luxemburgo), pirete (Montenegro), descontra (Noruega), cangote (Paraguai), cacata (República Dominicana), bué (Roménia e Rússia), desenrascado (Ruanda), vai à nisga (Rússia), lacrar (Suécia), marimbar (Uruguai) ou praca (Vietname).

A par da linguagem informal, também saltam à vista as buscas relacionadas com determinadas partes do corpo e funções ou acções a elas associadas, como bunda (Costa Rica), catota (Filipinas), bronha (Finlândia), bucaque (Honduras, Roménia e Suíça), xibio (Índia), arriar o calhau (Islândia), berlaitada (Luxemburgo), piroca (Noruega), tesudo (Nova Zelândia), tesão (Rússia), encoxamento (a Turquia, que já em 2018 tinha pesquisado por encoxada, continua a pesquisar sobre o tema) ou senisga (Ucrânia).

Assim de repente, o que têm em comum África do Sul, Camboja e Austrália? É que as suas buscas por galão (África do Sul), papo-seco, carcaça (Camboja) e paio (Austrália) davam para fazer um lanchinho bem português. Outras buscas por comidas, bebidas e alimentos associados à cultura lusófona incluem chila (Espanha), semilhas (ilha de Guernesey), abatanado (ilha de Jersey e Holanda), pimpinela (Hungria), moqueca (Itália), manjua (Letónia), alcagoitas e cimbalino (Luxemburgo), febra (Macau), bagaceira (Paraguai), cocada e bica (Polónia), rabanada (Suíça), barriga-de-freira (Ucrânia) ou chuchu (Vietname). É só petiscar (República Checa) ou enfardar (Reino Unido), conforme o apetite e a vontade de jiboiar (Taiwan).

A procura por africanismos, de que também são exemplos cacatacandonga e matumbo acima, reflecte-se ainda em buscas por morabeza (Cabo Verde e Porto Rico), candando (Guiné-Bissau), sim-sim (Hungria), changana e macua (Moçambique), morna (Peru) ou liamba (Senegal).

Já as pesquisas por latinismos revelam o predomínio de expressões latinas mais filosóficas como non ignara mali, miseris succurrere disco e parcere subjectis et debellare superbo (Austrália), homo homini lupus (Finlândia), pereat mundus, fiat justitia (Índia), facilis est descensus averni e quos jupiter vult perdere dementat prius (Rússia) para além das do domínio histórico, como austriae est imperare orbi universo (Peru) ou ab urbe condita (São Tomé e Príncipe). 


O ano de 2019 em palavras
Pelo terceiro ano consecutivo em parceria com a agência de notícias Lusa, a Priberam dá a conhecer, no site O Ano em Palavras, as 24 palavras mais pesquisadas no dicionário relativas a eventos que marcaram o ano a nível político, económico, cultural e social. 

Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem acontecimentos de 2019

O site está estruturado com as palavras apresentadas cronologicamente, de Janeiro a Dezembro, duas por cada mês e, para cada palavra, é possível aceder ao seu significado, bem como ao artigo e à foto da Lusa sobre o evento que motivou as pesquisas no Dicionário Priberam.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen

Fotografias de Eduardo Gageiro (1964).

Comemora-se hoje o centenário do nascimento da escritora e poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004).

A programação da celebração do Centenário de Sophia inclui concertos, leituras, exposições, conferências, teatro e dança.

Nós celebramos com dois poemas da autora sobre a escrita:

«A Escrita

No Palácio Mocenigo onde viveu sozinho
Lord Byron usava as grandes salas
Para ver a solidão espelho por espelho
E a beleza das portas quando ninguém passava

Escutava os rumores marinhos do silêncio
E o eco perdido de passos num corredor longínquo
Amava o liso brilhar do chão polido
E os tectos altos onde se enrolam as sombras
E embora se sentasse numa só cadeira
Gostava de olhar vazias as cadeiras

Sem dúvida ninguém precisa de tanto espaço vital
Mas a escrita exige solidões e desertos

E coisas que se vêem como quem vê outra coisa

Podemos imaginá-lo sentado à sua mesa
Imaginar o alto pescoço espesso
A camisa aberta e branca
O branco do papel as aranhas da escrita
E a luz da vela – como em certos quadros –
Tornando tudo atento»
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética III, Lisboa: Caminho, 1990, pág. 328.


«Escrita II

Escreve numa sala grande e quase
Vazia
Não precisa de livro nem de arquivos
A sua arte é filha da memória
Diz o que viu
E o sol do que olhou para sempre o aclara»
Idem, Ibidem, Lisboa: Caminho, 1990, pág. 348.


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Lisbon Machine Learning School 2019


Tem início amanhã, e decorre até ao próximo dia 18, a 9.ª edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), escola de Verão intensiva sobre aprendizagem automática que conta com o patrocínio da Priberam e é organizada conjuntamente pelo Instituto Superior Técnico, pelo Instituto de Telecomunicações, pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento em Lisboa (INESC-ID), pela Unbabel, pela Feedzai e pelos Priberam Labs.





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