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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mia Couto: 30 anos de vida literária



De 2 a 4 de Dezembro decorre, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, um colóquio dedicado aos 30 anos de carreira literária do escritor moçambicano Mia Couto.

O evento, organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas e pela Caminho, irá reunir especialistas na obra do autor, estando também previsto a inauguração de uma exposição, a exibição do filme O Último Voo do Flamingo e o lançamento do livro O menino do sapatinho.

Mais informação sobre o programa, aqui.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Agenda: III Congresso Internacional Fernando Pessoa



A terceira edição do congresso internacional Fernando Pessoa tem hoje início e decorre até dia 30 deste mês, no Teatro Aberto, em Lisboa.

O evento, organizado pela Casa Fernando Pessoa, comemora os 125 anos do escritor português com a presença de “investigadores, críticos, tradutores e criadores de variados países que encontram neste escritor universal alento e inspiração para os seus percursos académicos ou artísticos”.

Mais informações sobre o programa, aqui.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Agenda: Dia do Desassossego



Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar” é o lema da iniciativa criada pela Fundação José Saramago para comemorar a data de nascimento do escritor português, dia 16 de Novembro. 

Este ano, o Dia do Desassossego pretende pôr as pessoas a “ler nas praças e ruas de Lisboa, povoando-as da vida que os livros contêm”. Estão previstos vários eventos, como leituras de passagens de textos de Saramago e de outros autores portugueses, sessões de contos ou o percurso literário de O Ano da Morte de Ricardo Reis.

Mais informações sobre o programa, aqui.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Agenda: Herberto Helder - absurdité du centre, continuité du temps

No cinquentenário da publicação de Os Passos em Volta, de Herberto Helder, o Centre de Recherches sur les Pays Lusophones (CREPAL) organiza um colóquio internacional consagrado ao escritor português, nos próximos dias 14 e 15 de Novembro, em Paris. 

Mais informações sobre o programa (em francês), aqui.

(Retrato de Herberto Helder por Frederico Penteado/ Wikimedia Commons)

«-Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio… Enfim, Às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro… Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida… compreende?… a nossa vida, a vida inteira, está ali como… como um acontecimento excessivo… Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e a violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos? [...]»

Herberto Helder, "Estilo" in Os Passos em Volta, Lisboa: Assírio e Alvim, 1980, pp. 11-12.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Prémios

Celebramos a atribuição recente do prémio Fernando Namora ao escritor angolano José Eduardo Agualusa, do prémio Neustadt ao escritor moçambicano Mia Couto e do prémio José Saramago ao escritor angolano Ondjaki com algumas palavras dos autores:

(José Eduardo Agualusa, © Daniel Rocha)
«Sou um angolano de origem portuguesa – o que faz de mim quase um brasileiro, e há longos anos que me acho no papel de passageiro em trânsito pelos diferentes territórios onde prospera a nossa língua. Esta deriva, quase sempre feliz, tem contribuído para aumentar o meu interesse pela vida das palavras. [...]
Quanto mais me apaixono pela nossa língua, e mais me aproximo dela, melhor a vejo, inteira, na sua diversidade. A língua segue sendo uma só, embora rio de muitas águas, a cada dia mais largo e mais profundo.
Nunca como hoje houve tanta circulação de pessoas, de ideias, de palavras, no espaço da nossa língua. Nunca estivemos tão próximos como agora. São portugueses que emigram para Angola ou para o Brasil. Brasileiros que, tendo vivido longos anos em Portugal, regressam a casa. Brasileiros, por outro lado, a fixarem-se em Angola. Todo este trânsito vem democratizando ainda mais a língua comum. Não existe hoje um centro de poder. Portugal recebe tanto quanto dá. Jovens portugueses falam como angolanos. Angolanos apropriam-se de termos brasileiros. Muitas vezes não se trata sequer de importação, mas de regressos. 
O que eu amo, pois, é este idioma democrático, plurinacional, que a todos pertence e a todos igualmente se entrega e enriquece. Esta nossa Língua Geral.»

José Eduardo Agualusa, “Esta nossa Língua Geral” in Jornal de Letras, n.º 1082, 21-03 a 03-04 de 2012, pp. 8-9.


(Mia Couto, © Daniel Rocha)
«Estava já eu predisposto a escrever mais uma crónica quando recebo a ordem: não se pode inventar palavra. Não sou homem de argumento e, por isso, me deixei. Siga-se o código e calendário das palavras, a gramatical e dicionárica língua. Mas ainda, a ordem era perguntosa: "já não há respeito pela língua-materna?" [...]
Estraga-se a decência, o puro sangue do idioma. E porquê? Por causa dessas contribuições dispérsicas que chegam à língua sem atestado nem guia de marcha. Devia exigir-se, à entrada da língua um boletim de inspecção. E montavam-se postos de controlo, vigilanciosos.
Se forem criados tais postos eu mesmo me voluntario. Uma espécie de milícia da língua, com braçadeira, a mandar parar falantes e escreventes. A revistar-lhes o vocabulário, a inspeccionar-lhes o saco da gramática.
- Vem de onde essa palavra?
E mesmo antes da resposta, eu, arrogancioso:
- Não pode passar. Deixa ficar tudo aqui no posto.
Os queixosos, nas cartas dos leitores, reclamando. E eu, abusando dos abusos, rindo-me deles. Mas não me divertindo de alma inteira, não. Porque a vida é uma grande fábrica de imagineiros e há muita estrada para poucos postos vigilentos. [...]»

Mia Couto, “Escrevências desinventosas”, in Cronicando (Lisboa: Caminho, col. «Uma terra sem amos», n.º 52, 1991, pp. 167-169).


(Ondjaki, © Rui Gaudêncio)
«[...] depois das tempestades todas de ser para escrever, de escutar para recontar, de ir buscar no passado umas coisas tão lindas que não eram de ser estivadas, mas acariciadas – eram memórias de outras épocas que me chegavam pela voz da avó Agnette, e as lições da escola, e os autores que andavam a sonhar um [sic] língua de estrear novos ritmos, mais a máquina de escrever da minha mãe, e os rumores das estigas faladas, arremessadas contra a parede da nossa infância cheia de curvas – ritmo e cadências que haveria de ter que lembrar para pisar em frente na vida...
hoje que te vejo, senhora dona língua portuguesa, esse teu nome é plural…; de ti fizemos também corpo criativo – “língua desportuguesa”… – e com o carinho que te temos, se fosses uma velhinha acariciava-te as mãos e beijava-te os olhos mas, ah!, se habitasses o corpo de uma mulher madura dessas a que o sabor se pressente de olhos quietos, então confesso que a noite seria de amor. estranho amor. profundo amor.
depois dos contornos todos da palavra “travessia”, durante todas as “madrugadas”, entre “varanda e arejamento”, pisando “solidões”, tecendo “falésias” fecho os olhos e sorrio ao pensar que eu nasceria perto do teu corpo – outra e outra vez...»

Ondjaki, “Nome plural” in Jornal de Letras, n.º 1082, 21-03 a 03-04 de 2012, p. 14.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Diz que é uma espécie de dicionário on-line... chamado Priberam

Aquando da apresentação do seu último livro, Novíssimas Crónicas da Boca do Inferno, o humorista português Ricardo Araújo Pereira descreve um certo dicionário (perto do minuto 19, no vídeo abaixo):



«[...] Há um dicionário on-line que tem... A gente faz uma pesquisa e ele devolve o significado da palavra. A gente põe a palavra e ele devolve o significado da palavra e em baixo tem um gráfico com o número de vezes que a palavra foi pesquisada nos últimos meses. Quando a gente fez o programa, punha-se "esmiuçar" e aparecia 0 vezes nos últimos 24 meses. 4000 vezes na última semana! [...]»

Para quem teve dificuldade em identificar o dicionário, aqui fica uma imagem esclarecedora da funcionalidade "Histórico de pesquisas" do Dicionário Priberam ao serviço do humor:




quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Agenda: Dia António Lobo Antunes



«Os amigos não morrem: andam por aí, entram por nós dentro quando menos se espera e então tudo muda: desarrumam o passado, desarrumam o presente, instalam-se com um sorriso num canto nosso e é como se nunca tivessem partido. É como, não: nunca partiram.»
Visão, 23 de Novembro de 2012 

As palavras acima são do escritor português António Lobo Antunes, a quem é dedicada a iniciativa Dia António Lobo Antunes, que se realiza no próximo domingo, dia 27, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O evento, que é de entrada livre, irá reunir amigos e estudiosos da obra do autor. Mais informações sobre o programa, aqui.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Agenda: II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial


A Priberam é um dos patrocinadores da II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, que se realiza na reitoria da Universidade de Lisboa, nos próximos dias 29 e 30 de Outubro.

Subordinado ao tema “Língua Portuguesa Global – Internacionalização, Ciência e Inovação”, o evento irá debruçar-se sobre a afirmação do português em organismos internacionais, na divulgação científica e na comunicação digital.

Trata-se de uma iniciativa do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em parceria com o Instituto Camões, a CPLP e algumas universidades portuguesas, que irá reunir académicos e responsáveis políticos para debater e avaliar a aplicação do plano aprovado na conferência anterior, realizada no Brasil em 2010.

Para mais informações, consultar o programa disponível aqui.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dicionários nos Cadernos de Lanzarote

Imagem retirada do filme José e Pilar (2010), de Miguel Gonçalves Mendes.

A propósito da celebração dos 15 anos da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago, relembramos aqui duas passagens dos Cadernos de Lanzarote em que o autor fala sobre dicionários: 

“Não me lembro, desde que ando neste ofício, de ter dado tanto uso aos dicionários. E não é porque as dúvidas, agora, sejam mais frequentes ou mais incómodas que antes: o que sucede é que se vem tornando exigentíssima a necessidade de estar perto das minhas palavras.”
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário III, Lisboa: Círculo de Leitores, 1998, pp. 32-33. 


“É justa a alegria dos lexicólogos e dos editores quando, ao som dos tambores e das trombetas da publicidade, aparecem a anunciar-nos a entrada de uns quantos milhares de palavras novas nos seus dicionários. Com o andar do tempo, a língua foi perdendo e ganhando, tornou-se, em cada dia que passou, simultaneamente mais rica e mais pobre: as palavras velhas, cansadas, fora de uso, resistiram mal à agitação frenética das palavras recém-chegadas, e acabaram por cair numa espécie de limbo onde ficam à espera da morte definitiva ou, na melhor hipótese, do toque da varinha mágica de um erudito obsessivo ou de um curioso ocasional, que lhe darão ainda um lampejo breve de vida, um suplemento de precária existência, uma derradeira esperança. O dicionário, imagem ordenada do mundo, constrói-se e desenvolve-se sobre palavras que viveram uma vida plena, que depois envelheceram e definharam, primeiro geradas, depois geradoras, como o foram os homens e as mulheres que as fizeram e de que iriam ser, por sua vez, e ao mesmo tempo, senhores e servos.”
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário V, 4.ª ed., Lisboa: Caminho, 1998, p. 35.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Agenda: “Língua Portuguesa, Sociedade Civil e CPLP”



Realiza-se no próximo dia 11 de Outubro, na Universidade do Algarve, a conferência “Língua Portuguesa, Sociedade Civil e CPLP”. 

O evento, organizado pela Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa da CPLP, propõe-se discutir o papel das sociedades civis na promoção, divulgação e projecção da língua portuguesa.

Para mais informações, consultar o programa disponível aqui.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Aniversário Priberam: 24 anos



Hoje a Priberam comemora o seu 24.º aniversário!

Em mais um ano de trabalho, entre outras actividades, a Priberam reformulou alguns dos seus produtos e serviços para facilitar o acesso por meio de dispositivos móveis, como o LegiX para iPad ou o novo site do Dicionário Priberam para tablets e smartphones.

No campo da investigação em aprendizagem automática e processamento da língua natural, a Priberam viu o trabalho de um dos seus investigadores ser recompensado com o Prémio Científico IBM, patrocinou mais uma Lisbon Machine Learning School, organizou mais uma temporada de Priberam Machine Learning Seminars e aumentou a equipa de investigadores.

Por fim, a Priberam teve o seu "momento aha" e ultrapassou os 89 000 fãs no Facebook!

Venham daí essas prolfaças! Prolfaças para nós mas também para todos aqueles (clientes, parceiros, admiradores) que nos têm acompanhado e que, com os seus comentários, sugestões ou críticas, têm contribuído para a actualização e melhoramento dos nossos produtos e serviços.

Nova versão online do Dicionário Priberam

Já está disponível a nova versão do site do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Com um visual mais moderno e desafogado para facilitar a leitura e a compreensão do dicionário, inclui também informação adicional como, por exemplo, a visualização de anagramas, palavras relacionadas ou divisão silábica. 

Ao visual renovado alia-se a compatibilidade com dispositivos móveis, como tablets e smartphones, sobretudo porque tem vindo a registar-se um aumento claro da procura a partir desses dispositivos.

Dado que a maioria das consultas é feita de fora de Portugal, o dicionário foi também optimizado para corresponder melhor a esta sua vocação global, recorrendo a servidores localizados em diferentes países por forma a melhorar a velocidade de carregamento das páginas. 

A Priberam agradece o envio de críticas ou sugestões para dicionario@priberam.pt

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)

Prestamos homenagem ao escritor português Urbano Tavares Rodrigues, falecido hoje em Lisboa:


“– E que sentido tem a nossa vida?, que responsabilidade não será amanhã a nossa se ficarmos quietinhos a assistir ao descalabro, nesta grande prisão de gente bem comportada, que é, ao mesmo tempo, o palco de uma peça de Ionesco, onde se tomam a sério as maiores imbecilidades e o bem se confunde a todo o momento com a injustiça, com a hipocrisia?!”

Urbano Tavares Rodrigues, Terra Ocupada, Livraria Bertrand, 1964

terça-feira, 23 de julho de 2013

Lisbon Machine Learning School 2013


Amanhã tem início a terceira edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), escola de Verão intensiva que inclui aulas, laboratórios e palestras sobre aprendizagem automática.

A LxMLS 2013 conta com o patrocínio da Priberam e decorre até 31 de Julho, no Instituto Superior Técnico.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

FLiP 9


Aí está o novo FLiP, jovem e fresco, a celebrar 18 anos!

Na sua nona versão, o FLiP, pacote de ferramentas linguísticas da Priberam, destaca-se pela compatibilidade com o Windows 8 e o Microsoft Office 2013 / 365, pela versão redesenhada do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e por melhorias ao nível da hifenização e da correcção ortográfica e sintáctica.

Tal como já acontecia nas versões anteriores, o uso da grafia segundo o novo Acordo Ortográfico é opcional e são contempladas as variedades da língua portuguesa de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. 

O FLiP 9 está disponível para download e em CD a partir do dia 25 deste mês, pelo preço de 69,99 € (IVA incluído). Para quem tem o FLiP 6, o FLiP 7 ou o FLiP 8, está disponível, apenas por download, a versão de actualização pelo preço de € 48,99 (IVA incluído).

Para mais informações, consulte www.flip.pt.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O dicionário é mesmo irrevogável

Nos últimos dias, a vida política portuguesa tem estado buliçosa, com demissões e comunicados repentinos. Cientes desses factos, alguns consulentes do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, munidos de boas intenções e de verve, acharam que o dicionário devia ajustar-se à actualidade (via Twitter):


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Abrir um dicionário

Quem acompanha a Priberam sabe que a “Palavra do dia” é uma palavra que surge destacada na página do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP), sendo também publicitada diariamente no Facebook e no Twitter. As palavras do dia são, geralmente, palavras raras, curiosas ou pouco consultadas, às quais se procura dar algum destaque, nem que seja por um dia.

Como em qualquer dicionário de língua, porém, no DPLP também existem “palavras-defuntas”, aquelas que estão “ali paradinhas, quietas, mudas (no sentido literal e metafórico) porque não falam, ninguém fala por elas e ninguém as fala”. Quem assim as define é o escritor Gonçalo M. Tavares que, no texto que se transcreve abaixo, disserta sobre o papel dos dicionários:

«Uma palavra que durante décadas não seja utilizada na rua ou nos livros e permaneça apenas no dicionário tem um destino à vista: ser palavra-defunta. O dicionário pode ser visto, assim, como uma antecâmara da morte. Como se algumas palavras estivessem ali paradinhas, quietas, mudas (no sentido literal e metafórico) porque não falam, ninguém fala por elas e ninguém as fala – com se estivessem, então, ali em fila, em linha, à espera do seu próprio velório.
     Ou podemos então mudar radicalmente de ponto de vista: o dicionário, com os seus milhares e milhares de palavras, pode ser entendido como um depósito contra o esquecimento, um enorme arquivo. Eis, pois, um outro nome possível para o dicionário: instrumento para evitar o esquecimento.
   Imaginemos, por absurdo, que os dicionários desapareciam. Que uma qualquer ordem política determinava a sua destruição. Pois bem, seria uma matança. Em poucas décadas morreriam palavras como tordos. E se, no limite, não existisse qualquer livro, e ficássemos apenas […] com a linguagem das conversas rápidas, então o vocabulário ficaria reduzido ao mais essencial e mínimo: sim, não, comida, bebida, etc. Poderíamos assim, com a linguagem, expressar as necessidades do organismo mas certamente não as do espírito.
     Abrir o dicionário, pois, como ato de resistência e salvação: não vou ficar só com as palavras que ouço ou leio nos livros comuns – eis o que se poderia dizer. Abrimos ao acaso na página 310, e depois na página 315, sempre com a firme determinação de salvar duas ou três palavras de cada página. Como aquele que salva quem se está a afogar. E não é por acaso, aliás, que muitas das mitologias remetem o esquecimento para a imagem do rio. Uma água onde as coisas se afundam, deixam de ser vistas à superfície, desaparecem da vista. A passagem do rio utilizada também como metáfora do tempo que passa e leva e afunda as coisas que ainda há momentos estavam à nossa frente, bem vivas. Salvar palavras da água que engole e faz esquecer as coisas, eis o que é, em parte, abrir um dicionário.
     Dotados, então, de um espírito de nadador-salvador, abrimos ao acaso o dicionário e trazemos palavras mais ou menos raras – umas que já nadam há muito debaixo de água, com dificuldades, outras, mais resistentes, mais visíveis, mas ainda estimulantes (e algumas bem conhecidas dos nossos clássicos).
     Passemos pela letra M. Ao acaso e rapidamente.
     Morato – adjetivo que significa bem organizado.
     Maçaruco – (regionalismo) indivíduo mal trajado.
     Manajeiro – aquele que dirige o trabalho das ceifas ou outros.
     Metuendo – que mete medo; terrível; medonho.
     E tropeçamos depois em palavras de significado popular e óbvio, mas bem divertido:
     Mata-sãos: médico incompetente; curandeiro.
     Eis, pois, a partir daqui, uma frase possível que quase poderíamos introduzir numa conversa de café (uma frase em letra M):
     - O manajeiro metuendo, maçaruco, aproximou-se do morato espaço do mata-sãos e disse: por favor, aqui não, vá curar mais além.»

Gonçalo M. Tavares, Visão, 22 de Setembro de 2011

terça-feira, 19 de março de 2013

Lisbon Machine Learning School 2013



Irá decorrer em Lisboa, no Instituto Superior Técnico, entre 24 e 31 de Julho, a terceira edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), escola internacional de Verão sobre aprendizagem automática (“machine learning”, em inglês), que conta com o patrocínio da Priberam.

Organizada conjuntamente pelo Instituto Superior Técnico, pelo Instituto de Telecomunicações e pelo Spoken Language Systems Lab - L2F do INESC-ID, a LxMLS é uma escola de Verão intensiva que inclui aulas, laboratórios, palestras e que conta com a presença de oradores internacionais. 

A aprendizagem estatística a partir de conjuntos massivos de dados (“Learning with Big Data”, em inglês) é o principal tópico deste ano. 

Como nas edições anteriores, a LxMLS 2013 destina-se a estudantes, investigadores e profissionais das áreas de aprendizagem automática, linguística computacional, processamento automático da língua, com ou sem formação avançada nestas áreas. 

O prazo de candidatura para participar na LxMLS 2013 termina a 15 de Abril.

domingo, 3 de março de 2013

Pesquisas de domingo

O que deu hoje aos consulentes do Dicionário Priberam para a nuvem das palavras mais pesquisadas ter este aspecto?

(imagem captada em 03-03-2013)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Agenda: “A Sociedade Civil no Plano de Ação de Brasília”



Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 31, na Academia das Ciências de Lisboa, a conferência “A Sociedade Civil no Plano de Ação de Brasília”, que se irá debruçar sobre o ensino da língua portuguesa no mundo, sobre o papel da língua portuguesa na comunicação social e nas organizações internacionais e sobre a participação da sociedade civil na afirmação da língua portuguesa. 

Os temas em debate correspondem aos principais tópicos do “Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa”, que pretende consolidar estratégias para a promoção e para a difusão a língua portuguesa no mundo sem descurar o papel da sociedade civil.

A participação no evento é gratuita, mediante inscrição prévia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Priberam Machine Learning Lunch Seminars (4.ª série)



Começou hoje a quarta temporada dos Priberam Machine Learning Seminars, um espaço que promove a divulgação e o debate entre a academia e a indústria em diversas áreas relacionadas com a aprendizagem automática (machine learning).  

Os seminários, patrocinados pela Priberam, decorrem quinzenalmente à terça-feira, das 13h às 14h, no campus da Alameda do Instituto Superior Técnico (edifício de pós-graduação, sala PA2). Estão abertos a todos os que queiram participar (não é necessária inscrição) e disponibilizam uma refeição grátis aos participantes. Mais informação (em inglês), aqui.

Os interessados em assistir ou em fazer uma apresentação podem subscrever a lista de contactos enviando um email para seminarios-mlpb-request@freelists.org com “Subscribe” no campo 'Assunto' ou visitando a página da lista em http://www.freelists.org/list/seminarios-mlpb. A discussão relativa à organização dos seminários e ao calendário das apresentações será feita através da lista. Todas as sugestões são bem-vindas!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Números de 2012 (III)




Para finalizar os balanços de 2012 relativos ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, falta só referir o grande aumento de consultas provenientes de África

Com um aumento de 70% no número de visitas em relação ao ano anterior, Angola é o grande destaque. As palavras mais pesquisadas pelos visitantes angolanos no Dicionário Priberam foram inextricável, abichar e inefável

Moçambique triplicou o número de visitas e as palavras mais procuradas pelos visitantes moçambicanos foram aritmética, consistência e incorrer.

Cabo Verde duplicou o número de visitas e as palavras mais pesquisadas foram infortúnio, lambrim e salutar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Números de 2012 (II)


Após o balanço anterior, relativo ao número e proveniência de visita(nte)s aos sites da Priberam e do FLiP, é tempo de analisar as palavras que os consulentes do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa mais pesquisaram em 2012.

Dependendo do lado do Atlântico em que se esteja, a palavra mais pesquisada foi poder (em Portugal) ou nostalgia (no Brasil; esta é aliás uma pesquisa reincidente, pois nostalgia foi a palavra mais consultada em 2011). No segundo lugar, Portugal e Brasil coincidem nas buscas por paradigma. No terceiro lugar volta a haver divisão, pois Portugal preferiu lusa (feminino de luso) e o Brasil preferiu cognoscente. A maior curiosidade deste Portugal versus Brasil parece ser o facto de amor (palavra mais consultada em 2010) ser a 8.ª palavra mais pesquisada no Brasil mas apenas a 20.ª em Portugal, logo depois de puta... Serão efeitos da crise?

Ao esmiuçar algumas das palavras mais consultadas mensalmente em 2012, verifica-se que as pesquisas reflectem sobretudo os acontecimentos mais recentes dos dois lados do Atlântico (para saber quais, basta clicar nas palavras com hiperligação abaixo). 

Assim, em Janeiro, os consulentes portugueses tiveram uma epifania (2.ª) e foram procurar o significado de maçonaria (5.ª). Em Fevereiro, foram apelidados de piegas (6.ª) e puseram-se a olhar para o céu (3.ª). Em Março, questionaram o paradigma (1.ª) da equidade (9.ª). Em Abril, todos se renderam à clinomania (1.ª), palavra do dia escolhida pela equipa de linguistas da Priberam. Em Maio e em Junho, andaram às voltas com a verborreia (3.ª) de alguém. Em Julho, chegou a curica (1.ª), do Brasil. Em Agosto, juntou-se-lhe o peculato (1.ª). Em Setembro, muitos resolveram aprovisionar (1.ª). Em Outubro, alguns preferiram mitigar (9.ª). Em Novembro, os consulentes brasileiros surpreenderam com foleco (1.ª) e fulecar (6.ª). E em Dezembro, aproximando-se o fim do ano, foi a vez de fazer contas com cômputo (1.ª).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Números de 2012 (I)

A análise dos dados de acesso aos sites da Priberam1 e do FLiP2 relativos a 2012 não apresenta grandes alterações relativamente ao ano passado.

Quanto ao número de visitas e de visitantes, a principal diferença diz respeito ao aumento de acessos a partir de dispositivos móveis (smartphones e tablets), seja directamente aos sites, seja através das aplicações gratuitas disponibilizadas pela Priberam.

Quanto à proveniência, Brasil e Portugal mantêm a liderança por países e por cidades. Neste último caso, a principal novidade é o facto de Luanda, na posição n.º 64, quebrar a hegemonia luso-brasileira, sendo seguida depois por Macau (n.º 91) e Maputo (n.º 95).

Relativamente aos navegadores de Internet utilizados, o Chrome destronou pela primeira vez o Internet Explorer, que antecede o Firefox. Nos acessos por smartphones e tablets, o sistema operativo móvel mais utilizado foi o iOS, seguido de muito perto pelo Android e só depois pelo SymbianOS (Nokia), pelo Blackberry e pelo Windows Phone. Já nos acessos através das redes sociais, o Facebook ganhou claramente ao Blogger e ao Twitter no reencaminhamento de tráfego para o site da Priberam.

Por fim, e como curiosidade, a duração média das visitas ao site da Priberam foi de 4 minutos.






Priberam.pt
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