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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Perdida mente...



Relembramos hoje Florbela Espanca com o soneto “Amar!”, no dia em que se comemoram os aniversários do nascimento e da morte da poetisa portuguesa:


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca, Sonetos, 30.ª ed., Lisboa: Bertrand Editora, 1999, p.137



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