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sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Agenda: New Portuguese Writers



A obra dos escritores portugueses Dulce Maria Cardoso e Afonso Cruz vai estar em destaque nos próximos dias em Nova Iorque, no âmbito do New Portuguese Writers, iniciativa do Arte Institute

Estão previstas leituras interpretadas de textos dos dois autores no sábado, dia 25, no Metropolitan Museum of Art, e conferências de ambos os escritores na segunda-feira, dia 27, no King Juan Carlos Center.

Mais informação aqui (em português) e aqui (em inglês).

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Agenda: I Congresso Internacional do Círculo Literário Agustina Bessa-Luís


Decorre hoje e amanhã, na Fundação Calouste Gulbenkian, o primeiro congresso internacional do círculo literário Agustina Bessa-Luís, subordinado ao tema “Ética e Política na obra de Agustina Bessa-Luís”. 

A entrada é livre e conta com a participação de conferencistas que incluem escritores e estudiosos da obra da escritora portuguesa. Mais informações aqui.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Aniversário Priberam: 25 anos!


A Priberam celebra hoje o seu 25.º aniversário!

Desde 25 de Setembro de 1989, a Priberam tem vindo a fazer história nas áreas da linguística computacional, das ferramentas de informação jurídica, dos motores de pesquisa e da saúde. Há 25 anos que a Priberam tem arrecadado prémios e distinções pela sua capacidade de inovação e pelos seus serviços e produtos, como o FLiP, o LegiX e o Priberam Search.


A Priberam está de parabéns pelos seus 25 anos de existência, mas as prolfaças vão também para todos aqueles (clientes, parceiros, admiradores) que nos têm acompanhado e que têm contribuído para o nosso crescimento e para o melhoramento dos nossos produtos e serviços.

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Agenda: XXII Colóquio da Lusofonia



No próximo dia 25 tem início o XXII Colóquio da Lusofonia, na Casa Municipal da Cultura, em Seia.

As sessões são abertas ao público e irão debater temas como lusofonia, literatura, ensino, formação, língua portuguesa no mundo e estudos de tradução, nomeadamente de e para português.

Mais informações, aqui.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

Eduardo White (1963-2014)



Prestamos homenagem ao poeta moçambicano Eduardo White (Prémio Glória de Sant'Anna 2013), falecido ontem em Maputo, com o poema “O que vocês não sabem e nem imaginam”: 


Vocês não sabem
mas todas as manhãs me preparo
para ser, de novo, aquele homem.
Arrumo as aflições, as carências,
as poucas alegrias do que ainda sou capaz de rir,
o vinagre para as mágoas
e o cansaço que usarei
mais para o fim da tarde.

À hora do costume,
estou no meu respeitoso emprego:
o de Secretário de Informação e de Relações
[Públicas.
Aturo pacientemente os colegas,
felizes em seus ostentosos cargos,
em suas mesas repletas de ofícios,
os ares importantes dos chefes
meticulosamente empacotados em seus fatos,
a lenta e indiferente preguiça do tempo.

Todas as manhãs tudo se repete.
O poeta Eduardo White se despede de mim
à porta de casa,
agradece-me o esforço que é mantê-lo,
alimentado, vestido e bebido
(ele sem mover palha)
me lembra o pão que devo trazer,
os rebuçados para prendar o Sandro,
o sorriso luzidio e feliz para a Olga,
e alguma disposição da que me reste
para os amigos que, mais logo,
possam eventualmente aparecer.

Depois, ao fim da tarde,
já com as obrigações cumpridas,
rumo a casa.
À porta me esperam
a mulher, o filho e o poeta.
A todos cumprimento de igual modo.

Um largo sorriso no rosto,
um expresso cansaço nos olhos,
para que de mim se apiedem
e se esmerem no respeito,
e aquele costumeiro morro de fome.

Então à mesa, religiosamente comemos os quatro
o jantar de três
(que o poeta inconsta
na ficha do agregado).

Fingidamente satisfeito ensaio
um largo bocejo
e do homem me dispo.
Chamo pela Olga para que o pendure,
junto ao resto da roupa,
com aquele jeito que só ela tem
de o encabidar sem o amarrotar.

O poeta, visto depois
e é com ele que amo,
escrevo versos
e faço filhos.

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Ariano Suassuna (1927-2014)



Homenageamos o escritor brasileiro Ariano Suassuna, recentemente falecido, com o excerto da sua obra-prima teatral em que uma das personagens não esconde seu espanto perante um Cristo negro:


«JOÃO GRILO
Apesar de ser um sertanejo pobre e amarelo, sinto perfeitamente que estou diante de uma grande figura. Não quero faltar com o respeito a uma pessoa tão importante, mas se não me engano aquele sujeito acaba de chamar o senhor de Manuel.

MANUEL
Foi isso mesmo, João. Esse é um de meus nomes, mas você pode me chamar também de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele gosta de me chamar Manuel ou Emanuel, porque pensa que assim pode se persuadir de que sou somente homem. Mas você, se quiser, pode me chamar de Jesus.

JOÃO GRILO
Jesus?

MANUEL
Sim.

JOÃO GRILO
Mas, espere, o senhor é que é Jesus?

MANUEL
Sou.

JOÃO GRILO
Aquele Jesus a quem chamavam Cristo?

MANUEL
A quem chamavam, não, que era Cristo. Sou, por quê?

JOÃO GRILO
Porque... não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado.

BISPO
Cale-se, atrevido.

MANUEL
Cale-se você. Com que autoridade está repreendendo os outros? Você foi um bispo indigno de minha Igreja, mundano, autoritário, soberbo. Seu tempo já passou. Muita oportunidade teve de exercer sua autoridade, santificando-se através dela. Sua obrigação era ser humilde porque quanto mais alta é a função, mais generosidade e virtude requer. Que direito tem você de repreender João porque falou comigo com certa intimidade? João foi um pobre em vida e provou sua sinceridade exibindo seu pensamento. Você estava mais espantado do que ele e escondeu essa admiração por prudência mundana. O tempo da mentira já passou.

JOÃO GRILO
Muito bem. Falou pouco mas falou bonito. A cor pode não ser das melhores, mas o senhor fala bem que faz gosto.

MANUEL
Muito obrigado, João, mas agora é sua vez. Você é cheio de preconceitos de raça. Vim hoje assim de propósito, porque sabia que isso ia despertar comentários. Que vergonha! Eu Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim, tanto faz um branco como um preto. Você pensa que eu sou americano para ter preconceito de raça?» 

Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida, 11.ª ed., Rio de Janeiro: Agir Editora, 16975, pp. 146-149.

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Agenda: Festa Literária Internacional de Paraty 2014



De 30 de Julho a 3 de Agosto decorre, no Rio de Janeiro, a 12.ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). 

O evento, que partilha o acrónimo com o FLiP, o pacote de ferramentas linguísticas da Priberam de auxílio à escrita em língua portuguesa, será palco de debates e conferências com vários autores nacionais e internacionais, para além de exposições, oficinas, exibições de filmes e uma homenagem ao escritor brasileiro Millôr Fernandes (1923-2012).

A programação principal da Flip tem tradução simultânea e pode ser vista ao vivo pela internet. Mais informação aqui.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Lisbon Machine Learning School 2014



Teve ontem início a quarta edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), escola de Verão intensiva que inclui aulas, laboratórios e palestras sobre aprendizagem automática (“machine learning”, em inglês).

A LxMLS 2014 conta com o patrocínio da Priberam e decorre até 29 de Julho, no Instituto Superior Técnico.

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

João Ubaldo Ribeiro (1941-2014)


Prestamos homenagem ao escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro (Prémio Camões 2008), falecido hoje no Rio de Janeiro, através dos seguintes excertos das suas crónicas, onde é bem visível a relação do autor com a língua portuguesa.

«[...] Um pouco febril às vezes, chegava a ler dois ou três livros num só dia, sem querer dormir e sem querer comer porque não me deixavam ler à mesa -- e, pela primeira vez em muitas, minha mãe disse a meu pai que eu estava maluco, preocupação que até hoje volta e meia ela manifesta.
--  Seu filho está doido -- disse ela, de noite, na varanda, sem saber que eu estava escutando. -- Ele não larga os livros. Hoje ele estava abrindo os livros daquela estante que vai cair para cheirar.
-- Que é que tem isso? É normal, eu também cheiro muito os livros daquela estante. São livros velhos, alguns têm um cheiro ótimo.
-- Ontem ele passou a tarde inteira lendo um dicionário.
-- Normalíssimo. Eu também leio dicionários, distrai muito. Que dicionário ele estava lendo?
-- O Lello.
-- Ah, isso é que não pode. Ele tem que ler o Laudelino Freire, que é muito melhor. Eu vou ter uma conversa com esse rapaz, ele não entende nada de dicionários. Ele está cheirando os livros certos, mas lendo o dicionário errado, precisa de orientação. [...]»

João Ubaldo Ribeiro, “Memória de livros” in Um brasileiro em Berlim, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1995, pág. 137, via Projeto Releituras [página consultada em 18-07-2014]. 



«A gramática é a mais perfeita das loucuras, sempre inacabada e perplexa, vítima eterna de si mesma e tendo de estar formulada antes de poder ser formulada — especialmente se se acredita que no princípio era o Verbo. Estou estudando gramática e fico pasmo com os milagres de raciocínio empregados para enquadrar em linguagem “objetiva” os fatos misteriosos da língua. Alguns convencem, outros não. Estes podem constituir esforços meritórios, mas se trata de explicações que a gente sente serem meras aproximações de algo no fundo inexprimível, irrotulável, inclassificável, impossível de compreender integralmente. Mas vou estudando, sou ignorante, há que aprender. Meu consolo é que muitas das coisas que me afligem devem afligir vocês também. Ou pelo menos coisas parecidas. [...]»

João Ubaldo Ribeiro, “Questões gramaticais” in Arte e ciência de roubar galinha: crônicas, Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998, pp. 96-100, via Scribd [página consultada em 18-07-2014].

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Lexicografia criativa

Já não é a primeira vez que a actualidade inspira os consulentes do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa a soltarem o lexicógrafo que há neles. Desta vez foi a actualidade financeira que contribuiu para este resultado inspirado (via Twitter):








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