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quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Lisbon Machine Learning School 2014



Teve ontem início a quarta edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), escola de Verão intensiva que inclui aulas, laboratórios e palestras sobre aprendizagem automática (“machine learning”, em inglês).

A LxMLS 2014 conta com o patrocínio da Priberam e decorre até 29 de Julho, no Instituto Superior Técnico.

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

João Ubaldo Ribeiro (1941-2014)


Prestamos homenagem ao escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro (Prémio Camões 2008), falecido hoje no Rio de Janeiro, através dos seguintes excertos das suas crónicas, onde é bem visível a relação do autor com a língua portuguesa.

«[...] Um pouco febril às vezes, chegava a ler dois ou três livros num só dia, sem querer dormir e sem querer comer porque não me deixavam ler à mesa -- e, pela primeira vez em muitas, minha mãe disse a meu pai que eu estava maluco, preocupação que até hoje volta e meia ela manifesta.
--  Seu filho está doido -- disse ela, de noite, na varanda, sem saber que eu estava escutando. -- Ele não larga os livros. Hoje ele estava abrindo os livros daquela estante que vai cair para cheirar.
-- Que é que tem isso? É normal, eu também cheiro muito os livros daquela estante. São livros velhos, alguns têm um cheiro ótimo.
-- Ontem ele passou a tarde inteira lendo um dicionário.
-- Normalíssimo. Eu também leio dicionários, distrai muito. Que dicionário ele estava lendo?
-- O Lello.
-- Ah, isso é que não pode. Ele tem que ler o Laudelino Freire, que é muito melhor. Eu vou ter uma conversa com esse rapaz, ele não entende nada de dicionários. Ele está cheirando os livros certos, mas lendo o dicionário errado, precisa de orientação. [...]»

João Ubaldo Ribeiro, “Memória de livros” in Um brasileiro em Berlim, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1995, pág. 137, via Projeto Releituras [página consultada em 18-07-2014]. 



«A gramática é a mais perfeita das loucuras, sempre inacabada e perplexa, vítima eterna de si mesma e tendo de estar formulada antes de poder ser formulada — especialmente se se acredita que no princípio era o Verbo. Estou estudando gramática e fico pasmo com os milagres de raciocínio empregados para enquadrar em linguagem “objetiva” os fatos misteriosos da língua. Alguns convencem, outros não. Estes podem constituir esforços meritórios, mas se trata de explicações que a gente sente serem meras aproximações de algo no fundo inexprimível, irrotulável, inclassificável, impossível de compreender integralmente. Mas vou estudando, sou ignorante, há que aprender. Meu consolo é que muitas das coisas que me afligem devem afligir vocês também. Ou pelo menos coisas parecidas. [...]»

João Ubaldo Ribeiro, “Questões gramaticais” in Arte e ciência de roubar galinha: crônicas, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998, pp. 96-100, via Scribd [página consultada em 18-07-2014].

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Lexicografia criativa

Já não é a primeira vez que a actualidade inspira os consulentes do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa a soltarem o lexicógrafo que há neles. Desta vez foi a actualidade financeira que contribuiu para este resultado inspirado (via Twitter):



quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Agenda: Poesia Inglesa de Fernando Pessoa




«Minha pátria é a língua portuguesa» é o célebre dito de Bernardo Soares, heterónimo de Fernando Pessoa, presente no fragmento 259 do seu Livro do Desassossego. Menos conhecido é talvez o facto de Fernando Pessoa ter também escrito grande número de poemas em língua inglesa, como estes:

V
I conquered. Far barbarians fear my name.
Men were dice in my game,
But to my throw myself did lesser come:
I threw dice, Fate the sum.

VI
Some were as love loved, some as prizes prized.
A natural wife to the fed man my fate
I was sufficient to whom I sufficed.
I moved, slept, bore and aged without a fate.

Fernando Pessoa, “Inscriptions”, English Poems, Lisboa: Olisipo, 1920, p. 18.


Para debater o tema da poesia inglesa do poeta português, decorre amanhã em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa, um encontro que irá reunir vários estudiosos. A entrada é livre. Mais informações aqui.

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

800 anos da língua portuguesa

«Celebrar o aniversário da nossa língua é um enorme atrevimento. E fazê-lo numa data precisa envolve obviamente algum grau de arbitrariedade; e de escolha. É, na verdade, uma escolha: escolhemos 27 de Junho de 1214.»
José Ribeiro e Castro, “Língua Portuguesa: porquê 27 de Junho?” in Público, 19 de Julho de 2014 [consultado em 27-06-2014]



Assim à primeira vista pode não parecer, mas o texto da imagem acima, datado de 27 de Junho de 2014 (ou seja, «IIII.or dias por andar de junio, E(r)a M.ª CC.ª Lª II.ª», não esquecendo de fazer o desconto de 38 anos do calendário da era hispânica...), é considerado o primeiro documento oficial escrito em português. Trata-se do testamento do terceiro rei de Portugal, D. Afonso II, onde, se olharmos beeeeeeeeem de perto (e com muitos conhecimentos paleográficos), se pode ler:

«En'o nome de Deus. Eu rei don Afonso pela gracia de Deus rei de Portugal, seendo sano e saluo, temëte o dia de mia morte, a saude de mia alma e a proe de mia molier raina dona Orraca e de me(us) filios e de me(us) uassalos e de todo meu reino fiz mia mãda p(er) q(ue) de pos mia morte mia molier e me(us) filios e meu reino e me(us) uassalos e todas aq(ue)las cousas q(ue) De(us) mi deu en poder sten en paz e en folgãcia. P(ri)meiram(en)te mãdo q(ue) meu filio infante don Sancho q(ue) ei da raina dona Orraca agia meu reino enteg(ra)m(en)te e en paz. E ssi este for morto sen semmel, o maior filio q(ue) ouuer da raina dona Orraca agia o reino entegram(en)te e en paz. E ssi filio barõ nõ ouuermos, a maior filia q(ue) ouuuermos agia'o [...]»


Neste texto de D. Afonso II é utilizada oficialmente uma língua já falada pelo povo e distanciada do latim. Passados oito séculos, a versão ortográfica actual do início desse documento seria esta:

«Em nome de Deus. Eu rei dom Afonso pela graça de Deus rei de Portugal, sendo são e salvo, temente o dia de minha morte, a saúde de minha alma e a prole de minha mulher rainha dona Urraca e de meus filhos e de meus vassalos e de todo meu reino fiz minha manda para que depois da minha morte minha mulher e meus filhos e meu reino e meus vassalos e todas aquelas coisas que Deus me deu em poder estejam em paz e em folgança. Primeiramente mando que meu filho infante dom Sancho que hei da rainha dona Urraca haja meu reino integramente e em paz. E se este for morto sem semente, o maior filho que houver da rainha dona Urraca haja o reino integramente e em paz. E se filho barão não houvermos, a maior filha que houvermos o haja [...]»


terça-feira, 29 de Abril de 2014

Vasco Graça Moura (1942-2014)


Homenageamos com este texto o escritor português Vasco Graça Moura, falecido recentemente em Lisboa:

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, "Soneto do Amor e da Morte", in Antologia dos Sessenta Anos

terça-feira, 1 de Abril de 2014

100 000 seguidores = passatempo FLiP

A Priberam celebra os 100 000 seguidores na sua página do Facebook com um passatempo em que irá sortear 10 licenças do FLiP, o pacote de ferramentas de revisão e auxílio à escrita da Priberam.

Para concorrer, os participantes têm de clicar em “gosto/like” no Facebook da Priberam e colocar no nosso mural uma fotografia da sua autoria em que se mostre um produto ou serviço da Priberam (ver a foto ilustrativa abaixo).

Os produtos e serviços incluem o Dicionário Priberam (na página da Internet ou numa das aplicações disponíveis), qualquer produto da gama FLiP ou da gama LegiX (que permite o acesso a legislação, jurisprudência e doutrina nacional e europeia) ou ainda os serviços descritos na página Ligações úteis.

Informações práticas:
Só será aceite uma foto por perfil do Facebook. O passatempo é válido até ao final do dia 8 de Abril. Os vencedores sorteados serão anunciados no dia 10 de Abril.

Para se inspirarem, deixamos aqui um exemplo de como podem fazer uma foto para este passatempo:



quinta-feira, 20 de Março de 2014

Agenda: Pessoa e Borges em Lisboa



O que têm em comum o português Fernando Pessoa e o argentino Jorge Luis Borges? Ficam aqui algumas pistas, que serão provavelmente abordadas no encontro Pessoa e Borges em Lisboa:

“Para além de vorazes leitores de Omar Khayyam e de William Shakespeare ou de poetas que souberam cultivar o universal no realismo local (Cesário Verde e Evaristo Carriego), Jorge Luis Borges e Fernando Pessoa partilharam numerosas paixões literárias. Sem sabê-lo, talvez, ambos viriam a corresponder-se com escritores espanhóis como Isaac del Vando Villar, entre outros; e em Maio de 1924 até caminharam nas ruas da mesma cidade, Lisboa [...]”.

O evento, de entrada livre, realiza-se no próximo dia 24, segunda-feira, na Casa Fernando Pessoa, e contará com a presença de vários críticos literários que irão analisar semelhanças entre as obras destes dois autores. 

segunda-feira, 17 de Março de 2014

Agenda: Poesia em Pessoa



Se estiver por Lisboa no próximo sábado, dia 22, traga o seu Pessoa à rua para celebrar o dia mundial da poesia. Não se trata de erro de concordância, leitor. Vista-se como o poeta Fernando Pessoa e participe na iniciativa Poesia em Pessoa, da Fundação INATEL, que propõe uma concentração de Pessoas (indivíduos vestidos de Fernando Pessoa) no Largo de São Carlos, local do nascimento do poeta, com cortejo até ao Teatro da Trindade, onde se realizará um espectáculo de poesia, grátis para todos os Pessoas.

Mais informações sobre o programa, aqui.

sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2014

Agenda: Ciclo História da Língua Portuguesa




De 13 de Fevereiro a 13 de Março decorre, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, um ciclo dedicado à história da língua portuguesa, conduzido pelo Professor Doutor Ivo Castro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Durante as cinco sessões, serão abordados temas como a origem, as transformações sofridas e as perspectivas de futuro da língua portuguesa. A entrada é livre, mediante inscrição prévia. Mais informações aqui.





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