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quinta-feira, 8 de abril de 2021

12.º aniversário da “Palavra do dia”

«E não haver gestos novos nem palavras novas!»
Florbela Espanca, Diário do Último Ano, 2.ª ed., Lisboa: Bertrand, 1982, p. 61


É talvez por compreender o desalento da poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) que o Dicionário Priberam, apesar da covid-19, do confinamento ou do teletrabalho, cumpriu mais um ano de partilha diária de palavras que podem ser novas (muitas sê-lo-ão garantidamente, outras, nem tanto) para muitos de nós. 

O Dicionário Priberam não se deixou abalar pelos efeitos da pandemia e prosseguiu na partilha diária de termos maioritariamente raros, curiosos, pouco usados, caídos no esquecimento ou com ligação a eventos da actualidade. Há 12 anos que o Dicionário Priberam divulga diariamente uma palavra “nova”, nem que o seja só por um dia, na sua página online e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram). 


Desde 2019 que a “palavra do dia” do Priberam é divulgada também no programa de rádio “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da cabo-verdiana Rádio Morabeza e, desde 2020, no programa “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.


terça-feira, 6 de abril de 2021

12.º aniversário do Dicionário Priberam

Não há que ter pejo em dizê-lo: o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa está um ano mais velho e um pouco mais anafadinho.

No passado dia 1 de Abril, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa comemorou 12 anos de vida (não é peta, o aniversário do dicionário online da Priberam é mesmo no dia das mentiras), sem grandes celebrações por respeito às medidas de confinamento no âmbito do combate à pandemia da covid-19. Para os mais curiosos, é possível ter uma ideia sobre o que aconteceu em mais um ano de vida do Dicionário Priberam através do balanço do ano passado ou do site O Ano em Palavras.

Quanto ao facto de o Dicionário Priberam estar mais anafado, a culpa não é do confinamento, mas dos mais de 2200 novos verbetes que passou a registar em 2020. 

Só no primeiro trimestre deste ano, foram já adicionados 592 verbetes. Muitas das inclusões recentes reflectem novos termos associados à covid-19 ou à área da medicina em geral (como aeromédico, antiescaras, aquarentenar, autoteste, borderline, imunotolerante, oncogenicidade, porta-máscara, salva-orelhas, uranálise ou virtópsia), gentílicos (como avisense, baleárico, cratense, diliense, monfortense, nisense, ouriquense, pinhelense, rio-tintense, sabugalense ou velense) ou termos de outras áreas (como antifraude, braquiação, coluvial, deotropismo, encorricado, gamer, heterocaracterização, indo-pacífico, jurubita, luso-senegalês, misofilia, narcossubmarino, párodo, ressemantização, sinequismo, trapudo, uado, verrumante ou xamânico), para mencionar apenas algumas das quase seiscentas novas entradas deste ano. 

No que diz respeito a buscas, no primeiro trimestre de 2021, o Dicionário Priberam foi consultado por mais de 14 milhões de utilizadores, os quais fizeram mais de 78 milhões de pesquisas, valores que correspondem a um crescimento de cerca de 30% relativamente ao mesmo período do ano passado. A palavra mais pesquisada durante este período foi postigo, por razões relacionadas com as regras para o comércio durante o confinamento.

Presente desde Maio de 2020 no ranking auditado netAudience, sistema de classificação que mede a audiência da Internet mensalmente, o Dicionário Priberam ocupava em Fevereiro a 13.ª posição na lista dos 20 sites portugueses mais visitados:



segunda-feira, 8 de março de 2021

Priberam Machine Learning Lunch Seminars (12.ª série)

Tem início amanhã, dia 9, a 12.ª temporada dos seminários de aprendizagem automática patrocinados pela Priberam. Como é habitual, os seminários ocorrem quinzenalmente, à terça-feira, das 13h às 14h, e são um ponto de encontro para a apresentação e a discussão de vários tópicos relacionados com a aprendizagem automática.

Tal como na temporada anterior, por restrições relacionadas com a COVID-19, os seminários irão decorrer remotamente (via Zoom) e sem a habitual distribuição de almoço grátis. Mais informações aqui (em inglês).


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Números e palavras de 2020

Dados gerais
Em 2020, ano de confinamento, de quarentena, de teletrabalho e de telescola devido à pandemia da covid-19, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP) registou um aumento muito significativo de pesquisas, subindo para 45 milhões o número de utilizadores (mais 7 milhões do que no ano anterior), os quais geraram 261 milhões de pesquisas, quase o dobro das pesquisas registadas em 2019.

Talvez por essa razão, 2020 foi também o ano em que o site do Dicionário Priberam passou a integrar, desde Maio, o ranking auditado netAudience, um sistema de classificação que mede a audiência da Internet e que regista os 20 sites portugueses mais visitados em cada mês.

No balanço geográfico, destacam-se, por país, Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e EUA, com a liderança por cidade a pertencer a Lisboa, Porto, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

No que diz respeito ao trabalho de actualização do DPLP, o ano transacto foi bastante produtivo, já que foram redigidos mais de 2200 novos verbetes, criadas perto de 6000 novas acepções e adicionados quase 9000 sinónimos e cerca de 2000 antónimos.


Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, mitigação, que se destacou logo no primeiro trimestre de 2020, permaneceu no topo das pesquisas o tempo suficiente para se tornar a palavra mais pesquisada do ano. No Brasil, a palavra mais pesquisada em 2020 foi relicário (alvíssaras a quem nos ajudar a perceber porquê!). No cômputo geral, a palavra mais pesquisada de 2020 no DPLP foi também mitigação, tal foi o desejo de ver mitigada a pandemia.

Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2020

Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram resolução (Angola), jus (Cabo Verde), antecessor (Guiné-Bissau), juro (Moçambique), masoquista (São Tomé e Príncipe) e despesas (Timor-Leste).


Volta ao mundo
Há várias maneiras de caracterizar o ano de 2020. Vejamos algumas, a partir das muitas pesquisas no DPLP feitas por consulentes de diversas proveniências, que confirmam que nenhuma parte do mundo escapou ao tema da covid-19.

Pode descrever-se 2020 como um ano austero (França), cinzento (México), desarmante (Roménia), horripilante (Ucrânia), instável (Costa Rica), lúgubre (Paraguai), taciturno (Gibraltar), tempestuoso (Hong Kong terá tido outras razões além da covid-19 para esta busca) ou até tumultuário (Chipre), mas sabe melhor descrevê-lo como quilhado (Alemanha), chanfrado, marado, sacana ou mesmo cabrão (a Roménia entusiasmou-se...). Isto porque 2020 foi o ano do coronavírus, ou melhor, do dito-cujo (Hungria), mas também um ano do capeta (São Tomé e Príncipe) ou do chifrudo (Chile)!

Para alguns, 2020 foi uma hecatombe (Cabo Verde, Roménia), um cataclismo (São Tomé e Príncipe), uma catástrofe (Timor-Leste), um flagelo ou um pandemónio (Guiné-Bissau), uma intempérie (Macau), um caos (Países Baixos), uma praga (Hungria e Itália), um drama (Suriname), um fardo (Itália) ou até uma chatice (Emirados Árabes Unidos), um perrengue (Argentina, Equador, Nova Zelândia, Uruguai).

Para outros, 2020 foi um ano de desassossego e amargura (Ruanda), perda (Suíça), descontentamento (Timor-Leste), apreensão (China), condicionalismos (Paquistão), precauções (Coreia do Sul), estresse (Espanha) e até de neura (Austrália) ou chilique (Canadá, Irlanda).

Para outros ainda, 2020 foi um ano que, quase de certeza, fez alguém barafustar (Cabo Verde), atarantar-se (EUA), flipar (Roménia) ou tripar (Argélia). Foi também o ano em que, justificadamente, alguém se pode ter sentido anacoreta (Canadá, Emirados Árabes Unidos), eremita (Equador), chateado (Colômbia), jururu (Itália), carrancudo (Irlanda), piurso (Suíça) ou mesmo ao deus-dará (Espanha).

Face a este cenário de 2020, não admira que, na figura 1 acima, se destaque resiliência, (já nossa conhecida de balanços anteriores), como uma das palavras mais pesquisadas em Portugal e no cômputo geral. É provável que as razões que fizeram aumentar a procura por resiliência justifiquem também as buscas por bom senso (Brasil), calma (Camboja), estoicismo (Timor-Leste) ou por benevolência (Espanha), camaradagem (Japão), compaixão (Suécia), empatia e porto seguro (Brasil).

Por ter sido o ano que foi, é natural que 2020 também tenho feito disparar as buscas por colinho e amor (Paraguai), cafuné (Colômbia), aconchego (Espanha), xodó (Vietname) e, claro, saudade (Canadá, Colômbia, Espanha, Eslovénia, Nova Zelândia, Polónia).

O confinamento de 2020 teve várias consequências, uma das quais parece ter sido uma maior dedicação à arte da culinária. Isso reflectiu-se também nas buscas do DPLP que quase davam para abastecer uma secção de secos e molhados (Nova Zelândia). Optamos por destacar as pesquisas patê, esparguete, pimento, pastinaga, hambúrguer, picante e gasosa, pois com elas o Vietname quase compôs uma refeição (só faltou o cafezinho, mas, dessa busca, encarregou-se a República Checa). Como as buscas por pratos culinários, alimentos, ervas e temperos, sobremesas e bebidas foram tantas e tão variadas, é natural encontrar também buscas por empanturrado (Marrocos, Suécia), gastura (Paraguai) ou apepsia (Nepal). 

Outra consequência do confinamento parecer ter sido o interesse por aquelas coisas que ficaram mais difíceis de fazer em 2020, como ramboiada (Eslováquia), moina, vida airada (Luxemburgo) ou até bilhardar (Luxemburgo) e mujimbar (Chile).

Compreensivelmente, e por tudo o que se disse acima, 2020 foi um ano digno de inúmeras interjeições, como caraças (Espanha e Suíça), carago (Sri Lanca), meleca (Itália), lagarto, lagarto (Alemanha), vade-retro (Israel), poça (França) ou até porra (Hungria), para não mencionar outras duas mais cabeludas (não é, Bolívia, Finlândia, França, Hungria e Suíça?).

Aproveitando a nota mais informal acima, não podemos deixar de referir aquelas buscas mais informais, brejeiras ou safadas a que estes balanços já nos habituaram, como agarramento, paquera (Áustria), apalpão (Austrália), sarro (Colômbia); anilha (Polónia), bujão (Andorra), cu (Brasil), traseiro (Chipre); grelinho (Chile), lasca (Dinamarca), pachacha (Finlândia), pepeca (Chile, Uruguai), xenhenhém (Costa Rica), xoxota (Índia); minete (Luxemburgo), siririca (Costa Rica); pica (Bermudas); felácio (Áustria), broche (Guatemala, Irlanda, Luxemburgo), bronha (Emirados Árabes Unidos), boquete (Canadá), boqueteiro (Irlanda), brochista (Roménia); tesão (Chile), tusa (Coreia do Sul), tesudo (Suíça, Uruguai); broxar (Canadá), curtir (Ucrânia), transar (Bangladeche, São Tomé e Príncipe), ménage (Brasil) ou swing (Tailândia).

Para nos redimirmos do parágrafo anterior, terminamos numa nota mais erudita, com o levantamento de pesquisas por latinismos, que se distribuíram pelos domínios académico, como numerus clausus (Angola) e data maxima venia (Brasil), jurídico, como res judicata pro veritate habetur (Angola), habeas corpus (Chile), ipso jure (Cuba) ou post factum (Japão), filosófico, como ad augusta per angusta e sapiens nihil affirmat quod non probet (Brasil), est modus in rebus (EUA), fas est et ab hoste doceri (Hungria), ubi veritas e audentes fortuna juvat (Luxemburgo), exegi monumentum aere perennius (Polónia), aut caesar, aut nihil (Timor-Leste) ou plurima mortis imago (Venezuela), a par de buscas mais gerais, como ab hoc et ab hac (Hungria) in extremis (Moçambique), ipsis verbis e ad vitam aeternam (Países Baixos), alea jacta est (Paraguai), fama volat (Sri Lanca) ou semper et ubique (Suíça). 


O ano de 2020 em palavras
No ano em que covid-19 passou a fazer parte do vocabulário de todos, a Priberam voltou a associar-se à agência de notícias Lusa para ilustrar algumas das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam em 2020.

No site O Ano em Palavras, é possível visualizar, cronologicamente, algumas das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam relativas à actualidade nacional e internacional de 2020, bem como as notícias e fotos dos eventos que originaram essas pesquisas e que marcaram o ano a nível político, económico, cultural e social.

Entre as mais de duas centenas de palavras que, devido ao elevado número de pesquisas diárias, ganharam destaque na nuvem do dicionário ao longo do ano e foram recolhidas para posterior selecção pelos editores da Lusa, é inevitável encontrar muitas que se referem directamente à covid-19, como assintomático, confinamento, coronavírus, pandemia (a mais pesquisada de todas), quarentena ou zaragatoa:

Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem alguns dos principais acontecimentos de 2020


Com este retrato de 2020 terminamos o balanço do ano no DPLP. A todos os consulentes, resta-nos agradecer terem estado desse lado e desejar buscas mais felizes em 2021.





Priberamt
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