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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Lisbon Machine Learning School 2018



Termina amanhã a 8.ª edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), escola de Verão intensiva sobre aprendizagem automática que conta com o patrocínio da Priberam e é organizada conjuntamente pelo Instituto Superior Técnico, pelo Instituto de Telecomunicações, pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento em Lisboa, pela Unbabel e pelos Priberam Labs.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

M de mudança

O ano é 1813. A obra é a 2.ª edição do Diccionario da Lingua Portugueza, recompilado por António de Morais Silva, referência maior da lexicografia portuguesa1. O verbete consultado é mulher (pág. 327):
MULHÉR, s. f. Femea da especie humana. § Matrona, oposto a marido. § Mulher do mundo: meretriz. Eufr. I. 3. Mulher de partido; o mesmo. Costa, Terenc.2 

Avancemos um século, para 1913. A obra é a 2.ª edição do Novo Diccionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, outra referência da lexicografia portuguesa. O verbete consultado é novamente mulher (pág. 1342):
mulhér f. Pessôa do sexo feminino, depois da puberdade. Espôsa: minha mulhér está doente. Fam. Pessôa do sexo feminino, pertencente ás classes inferiores da sociedade: vão alli duas mulheres. Fig. Homem mulherengo. * Pop. Espécie de jôgo popular. (Do lat. mulier)

Avancemos outro século e um tantinho mais, para chegarmos a 2018. A obra é agora o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, dicionário online com mais de 33 milhões de utilizadores3. O verbete consultado continua a ser mulher, mas aconselha-se a sua visualização aqui, por ser bem mais extenso do que os dois acima. A presente versão resulta de uma iniciativa que, à luz do actual papel da mulher na sociedade, questionou o retrato redutor e pouco abonatório que dela é feito em alguns dicionários, incluindo o Dicionário Priberam pelas razões aqui expostas, desafiando os portugueses a contribuírem para a sua revisão.

Como se chegou até aqui? Um dicionário de língua regista o uso que dela é feito em determinada época e por determinado público. Ao percorrer rapidamente dois séculos de inúmeras transformações, verificamos que o mundo mudou, a sociedade mudou, o papel da mulher mudou e o do dicionário também, sendo por isso natural que o verbete mulher reflicta tais mudanças.

Em mais de 200 anos, o progresso e a necessidade de designar novos conceitos e realidades fizeram surgir termos e significados novos, na língua geral e nas mais diversas áreas, e os dicionários dão conta dessa evolução (ex.: astronauta, biodiversidade, caravanismo, digitalizar, esquizofrenia, futebol, genoma, helicóptero, internet, jazz, kickboxing, ludoteca, microfauna, nuclear, óvni, piza, radar, sida, televisão, uquelele, vitamina, wi-fi, xilitol, zoo, etc.).

A evolução implica também mudanças sociais e culturais e o papel da mulher é disso um exemplo: do acesso ao voto e à educação até à sua emancipação profissional e sexual, incluindo questões de identidade de género, muito mudou para a mulher, sobretudo nas últimas décadas. Veja-se o caso da feminização dos nomes de algumas profissões, decorrente do acesso da população feminina a tais cargos, que está na origem de termos como árbitra, bombeira, cirurgiã, embaixadora, mecânica, tatuadora, vice-ministra, etc. Note-se, ainda, a adequação de género gramatical em casos como presidente, chefe, dentista, jornalista ou terapeuta, vocábulos em tempos dicionarizados apenas como substantivos masculinos, e agora como substantivos de dois géneros (ex.: a presidente, o presidente), porque eram desempenhados maioritariamente por pessoas do sexo masculino. A mulher deixou de ser fêmea, esposa ou meretriz no dicionário? Não, mas os dicionários descrevem hoje o que ela é para além dessa visão, combatendo assim a perpetuação de estereótipos.

Em mais de 200 anos, mudou também o formato do dicionário e o seu papel. Numa altura em que a ideia de mudança linguística era por vezes sinónimo de instabilidade, ou mesmo de corrupção, os dicionários impressos do século XIX assumiram um papel normativo, de autoridade, e estabilizaram um pouco a língua. As suas fontes centravam-se em obras literárias (de que são exemplo Eufrosina e Terencio, no verbete mulher de 1813, acima), através das quais se aferia o bom uso de determinado termo ou expressão. É a visão do dicionário como guia do uso correcto da língua4.

Na segunda metade do século passado, porém, esse papel começou a mudar e o paradigma normativo deu lugar a novos modelos de dicionário, mais orientados para o utilizador e para a descrição do uso real da língua5. O desenvolvimento tecnológico e computacional acelerou essa revolução lexicográfica, pois permitiu criar e gerir bases de dados de dicionários, bem como compilar e analisar largas quantidades de informação, dos mais variados domínios e registos de língua, que atestam o seu uso efectivo. O dicionário foi perdendo o estatuto de texto prescritivo, assumindo uma abordagem descritiva na selecção das palavras e na forma como as define. Por fim, quando o suporte físico do papel dá lugar ao suporte electrónico e digital, a informação contida em volumes impressos, pesados e ao alcance de apenas alguns, passa a estar rapidamente acessível através de um toque de dedos e disponível para todos.

O Dicionário Priberam chega ao grande público em plena era digital, como obra online e de acesso gratuito. Sem os condicionamentos de espaço típicos dos dicionários em papel, o Priberam constitui-se uma plataforma lexicográfica inovadora que, para além do conteúdo habitual de um dicionário, facilita a busca, permite pesquisas nas definições, apresenta informação relacionada, como conjugação, parónimos, palavras parecidas e relacionadas, dúvidas linguísticas, propostas de tradução e até evidência do uso real, contextualizado e autêntico da palavra pesquisada em blogues e no Twitter. O dicionário é agora uma ferramenta de consulta, mais próxima do utilizador, com quem permite interacção, e mais dinâmica. O dicionário não ignora o desenvolvimento recente de novos usos linguísticos reveladores de atitudes e realidades contemporâneas. Veja-se o exemplo de casal ou casamento, termos que já não se definem exclusivamente em relação a elementos de sexos diferentes.

O papel do dicionário, como o entendemos, é registar, de forma controlada, os usos da língua e o seu dinamismo. Por essa razão, no Dicionário Priberam haverá sempre espaço para melhoramentos, sugestões de inclusão, de correcção ou comentários que possam beneficiar o seu conteúdo. Os mesmos podem ser enviados para o endereço do costume: dicionario@priberam.pt. Estamos no entanto conscientes de que, por mais palavras e sentidos que um dicionário registe, nenhum dicionário regista todos os vocábulos e sentidos de uma língua e o Dicionário Priberam não é excepção. A língua é uma entidade viva que não se contém nas páginas de um dicionário e a sua mudança é inevitável:

«It is a great pity that language cannot be the exact, finely attuned instrument that deep thinkers wish it to be. But the facts are, as we have seen, that the meaning of practically any word is susceptible to change of one sort or another, and some words have so many individual meanings that we cannot really hope to be absolutely certain of the sum of these meanings.»6

Terminamos com duas perguntas: se avançarmos mais um século, qual será a definição de mulher em 2118? E que tipo de dicionários teremos daqui a cem anos?

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Notas:
2 Eufr. é abreviatura de Eufrosina, comédia de Jorge Ferreira de Vasconcelos (1616). Costa, Terenc. é abreviatura da obra As primeiras quatro comedias de Publio Terencio Africano, traduzida por Leonel da Costa (1788).
4 B. T. Atkins, Michael Rundell (2008), The Oxford Guide to Practical Lexicography, Oxford: O.U.P., pág. 2.
5 R. R. K. Hartmann, Gregory James (2002), Dictionary of Lexicography, London & New York: Routledge, pp. viii-ix.
6 Thomas Pyles, John Algeo (1993), The Origins and Development of the English Language, 4.ª ed., Fort Worth: Harcourt Brace Jovanovich College Publishers, pág. 256.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Priberam e FOXlife propõem revisão da palavra mulher no Dicionário Priberam


A Priberam, em parceria com a FOXlife Portugal, desafia os consulentes do Dicionário Priberam a participarem na revisão da palavra mulher, que, actualmente, é a seguinte:

 
"mulher", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2018, https://www.priberam.pt/dlpo/mulher [consultado em 03-05-2018].

Porquê mulher?

Porque apesar de o papel da mulher na sociedade actual ter sofrido alterações consideráveis do ponto de vista social, profissional e económico, a consulta das palavras mulher e homem ainda revela, em alguns dicionários, associações mais pejorativas no primeiro caso do que no segundo.

Atente-se, por exemplo, na lista de locuções atribuídas a mulher, na transcrição do Dicionário Priberam acima: mulher de partido e mulher pública referem-se apenas a usos de língua depreciativos, quando, na realidade, tais expressões, em resultado de mudanças sociais recentes, adquiriram outros usos que merecem estar contemplados no dicionário.

Veja-se, ainda, a secção “Palavras relacionadas”, funcionalidade que permite encontrar outras palavras do dicionário cujas definições têm alguma relação com a palavra consultada e às quais é possível aceder mediante um simples clique. No caso de mulher, a lista de relacionadas apresenta termos depreciativos, como lambisgóia ou marafona, enquanto a consulta de homem revela termos mais abonatórios como deus ou super-homem. Convenhamos, em qualquer comparação, a lambisgóia e a marafona saem sempre a perder para deus e o super-homem! Se até o algoritmo (cálculo automático) responsável pela apresentação de palavras relacionadas do Dicionário Priberam aparenta ser algo discriminatório ou sexista, porque não propor a revisão de mulher?

Apesar de um dicionário não poder, nem dever, filtrar a realidade à medida de quem o faz ou de quem o lê, branqueando usos preconceituosos ou pejorativos de determinadas palavras, sejam eles de género, raça, orientação sexual ou de qualquer outro tipo, pode e deve ser o mais neutro, abrangente e inclusivo possível. 

Conscientes da necessidade de melhorar o verbete mulher, a Priberam e a FOXlife criaram assim o movimento “A palavra mulher definida por nós”, desafiando os consulentes do Dicionário Priberam a contribuírem para uma definição menos sexista, mais abrangente, justa e enquadrada na sociedade actual.

Até 16 de Maio, os interessados poderão participar através do site www.palavramulher.pt, onde estarão reunidos e partilhados todos os contributos. No final, os linguistas da Priberam irão analisar as propostas que poderão contribuir para a revisão da palavra mulher, que ficará disponível a 22 de Maio. 


terça-feira, 10 de abril de 2018

9.º aniversário da “Palavra do dia”

A “palavra do dia” do Dicionário Priberam celebrou no passado domingo mais um aniversário.

Há nove anos que a Priberam coloca em destaque palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook, no Twitter e no Instagram da Priberam.

Palavras para quê? Para o Dicionário Priberam, as palavras são tudo.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Priberam Machine Learning Lunch Seminars (9.ª série)



A nona temporada de seminários de aprendizagem automática patrocinados pela Priberam, a decorrer quinzenalmente às terças-feiras, das 13h às 14h, no campus da Alameda do Instituto Superior Técnico, tem início no próximo dia 20 deste mês.

Os seminários são encontros informais que permitem a apresentação e a discussão de vários tópicos relacionados com a aprendizagem automática (machine learning, em inglês) e disponibilizam uma refeição grátis a todos os participantes inscritos.

Mais informação aqui (em inglês).

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Agenda: "Camões dá que falar" com Mia Couto

Em 2018, o Instituto Camões propõe-se promover em Lisboa o debate e a discussão de ideias através de um conjunto de conversas mensais informais denominadas “Camões dá que falar”, com personalidades de diferentes áreas.

O próximo orador é o escritor moçambicano Mia Couto e a conversa, subordinada ao tema Lusofonia: virtudes e equívocos, terá lugar já amanhã, dia 8, às 18h. A entrada é livre. Mais informações aqui.


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Números de 2017

Dados gerais
Com mais de 33 milhões de utilizadores, o acesso ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP) registou um aumento superior a 35% relativamente a 2016.

Geograficamente, o balanço é muito semelhante ao do ano anterior: Brasil, Portugal e Angola continuam no topo das pesquisas por país; Lisboa e São Paulo mantêm os lugares cimeiros nas buscas por cidades, com o Porto a ultrapassar o Rio de Janeiro e a ocupar agora o terceiro lugar que no ano passado pertencia à cidade carioca; a primeira cidade não pertencente a um país da CPLP é Madrid, seguida de Macau e de Londres.

O acesso ao Dicionário Priberam através de dispositivos móveis continua a crescer, representando já mais de 53% das buscas: o acesso a partir de smartphones subiu 74,41% e o acesso a partir de tablets subiu 8,66% face a 2016.


Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, 2017 foi novamente ano de resiliência; no Brasil, foi ano de idiossincrasia. Esta última foi também, no cômputo geral, a palavra mais pesquisada do ano.

Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2017

Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram: atópico, poilão e emérito (Angola); bizarro, malparado e astronauta (Cabo Verde); oratura, espanhol e idioma (Guiné-Bissau); descriminar, discriminar, embaixatriz (Guiné Equatorial); comparsa, conscientizar e projecto (Moçambique); neurose, psicose e ferretear (São Tomé e Príncipe); cavalaria, doutrina e novo (Timor-Leste).

Note-se, na figura 1 acima, a discreta presença de bardamerda, a 9.ª palavra mais pesquisada em Portugal, no seguimento de uma resposta do presidente sportinguista aos seus críticos. Mas Portugal não foi o único país a procurar por esta palavra: o Luxemburgo e o Uganda (!) também fizeram a mesma pesquisa.

Analisando as buscas feitas por outros países, deparamo-nos com um curioso interesse por expressões típicas do registo informal em língua portuguesa, como forrica na África do Sul, bate-cu em Andorra, gingão na Austrália, atazanar na Áustria, bundudo na Bélgica, rego nas Bermudas, escarafunchar na Bulgária, pumba e supimpa no Catar, bater com o nariz na porta na China, regabofista no Chipre, mangar nos Emirados Árabes Unidos, trampa na Eslováquia, rambóia no Gana, abada em Hong Kong, espelunca na Hungria, caraca na Índia, mitra na Islândia, cagança em Israel, augado na Líbia, litrosa no Listenstaine, refilice em Macau, catano na Namíbia, bulufas na Nigéria, morcão no Senegal, chular na Tailândia, cegada no Togo ou bichona na Ucrânia.

Como não podia deixar de ser, alguns países revelam buscas mais direccionadas para hum... certos interesses, como porno na Argélia e na República Democrática do Congo, enema na Arábia Saudita e cu no Belize, encoxada no Cazaquistão, no Egipto e na Indonésia, boquete e broca nas Filipinas, boceta na Guiana, suruba em Itália, chupar-te em Marrocos, bico no Sri Lanca ou periquita na Suécia.

Por fim, a descoberta mais interessante desta volta ao mundo através de pesquisas efectuadas no Dicionário Priberam é a busca por expressões latinas, como in toto e o tempora, o mores na Letónia, cum bona gratia dimittere aliquem no Paraguai ou eripuit coelo fulmen sceptrumque tyrannis em El Salvador.


O ano de 2017 em palavras
Em 2017, uma vez mais, os utilizadores do Dicionário Priberam também pesquisaram por termos relacionados com acontecimentos da actualidade política, desportiva ou económica. Este ano, em parceria com a agência de notícias Lusa, o site O Ano em Palavras apresenta, para cada mês, algumas das palavras mais procuradas dessas áreas no Dicionário Priberam, acompanhadas pelas respectivas notícias e fotografias da Lusa.

Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem acontecimentos de 2017

Com esta iniciativa, damos a conhecer algumas das palavras mais procuradas em cada mês, passando assim em revista os principais acontecimentos nacionais e internacionais do ano.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Agenda: Dias do Desassossego 2017


Tem início hoje, dia 16 (data do nascimento de José Saramago), e decorre até dia 30 deste mês (data da morte de Fernando Pessoa), mais uma edição dos Dias do Desassossego

O evento que celebra o desassossego dos dois escritores portugueses é organizado pela Fundação José Saramago e pela Casa Fernando Pessoa, que, durante duas semanas, animam Lisboa com leituras, mesas-redondas, passeios literários, teatro, concertos, oficinas para crianças e arte urbana.

O programa completo pode ser consultado aqui.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Comemoração dos 20 anos da Língua Gestual Portuguesa


(Priberam escrito no alfabeto manual)

A Língua Gestual Portuguesa (LGP) faz hoje 20 anos!

A LGP nasceu na primeira escola de surdos, na Casa Pia de Lisboa, no final do século XIX, mas só em 1997 a LGP passou a ser uma das línguas oficiais de Portugal, juntamente com a Língua Portuguesa e o Mirandês.

De acordo com a alínea h) do n.º 2 do artigo 74.º da Constituição da República Portuguesa, "[n]a realização da política de ensino incumbe ao Estado [...] proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades".

Mais informação aqui.






Priberam.pt
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