A par do dia das mentiras, hoje celebramos o aniversário do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que entra assim oficialmente na idade da adolescência. São 13 anos, uma bela dúzia de frade, que se traduzem em milhentas consultas, inúmeras inclusões e incontáveis sugestões de utilizadores. O resultado está à vista: o teenager Priberam é um dos 20 sites portugueses mais visitados, de acordo como o ranking auditado netAudience. No ano que passou, o Dicionário Priberam incorporou quase 2600 novos verbetes, mais de 4700 novas acepções, mais de 5000 sinónimos e mais de 700 antónimos. O resumo deste ano de vida pode ser visto através do balanço do ano passado ou do site O Ano em Palavras. Neste primeiro trimestre de 2022, o Dicionário Priberam contabiliza já mais de 59 milhões de consultas feitas por mais de 12 milhões de utilizadores. Muitas dessas buscas reflectem inevitavelmente o principal tópico do momento, a invasão russa da Ucrânia, como comprovam as buscas por desnazificar, oligarca, lei marcial ou cessar-fogo, por exemplo. A principal novidade (de Janeiro de 2022) é que o Priberam passou a incluir cerca de 11 000 entradas de nomes de aves, redigidas a partir da nomenclatura proposta (e gentilmente cedida) por Paulo Paixão em Os Nomes Portugueses das Aves de todo o Mundo: Projeto de nomenclatura (2.ª edição, a separata, n.º 1, suplemento d’«a folha» n.º 66 — Verão de 2021 [consultado em 20-01-2022]). Se a esta novidade juntarmos a quantidade de fotos que já reúne para algumas aves, como a de cegonha-de-bico-amarelo ou tântalo-africano abaixo, é caso para questionar se o jovem Priberam não estará a criar um hobby, o de observador de pássaros...
Teve início no passado dia 8 a 13.ª temporada dos seminários de aprendizagem automática promovidos pela Priberam. Como é habitual, os seminários ocorrem quinzenalmente, à terça-feira, das 13h às 14h, e são um ponto de encontro para a apresentação e para a discussão de vários tópicos relacionados com a aprendizagem automática. Os seminários são organizados pelos Priberam Labs e, tal como na temporada anterior, irão decorrer remotamente (via Zoom) e, por essa razão, sem a habitual distribuição de almoço grátis. Mais informações aqui (em inglês).
Dados gerais O ano de 2021, o segundo passado em pandemia da covid-19, confirmou a tendência de crescimento do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que contabilizou 50 milhões de utilizadores (mais 5 milhões relativamente ao balanço de 2020), os quais foram responsáveis por mais de 265 milhões de pesquisas. A par deste aumento de 11% no número de utilizadores, o Dicionário Priberam manteve a posição entre os 20 websites portugueses incluídos no ranking auditado netAudience, tendo chegado à 2.ª posição em termos de alcance nos acessos a partir de computadores. No balanço geográfico, o Brasil manteve-se na liderança por país em número de acessos ao Dicionário Priberam. A principal diferença em relação ao ano anterior é que Luanda destronou Brasília e passou para o quinto lugar nos acessos por cidade. Quanto ao trabalho de actualização do dicionário, foram redigidos quase 2600 novos verbetes, criadas mais de 4700 novas acepções, adicionados mais de 5000 sinónimos e mais de 700 antónimos.
Palavras mais pesquisadas Em Portugal, a palavra mais pesquisada foi verbatim, no Brasil foi hidratação e, no cômputo geral, a palavra mais pesquisada no Dicionário Priberam em 2021 foi sadomasoquismo. O que se pode dizer sobre estas três pesquisas em particular? Não muito, a não ser que tempos difíceis geram buscas difíceis de explicar... Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2021 Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram latrocínio (Angola), resiliência (Cabo Verde), excursar (Guiné-Bissau), catingar (Moçambique), receção (São Tomé e Príncipe) e delicada (Timor-Leste).
Volta ao mundo Se 2020 deu ao mundo o termo covid-19 e as suas consequências, o que nos trouxe 2021, o ano II da pandemia? Vamos tentar descobrir, a partir de pesquisas feitas no Dicionário Priberam por consulentes das mais diversas proveniências, indicadas entre parêntesis. Em 2021, os efeitos da covid-19 nas pesquisas do Priberam fizeram-se notar nas buscas já habituais, como coronavírus (Reino Unido), confinamento (Marrocos), comorbidade (Finlândia), comorbilidade (Guatemala, Hungria, Líbano e Suécia), entubar (Hungria), surto (Chile) ou zaragatoa (Países Baixos), bem como em buscas novas, como estirpe (Bulgária), testagem e virologista (África do Sul), profilático (Canadá e Índia), moratória (Austrália e Suíça) ou postigo (curiosidade: a par das buscas em Portugal, a diáspora no Luxemburgo, no Reino Unido e na Suíça também contribuiu para fazer de postigo uma das palavras mais pesquisadas no Priberam, como indica a figura 1 acima). Considerando que a vacinação foi uma das consequências da covid-19, não são de estranhar as buscas por pica (Bulgária e Suíça), por vacinal (Peru) ou por belonofobia (outra curiosidade: o medo patológico de agulhas deve estar presente em várias regiões, mas só de Macau nos chegou esta pesquisa). Depois de um primeiro ano de pandemia que causou tanta clausura (Jérsia), desgraceira (África do Sul) e desgrama (Argentina), seria de esperar a bonança. Não foi o que aconteceu: o caiporismo (Colômbia) e o enguiço (Suíça) mantiveram-se e o mundo continuou num frenesim (Iraque), numa roda-viva (México), com desassossego (Brasil), stresse (China), transtorno (Serra Leoa), arrelias (Suriname), carrancas (Estados Unidos), grilhetas (São Tomé e Príncipe), macas (Peru), mazelas (Singapura) e mais ais (Argentina). Alguns consulentes do Priberam podem ter ficado fartos de passar as passas do Algarve (África do Sul e Jérsia) ou de estar em águas de bacalhau (Rússia), à espera de ver o desfecho (Maláui) desta mesmice (Roménia) que nos continua a martirizar (Quénia), que nos deixa com os nervos à flor da pele (China) ou nos faz perder as estribeiras (Luxemburgo). O ano de 2021 foi danado (Líbano) para uns, misérrimo (Costa Rica) para outros, um ano do qual ninguém quer um bis (Geórgia), ao qual apeteceu fazer um manguito (África do Sul) e para o qual foi preciso ter pedalada (Malta). Foi também preciso continuar a ter genica (Finlândia), a ser resiliente (Albânia), combativo (Alemanha), audaz (São Tomé e Príncipe) e mais sage (Bósnia e Herzegovina) para manter a sanidade (Noruega) e a saúde (Países Baixos), pois cuivis dolori remedium est patientia (Usbequistão), que é como quem diz, em latim, a paciência é o remédio de todas as dores. É por isso normal que haja quem se possa ter sentido um tanto almareado (Honduras), apardalado (Guiné-Bissau), aparvalhado (Alemanha), azoado (Egipto), chalupa (Hungria e Luxemburgo), tresloucado (Irlanda) ou até puto (Lituânia). É igualmente normal ter havido buscas por palavras mais expressivas para dar conta desse marasmo (Espanha), como as interjeições ai (Senegal), bolas (Áustria e Timor-Leste), caraças (Paraguai e Timor-Leste), caramba (Japão), caneco (Venezuela), catano (República Checa), meu deus (Paraguai e Ucrânia) ou puxa (Guiné-Bissau). Tal como já tinha acontecido no ano anterior, e provavelmente pelas mesmas razões, em 2021 houve consulentes do Dicionário Priberam querentes (Alemanha) de carinho (Israel, Luxemburgo, São Tomé e Príncipe), borogodó (Japão), colinho (Argentina e Peru), paparico (Austrália), de cafuné (França, Itália, Luxemburgo e Suécia) ou de um abraço (Porto Rico), um candando (Bélgica) ou chi-coração (Suíça). Houve também consulentes com gana (Rússia) de bazar (Países Baixos), desopilar (Malásia), gazetar (África do Sul), sassaricar (Uruguai), sextar (México) e consulentes augados (Bélgica) por agito (Chipre), desbunda (Peru), gandaia (Cabo Verde e Turquia) ou ziriguidum (Porto Rico). Nas buscas por comes e bebes, um tema incontornável nas buscas no Priberam, houve uma maior procura por “comes” de fast-food (Irlanda), como cachorro-quente (Polónia), hambúrguer (Luxemburgo e Polónia), pizza e sorvete (Polónia) ou sandes (Angola), a par de “comes” mais tradicionais, como artelete (São Tomé e Príncipe), brindeiro (Egipto), ensopado de frango (Venezuela), falacha (Luxemburgo), filhó (Peru), quibebe (Itália), presunto (China), sardinhada (Guiné-Bissau) ou xiró (Moçambique). Também houve maior diversidade de “bebes”, como champanhe (Macau), chope (Japão), galão (México), cimbalino e jeropiga (Timor-Leste), goró (Costa Rica), mate (Hungria) ou rascante (República Checa) e até de locais que os servem, como boteco (Reino Unido), botequim (Peru) ou padoca (Argentina). É caso para dizer que, se houver alguém esganado (Nova Zelândia) de fome ou com larica (Paraguai), basta ir ao Priberam debicar (Finlândia), emborcar (Polónia) ou lambiscar (Itália) algo. E o que pode acontecer depois de se comer ou beber à fartazana (França)? Talvez um piriri (Canadá) ou, quem sabe, uma bezana (Suíça) ou mona (Kuwait), logo seguida de uma ressaca (Macau) ou babalaza (Moçambique). Naquele que é outro foco habitual das buscas dos nossos consulentes, o que abarca os domínios da concupiscência (Canadá), da galderice (Senegal), do sexo (Iémen), da taradice (Itália) e afins, as buscas foram para todos os gostos e incluíram, por exemplo, brasa (Gana), giraço (Luxemburgo), gostosão (Noruega), sexy (Somália); fetiche (Espanha e Sudão), hard-core (Japão), pornografia (Costa Rica e São Tomé e Príncipe), prostíbulo (Bulgária, Chipre e Paraguai), putaria (Vietname), putedo (Irlanda); brioco (Canadá e Japão), bunda (França), butico (Austrália e Chipre); pilinha e rabo (Macau), piço (Luxemburgo), giromba (Paraguai), tintim (Itália); broche (Andorra e Argélia), onanismo (El Salvador); boceta (Hungria), pito (África do Sul), racha (Suécia), xaxa (Polónia), xereca (Luxemburgo e Uruguai), xibiu (Panamá), xoxota (Coreia do Sul); amasso (Bélgica, Chipre e Luxemburgo), chocho (Hungria), cantada (Moçambique), paquera (Bolívia, Sérvia e Tunísia), ficar (México), xavecar (Argentina); esbórnia (Hungria), suruba (Dinamarca) ou troca-troca (Indonésia).
O ano de 2021 em palavras No segundo ano da era pandémica, a Priberam voltou a associar-se à agência Lusa para ilustrar com imagens e notícias algumas das palavras que, em algum momento, estiveram em destaque na nuvem do Dicionário Priberam em 2021. No site O Ano em Palavras, é possível visualizar, cronologicamente, 24 palavras pesquisadas no Dicionário Priberam relativas à actualidade nacional e internacional de 2021, bem como as notícias e fotos dos eventos que originaram essas pesquisas e que marcaram o ano a nível político, económico, cultural e social. Entre as cerca de duas centenas de palavras que, devido ao elevado número de pesquisas diárias, ganharam destaque na nuvem do dicionário e foram recolhidas ao longo do ano para posterior selecção, é inevitável encontrar muitas que se referem, directamente ou indirectamente, à pandemia da covid-19, como (as)síncrona, comorbilidade, obscurantismo e, claro, ómicron. Outras, como elegível ou chumbo, prendem-se com determinados momentos políticos, havendo ainda aquelas que foram pesquisadas em momentos de catástrofes naturais, como glaciar ou erupção, ou de crise, como capitólio ou talibã. Da lista destas palavras que, em algum momento, estiveram em destaque na nuvem do Dicionário Priberam, a mais pesquisada foi genocida, motivada por protestos contra o presidente brasileiro: Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem alguns dos principais acontecimentos de 2021 Com este retrato de 2021 terminamos o balanço do ano no Dicionário Priberam. Será caso para dizer quam multa quam paucis (Nigéria), locução latina que significa "quantas coisas em tão poucas [palavras]". A todos os consulentes, resta-nos agradecer terem estado desse lado e lembrar que fugit irreparabile tempus (Ucrânia), latim para “foge o irreparável tempo”, ou seja, o tempo que passa não volta mais e não o devemos desperdiçar em futilidades (como este texto), pelo que o melhor mesmo é carpe diem (Hungria), aproveitar o dia!
«E não haver gestos novos nem palavras novas!» Florbela Espanca, Diário do Último Ano, 2.ª ed., Lisboa: Bertrand, 1982, p. 61
É talvez por compreender o desalento da poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) que o Dicionário Priberam, apesar da covid-19, do confinamento ou do teletrabalho, cumpriu mais um ano de partilha diária de palavras que podem ser novas (muitas sê-lo-ão garantidamente, outras, nem tanto) para muitos de nós. O Dicionário Priberam não se deixou abalar pelos efeitos da pandemia e prosseguiu na partilha diária de termos maioritariamente raros, curiosos, pouco usados, caídos no esquecimento ou com ligação a eventos da actualidade. Há 12 anos que o Dicionário Priberam divulga diariamente uma palavra “nova”, nem que o seja só por um dia, na sua página online e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram). Desde 2019 que a “palavra do dia” do Priberam é divulgada também no programa de rádio “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da cabo-verdiana Rádio Morabeza e, desde 2020, no programa “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.
Não há que ter pejo em dizê-lo: o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa está um ano mais velho e um pouco mais anafadinho. No passado dia 1 de Abril, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa comemorou 12 anos de vida (não é peta, o aniversário do dicionário online da Priberam é mesmo no dia das mentiras), sem grandes celebrações por respeito às medidas de confinamento no âmbito do combate à pandemia da covid-19. Para os mais curiosos, é possível ter uma ideia sobre o que aconteceu em mais um ano de vida do Dicionário Priberam através do balanço do ano passado ou do site O Ano em Palavras. Quanto ao facto de o Dicionário Priberam estar mais anafado, a culpa não é do confinamento, mas dos mais de 2200 novos verbetes que passou a registar em 2020. Só no primeiro trimestre deste ano, foram já adicionados 592 verbetes. Muitas das inclusões recentes reflectem novos termos associados à covid-19 ou à área da medicina em geral (como aeromédico, antiescaras, aquarentenar, autoteste, borderline, imunotolerante, oncogenicidade, porta-máscara, salva-orelhas, uranálise ou virtópsia), gentílicos (como avisense, baleárico, cratense, diliense, monfortense, nisense, ouriquense, pinhelense, rio-tintense, sabugalense ou velense) ou termos de outras áreas (como antifraude, braquiação, coluvial, deotropismo, encorricado, gamer, heterocaracterização, indo-pacífico, jurubita, luso-senegalês, misofilia, narcossubmarino, párodo, ressemantização, sinequismo, trapudo, uado, verrumante ou xamânico), para mencionar apenas algumas das quase seiscentas novas entradas deste ano. No que diz respeito a buscas, no primeiro trimestre de 2021, o Dicionário Priberam foi consultado por mais de 14 milhões de utilizadores, os quais fizeram mais de 78 milhões de pesquisas, valores que correspondem a um crescimento de cerca de 30% relativamente ao mesmo período do ano passado. A palavra mais pesquisada durante este período foi postigo, por razões relacionadas com as regras para o comércio durante o confinamento. Presente desde Maio de 2020 no ranking auditado netAudience, sistema de classificação que mede a audiência da Internet mensalmente, o Dicionário Priberam ocupava em Fevereiro a 13.ª posição na lista dos 20 sites portugueses mais visitados:
Tem início amanhã, dia 9, a 12.ª temporada dos seminários de aprendizagem automática patrocinados pela Priberam. Como é habitual, os seminários ocorrem quinzenalmente, à terça-feira, das 13h às 14h, e são um ponto de encontro para a apresentação e a discussão de vários tópicos relacionados com a aprendizagem automática. Tal como na temporada anterior, por restrições relacionadas com a COVID-19, os seminários irão decorrer remotamente (via Zoom) e sem a habitual distribuição de almoço grátis. Mais informações aqui (em inglês).
Dados gerais Em 2020, ano de confinamento, de quarentena, de teletrabalho e de telescola devido à pandemia da covid-19, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (DPLP) registou um aumento muito significativo de pesquisas, subindo para 45 milhões o número de utilizadores (mais 7 milhões do que no ano anterior), os quais geraram 261 milhões de pesquisas, quase o dobro das pesquisas registadas em 2019.
Talvez por essa razão, 2020 foi também o ano em que o site do Dicionário Priberam passou a integrar, desde Maio, o ranking auditado netAudience, um sistema de classificação que mede a audiência da Internet e que regista os 20 sites portugueses mais visitados em cada mês.
No balanço geográfico, destacam-se, por país, Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e EUA, com a liderança por cidade a pertencer a Lisboa, Porto, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
No que diz respeito ao trabalho de actualização do DPLP, o ano transacto foi bastante produtivo, já que foram redigidos mais de 2200 novos verbetes, criadas perto de 6000 novas acepções e adicionados quase 9000 sinónimos e cerca de 2000 antónimos.
Palavras mais pesquisadas Em Portugal, mitigação, que se destacou logo no primeiro trimestre de 2020, permaneceu no topo das pesquisas o tempo suficiente para se tornar a palavra mais pesquisada do ano. No Brasil, a palavra mais pesquisada em 2020 foi relicário (alvíssaras a quem nos ajudar a perceber porquê!). No cômputo geral, a palavra mais pesquisada de 2020 no DPLP foi também mitigação, tal foi o desejo de ver mitigada a pandemia.
Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2020
Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram resolução (Angola), jus (Cabo Verde), antecessor (Guiné-Bissau), juro (Moçambique), masoquista (São Tomé e Príncipe) e despesas (Timor-Leste).
Volta ao mundo Há várias maneiras de caracterizar o ano de 2020. Vejamos algumas, a partir das muitas pesquisas no DPLP feitas por consulentes de diversas proveniências, que confirmam que nenhuma parte do mundo escapou ao tema da covid-19.
Pode descrever-se 2020 como um ano austero (França), cinzento (México), desarmante (Roménia), horripilante (Ucrânia), instável (Costa Rica), lúgubre (Paraguai), taciturno (Gibraltar), tempestuoso (Hong Kong terá tido outras razões além da covid-19 para esta busca) ou até tumultuário (Chipre), mas sabe melhor descrevê-lo como quilhado (Alemanha), chanfrado, marado, sacana ou mesmo cabrão (a Roménia entusiasmou-se...). Isto porque 2020 foi o ano do coronavírus, ou melhor, do dito-cujo (Hungria), mas também um ano do capeta (São Tomé e Príncipe) ou do chifrudo (Chile)!
Para alguns, 2020 foi uma hecatombe (Cabo Verde, Roménia), um cataclismo (São Tomé e Príncipe), uma catástrofe (Timor-Leste), um flagelo ou um pandemónio (Guiné-Bissau), uma intempérie (Macau), um caos (Países Baixos), uma praga (Hungria e Itália), um drama (Suriname), um fardo (Itália) ou até uma chatice (Emirados Árabes Unidos), um perrengue (Argentina, Equador, Nova Zelândia, Uruguai).
Para outros ainda, 2020 foi um ano que, quase de certeza, fez alguém barafustar (Cabo Verde), atarantar-se (EUA), flipar (Roménia) ou tripar (Argélia). Foi também o ano em que, justificadamente, alguém se pode ter sentido anacoreta (Canadá, Emirados Árabes Unidos), eremita (Equador), chateado (Colômbia), jururu (Itália), carrancudo (Irlanda), piurso (Suíça) ou mesmo ao deus-dará (Espanha).
Face a este cenário de 2020, não admira que, na figura 1 acima, se destaque resiliência, (já nossa conhecida de balanços anteriores), como uma das palavras mais pesquisadas em Portugal e no cômputo geral. É provável que as razões que fizeram aumentar a procura por resiliência justifiquem também as buscas por bom senso (Brasil), calma (Camboja), estoicismo (Timor-Leste) ou por benevolência (Espanha), camaradagem (Japão), compaixão (Suécia), empatia e porto seguro (Brasil).
Por ter sido o ano que foi, é natural que 2020 também tenho feito disparar as buscas por colinho e amor (Paraguai), cafuné (Colômbia), aconchego (Espanha), xodó (Vietname) e, claro, saudade (Canadá, Colômbia, Espanha, Eslovénia, Nova Zelândia, Polónia).
O confinamento de 2020 teve várias consequências, uma das quais parece ter sido uma maior dedicação à arte da culinária. Isso reflectiu-se também nas buscas do DPLP que quase davam para abastecer uma secção de secos e molhados (Nova Zelândia). Optamos por destacar as pesquisas patê, esparguete, pimento, pastinaga, hambúrguer, picante e gasosa, pois com elas o Vietname quase compôs uma refeição (só faltou o cafezinho, mas, dessa busca, encarregou-se a República Checa). Como as buscas por pratos culinários, alimentos, ervas e temperos, sobremesas e bebidas foram tantas e tão variadas, é natural encontrar também buscas por empanturrado (Marrocos, Suécia), gastura (Paraguai) ou apepsia (Nepal).
Outra consequência do confinamento parecer ter sido o interesse por aquelas coisas que ficaram mais difíceis de fazer em 2020, como ramboiada (Eslováquia), moina, vida airada (Luxemburgo) ou até bilhardar (Luxemburgo) e mujimbar (Chile).
Compreensivelmente, e por tudo o que se disse acima, 2020 foi um ano digno de inúmeras interjeições, como caraças (Espanha e Suíça), carago (Sri Lanca), meleca (Itália), lagarto, lagarto (Alemanha), vade-retro (Israel), poça (França) ou até porra (Hungria), para não mencionar outras duas mais cabeludas (não é, Bolívia, Finlândia, França, Hungria e Suíça?).
Aproveitando a nota mais informal acima, não podemos deixar de referir aquelas buscas mais informais, brejeiras ou safadas a que estes balanços já nos habituaram, como agarramento, paquera (Áustria), apalpão (Austrália), sarro (Colômbia); anilha (Polónia), bujão (Andorra), cu (Brasil), traseiro (Chipre); grelinho (Chile), lasca (Dinamarca), pachacha (Finlândia), pepeca (Chile, Uruguai), xenhenhém (Costa Rica), xoxota (Índia); minete (Luxemburgo), siririca (Costa Rica); pica (Bermudas); felácio (Áustria), broche (Guatemala, Irlanda, Luxemburgo), bronha (Emirados Árabes Unidos), boquete (Canadá), boqueteiro (Irlanda), brochista (Roménia); tesão (Chile), tusa (Coreia do Sul), tesudo (Suíça, Uruguai); broxar (Canadá), curtir (Ucrânia), transar (Bangladeche, São Tomé e Príncipe), ménage (Brasil) ou swing (Tailândia).
Para nos redimirmos do parágrafo anterior, terminamos numa nota mais erudita, com o levantamento de pesquisas por latinismos, que se distribuíram pelos domínios académico, como numerus clausus (Angola) e data maxima venia (Brasil), jurídico, como res judicata pro veritate habetur (Angola), habeas corpus (Chile), ipso jure (Cuba) ou post factum (Japão), filosófico, como ad augusta per angusta e sapiens nihil affirmat quod non probet (Brasil), est modus in rebus (EUA), fas est et ab hoste doceri (Hungria), ubi veritas e audentes fortuna juvat (Luxemburgo), exegi monumentum aere perennius (Polónia), aut caesar, aut nihil (Timor-Leste) ou plurima mortis imago (Venezuela), a par de buscas mais gerais, como ab hoc et ab hac (Hungria) in extremis (Moçambique), ipsis verbis e ad vitam aeternam (Países Baixos), alea jacta est (Paraguai), fama volat (Sri Lanca) ou semper et ubique (Suíça).
O ano de 2020 em palavras No ano em que covid-19 passou a fazer parte do vocabulário de todos, a Priberam voltou a associar-se à agência de notícias Lusa para ilustrar algumas das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam em 2020.
No site O Ano em Palavras, é possível visualizar, cronologicamente, algumas das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam relativas à actualidade nacional e internacional de 2020, bem como as notícias e fotos dos eventos que originaram essas pesquisas e que marcaram o ano a nível político, económico, cultural e social.
Entre as mais de duas centenas de palavras que, devido ao elevado número de pesquisas diárias, ganharam destaque na nuvem do dicionário ao longo do ano e foram recolhidas para posterior selecção pelos editores da Lusa, é inevitável encontrar muitas que se referem directamente à covid-19, como assintomático, confinamento, coronavírus, pandemia (a mais pesquisada de todas), quarentena ou zaragatoa:
Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem alguns dos principais acontecimentos de 2020
Com este retrato de 2020 terminamos o balanço do ano no DPLP. A todos os consulentes, resta-nos agradecer terem estado desse lado e desejar buscas mais felizes em 2021.
Nem no período das férias os consulentes tiram férias do Dicionário Priberam. Carlos Pereira é um auto-intitulado “estafeta do humor”, que entrega piadas em forma de texto, vídeo, áudio e, intitula agora a Priberam, de definição lexicográfica, como se pode ver pela descrição do seu Varandim no YouTube: As três primeiras definições do varandim acima são, ipsis litteris, do Priberam, mas a última é, claramente, um saudável devaneio lexicográfico.
Está aberta a 10.ª edição da Lisbon Machine Learning School (LxMLS), a escola de Verão sobre aprendizagem automática. Este ano, devido a condicionamentos decorrentes da COVID-19, a escola é virtual e pode ser acompanhada online em live streaming.
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