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quarta-feira, 8 de abril de 2026

17.º aniversário da “Palavra do dia”

 «[...] 
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

[...]»
Carlos Drummond de Andrade, A Rosa do Povo, São Paulo: Companhia das Letras, 2012, pág. 12.


Neste excerto do poema “Procura da Poesia”, o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) convida o leitor a penetrar no “reino das palavras”, onde os poemas, “sós e mudos, em estado de dicionário”, aguardam para ver a luz do dia. A palavra do dia do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa também exorta à entrada nesse reino das palavras, sobretudo das que há muito estão paralisadas, sós e mudas nos dicionários. A iniciativa, que conta 17 anos de vida, destaca todos os dias uma palavra rara, curiosa, pouco usada, nova ou caída no esquecimento, como as da imagem abaixo, para que os consulentes do Dicionário Priberam possam chegar mais perto das palavras, descobrir as suas “mil faces secretas sob a face neutra” e responder mais facilmente à pergunta “Trouxeste a chave?” que cada palavra faz.

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, Bluesky e TikTok), sendo também divulgada na Rádio Morabeza.


terça-feira, 8 de abril de 2025

16.º aniversário da “Palavra do dia”

 «[...]
- O Sr. já reparou bem num dicionário?... Num dicionário qualquer?... No de Morais, por exemplo... Ou no do povo... (Tanto faz!...) Já reparou?...
Eu esperei pela sequência do discurso. A aproveitar aquela mandriice tão boa de ter alguém a raciocinar por mim.
- Já reparou?... Pois a mim faz-me lembrar, sabe o quê?... Um jazigo de família. Ou melhor: um jazigo de nação. Uma espécie de mausoléu de papel, onde gerações de gatos-pingados empilharam séculos e séculos de palavras, algumas já definitivamente mortas, cobertas de bichos e de coroas saudosas... Outras vasquejaram nos últimos estremeções... E muitas, apenas em estado cataléptico, à espera de um toque de dedos para regressarem à monotonia da vida diária... A este maldito bolor, onde utilizamos ao todo quantas palavras vivas - diga-me lá quantas? Quinhentas? Mil?... Nem tantas, talvez!
Garanto-lhe que, em certos dias, quando subo o Chiado... ou entro num café da Baixa... e ouço essa gente parda a repisar, de manhã à noite, os mesmos termos... as eternas expressões... os substantivos inevitáveis... os adjectivos fatais... e o verbo ser, o verbo haver, e o verbo ter, e o verbo fazer... sabe o que me apetece?... Saltar para cima de uma mesa ou de um marco postal e gritar furioso aos homens: não deixem morrer as palavras, assassinos! Não deixem morrer as palavras!
[...]»
José Gomes Ferreira, Gaveta de Nuvens, Lisboa: Diabril, 1975, p. 235.


O trecho acima, do escritor português José Gomes Ferreira (1900-1985), brinda-nos com o abespinhamento de um aguardentado explicador de português a propósito de “gente parda a repisar, de manhã à noite, os mesmos termos, as eternas expressões”, a par do “jazigo de nação” contido nos dicionários. Se fosse hoje, será que o dito explicador de português teria reparado bem no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e no que ele faz diariamente para não deixar morrer as palavras? Teria ele reparado bem na palavra do dia do Dicionário da Priberam, iniciativa que hoje comemora mais um aniversário? Há dezasseis anos que uma geração de “gatos-pingados” linguistas revira “mausoléus de papel” com “séculos e séculos de palavras [...] à espera de um toque de dedos para regressarem à monotonia da vida diária” para destacar, nem que seja por um dia, um termo maioritariamente raro, curioso, pouco usado, caído no esquecimento ou mesmo moribundo, como alguns dos que foram partilhados neste último ano:


A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, Bluesky e TikTok), sendo também divulgada em programas radiofónicos da Rádio Morabeza e da Rádio Voz de Alenquer.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

15.º aniversário da “Palavra do dia”

«Colega, passe-me o quebra-palavras:
encontrei uma que deve ter qualquer coisa lá dentro.»
Alexandre O’Neill, “O Lanterna Vermelha”, Poesia Completa & Dispersos, Lisboa: Assírio & Alvim, 2022.


Evidenciando a sua capacidade de “quebra-palavras”, utensílio que permite chegar ao significado que as palavras têm dentro, como refere o poeta português Alexandre O’Neill (1924-1986), o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa celebra hoje o 15.º aniversário da sua palavra do dia. Há quinze anos que o Dicionário Priberam destaca todos os dias um termo maioritariamente raro, curioso, pouco usado ou caído no esquecimento, como alguns dos que foram partilhados neste último ano:

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e Bluesky), sendo também divulgada nos programas radiofónicos “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da Rádio Morabeza, e “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.

sábado, 8 de abril de 2023

14.º aniversário da “Palavra do dia”

Quino, Toda a Mafalda - Edição Comemorativa dos 50 anos, Lisboa: Babel, 2014.

Mafalda, a personagem emblemática de banda desenhada que odeia sopa, pode ficar descansada: sopa nunca será palavra do dia do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, apesar de os seus hipónimos gulherite e sopetarra já o terem sido... Isto porque, com a partilha da palavra do dia, iniciativa que celebra hoje o seu catorzeno aniversário, o Dicionário Priberam pretende dar destaque, nem que seja por um dia, a termos maioritariamente raros, curiosos, pouco usados ou caídos no esquecimento, como alguns dos que foram partilhados neste último ano:

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), sendo também divulgada nos programas de rádio “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da Rádio Morabeza e “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

13.º aniversário da "Palavra do dia"

“[...] Se minto?... Minto, pois! 
Mas nas orais palavras que vos digo. 
Não nas que entoo a sós comigo [...].”
José Régio, “Improviso corrigido”


Ao contrário do poeta português José Régio (1901-1969), o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa não mente nunca, nem sequer na partilha da palavra do dia, iniciativa da Priberam que decorre há já 13 anos, os mesmos que o dicionário celebrou na semana passada. Podem ser termos maioritariamente curiosos, pouco usados, caídos no esquecimento ou particularmente actuais, mas são sempre termos verdadeiros, ainda que desconhecidos ou novos, como alguns dos que foram partilhados neste último ano: 

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), sendo também divulgada nos programas de rádio “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da Rádio Morabeza e “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

12.º aniversário da “Palavra do dia”

«E não haver gestos novos nem palavras novas!»
Florbela Espanca, Diário do Último Ano, 2.ª ed., Lisboa: Bertrand, 1982, p. 61


É talvez por compreender o desalento da poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) que o Dicionário Priberam, apesar da covid-19, do confinamento ou do teletrabalho, cumpriu mais um ano de partilha diária de palavras que podem ser novas (muitas sê-lo-ão garantidamente, outras, nem tanto) para muitos de nós. 

O Dicionário Priberam não se deixou abalar pelos efeitos da pandemia e prosseguiu na partilha diária de termos maioritariamente raros, curiosos, pouco usados, caídos no esquecimento ou com ligação a eventos da actualidade. Há 12 anos que o Dicionário Priberam divulga diariamente uma palavra “nova”, nem que o seja só por um dia, na sua página online e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram). 


Desde 2019 que a “palavra do dia” do Priberam é divulgada também no programa de rádio “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da cabo-verdiana Rádio Morabeza e, desde 2020, no programa “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.


quarta-feira, 8 de abril de 2020

"Palavra do dia" faz 11 anos



Passaram onze anos desde que, em Abril de 2009, o Dicionário Priberam começou a divulgar a palavra do dia na sua página online e nas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram). São onze anos de partilha diária, o que se traduz em mais de 4000 termos partilhados, termos maioritariamente raros, curiosos, pouco usados ou caídos no esquecimento das páginas dos dicionários e que a equipa de linguistas da Priberam resolveu destacar por um dia. 

A moda da palavra do dia do Dicionário Priberam pegou e agora é vê-la divulgada até nas ondas hertzianas. Em 2019, a Rádio Morabeza, de Cabo Verde, foi a primeira a estabelecer uma parceria com a Priberam para a divulgação da palavra do dia, no programa informativo “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00). Recentemente, foi a vez do programa “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer, passar a divulgar a palavra do dia na sua página de Facebook.

Nestes dias de isolamento social e de confinamento forçado, há palavras que nos confortam e que precisamos de ler, dizer e ouvir mais. Fazemos uma pausa nas palavras obscuras, esquisitas ou pouco conhecidas, inspiramos fundo, até porque dum spiro spero, e, em tempos difíceis, escolhemos jovialidade como palavra do dia de hoje e como mote para as próximas partilhas diárias.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

10.º aniversário da “Palavra do dia”

Na semana passada o Dicionário Priberam celebrou o décimo ano da sua existência e hoje celebra o décimo aniversário da “Palavra do dia”.

Trata-se de uma iniciativa da Priberam que, desde Abril de 2009, destaca, nem que seja por um dia, palavras maioritariamente raras, curiosas ou pouco consultadas, escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook, no Twitter e no Instagram.

Tudo começou com anverso, a primeira palavra do dia do Priberam, divulgada a 8 de Abril de 2009. Desde então, já foram divulgadas 3652 palavras diferentes, o que corresponde a menos de 3% das palavras do dicionário. É caso para dizer que, em dez anos, já demos cerca de 150 voltas ao abecedário. Mesmo que não adicionássemos mais palavras ao dicionário, ainda temos palavras para mais 355 anos de palavras do dia, mais exactamente até 1 de Setembro de 2374.


terça-feira, 10 de abril de 2018

9.º aniversário da “Palavra do dia”

A “palavra do dia” do Dicionário Priberam celebrou no passado domingo mais um aniversário.

Há nove anos que a Priberam coloca em destaque palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook, no Twitter e no Instagram da Priberam.

Palavras para quê? Para o Dicionário Priberam, as palavras são tudo.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

8.º aniversário da “Palavra do dia”

«Há palavras que fazem bater mais depressa o coração - todas as palavras - umas mais do que outras, qualquer mais do que todas. Conforme os lugares e as posições das palavras. Segundo o lado de onde se ouvem - do lado do Sol ou do lado onde não dá o Sol.
Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que faz falta ao universo. [...]»
José de Almada Negreiros in A Invenção do Dia Claro, 1921.


No passado dia 8 celebrou-se o 8.º aniversário da “Palavra do dia” do Dicionário Priberam. Pela terceira vez consecutiva, escolhemos palavras de Almada Negreiros (1893-1970) para assinalar essa data, porque “há palavras que fazem bater mais depressa o coração” e porque há 8 anos que a iniciativa da Priberam destaca, nem que seja por um dia, palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook e no Twitter da Priberam. 

E porque “cada palavra é um pedaço do universo”, deixamos aqui alguns pedaços de universo que, no último ano, tiveram destaque no Dicionário Priberam:


sexta-feira, 8 de abril de 2016

7.º aniversário da “Palavra do dia”

«As palavras têm moda. Quando acaba a moda para umas começa a moda para outras. As que se vão embora voltam depois. Voltam sempre, e mudadas de cada vez. De cada vez mais viajadas.»
José de Almada Negreiros in A Invenção do Dia Claro, 1921.

Relembramos as palavras do escritor Almada Negreiros (1893-1970) no aniversário da “Palavra do dia” do Dicionário Priberam, iniciativa que há sete anos coloca na moda, nem que seja por um dia, palavras raras, curiosas ou pouco consultadas. As palavras do dia da Priberam são escolhidas pela equipa de linguistas e divulgadas diariamente na página do dicionário, no Facebook e no Twitter da Priberam. Algumas das reacções que provocam podem ser vistas aqui no Facebook ou aqui no Twitter.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

6.º aniversário da “Palavra do dia”

«Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras.»
José de Almada Negreiros in A Invenção do Dia Claro, 1921.


Não faz 100 anos, mas faz hoje 6 anos que a “Palavra do dia” surge destacada na página do Dicionário Priberam, sendo também publicitada diariamente no Facebook, no Twitter e no Google+.

As palavras do dia são, geralmente, palavras raras, curiosas e pouco consultadas às quais se pretende dar algum destaque, nem que seja por um dia. A imagem abaixo reúne algumas palavras do dia do Dicionário Priberam dos últimos 6 anos (clicar na imagem para aumentar):







Priberamt
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