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quarta-feira, 8 de abril de 2026

17.º aniversário da “Palavra do dia”

 «[...] 
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

[...]»
Carlos Drummond de Andrade, A Rosa do Povo, São Paulo: Companhia das Letras, 2012, pág. 12.


Neste excerto do poema “Procura da Poesia”, o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) convida o leitor a penetrar no “reino das palavras”, onde os poemas, “sós e mudos, em estado de dicionário”, aguardam para ver a luz do dia. A palavra do dia do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa também exorta à entrada nesse reino das palavras, sobretudo das que há muito estão paralisadas, sós e mudas nos dicionários. A iniciativa, que conta 17 anos de vida, destaca todos os dias uma palavra rara, curiosa, pouco usada, nova ou caída no esquecimento, como as da imagem abaixo, para que os consulentes do Dicionário Priberam possam chegar mais perto das palavras, descobrir as suas “mil faces secretas sob a face neutra” e responder mais facilmente à pergunta “Trouxeste a chave?” que cada palavra faz.

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, Bluesky e TikTok), sendo também divulgada na Rádio Morabeza.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

17.º aniversário do Dicionário Priberam

Em dia de celebração das mentiras, celebramos também mais um aniversário do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Não estamos a ser potoquistas, hoje o Dicionário Priberam sopra 17 velas! Foi mais um ano de consultas e de esclarecimento de dúvidas, em que o Dicionário Priberam incorporou também mais de 6500 novas entradas, mais de 7300 novas acepções, quase 8000 sinónimos, mais de 8100 etimologias, quase 1000 indicações de colectivos e mais de 800 imagens na ilustração das suas definições.

O retrato de grande parte deste ano de vida pode ser visto através do balanço feito pelo site O Ano em Palavras, que apresenta algumas das pesquisas que os consulentes do Dicionário Priberam fizeram ao longo de 2025, associadas a conteúdo dos repórteres fotográficos e dos jornalistas da agência de notícias Lusa, que dão contexto a cada uma das palavras pesquisadas.


quinta-feira, 5 de março de 2026

António Lobo Antunes (1942-2026)


Prestamos homenagem ao escritor António Lobo Antunes, hoje falecido, com um trecho sobre a arte de escrever, que ele tão bem dominou, e outro sobre a sua obra:


"Estou para aqui a queixar-me mas não trocava este trabalho por nenhum outro: tudo começa, muito devagarinho, a palpitar de vida e eu, ao mesmo tempo fora e dentro da página, avanço como posso, a dançar, a dançar. Ainda por cima está sol, vejo as gaivotas na janela, vejo o lado oposto do rio, vejo o bico da esferográfica a comer papel, vejo as folhas do bloco que se vão enchendo de palavras por enquanto trémulas, inseguras, apoiadas em bengalas de consoantes que vacilam. Que trabalho mais fascinante este, assistir ao nascimento de sei lá o quê que não entendo bem de onde vem, de uma zona minha cheia de trevas mas com um riso de criança lá dentro. Apesar da angústia que traz consigo há não sei quê de divertidamente apaixonante na composição de um livro. Escreve-se numa espécie de estado segundo, a flutuar, tudo é ao mesmo tempo denso e leve, resistente e submisso, impossível e fácil. Era o que faltava que me deixasse vencer. A única questão complicada é que é perigoso, não existe rede por baixo como têm os trapezistas."
in https://visao.pt/opiniao/a/antonio-lobo-antunes/2018-05-17-embrulhem-e-vao-buscar/ 


"Portanto a única coisa que quero que fique de mim são os romances, a começar em Memória de Elefante e a terminar no último dos três que me falta compor. Tenho um alto conceito da minha obra, não conheço outra assim embora não me creia vaidoso. Trabalhei como um danado, diariamente, anos a fio, de modo que me sinto no direito de repetir a frase de Bocage, depois de dizer aos outros um poema seu:

– Isto é meu, isto não morre

que é a única eternidade a que posso aspirar e que, de qualquer maneira, não me servirá de nada."
in https://visao.pt/opiniao/ponto-de-vista/2018-12-27-os-livros-nos-4-cronicas-pequeninas/ 


terça-feira, 8 de abril de 2025

16.º aniversário da “Palavra do dia”

 «[...]
- O Sr. já reparou bem num dicionário?... Num dicionário qualquer?... No de Morais, por exemplo... Ou no do povo... (Tanto faz!...) Já reparou?...
Eu esperei pela sequência do discurso. A aproveitar aquela mandriice tão boa de ter alguém a raciocinar por mim.
- Já reparou?... Pois a mim faz-me lembrar, sabe o quê?... Um jazigo de família. Ou melhor: um jazigo de nação. Uma espécie de mausoléu de papel, onde gerações de gatos-pingados empilharam séculos e séculos de palavras, algumas já definitivamente mortas, cobertas de bichos e de coroas saudosas... Outras vasquejaram nos últimos estremeções... E muitas, apenas em estado cataléptico, à espera de um toque de dedos para regressarem à monotonia da vida diária... A este maldito bolor, onde utilizamos ao todo quantas palavras vivas - diga-me lá quantas? Quinhentas? Mil?... Nem tantas, talvez!
Garanto-lhe que, em certos dias, quando subo o Chiado... ou entro num café da Baixa... e ouço essa gente parda a repisar, de manhã à noite, os mesmos termos... as eternas expressões... os substantivos inevitáveis... os adjectivos fatais... e o verbo ser, o verbo haver, e o verbo ter, e o verbo fazer... sabe o que me apetece?... Saltar para cima de uma mesa ou de um marco postal e gritar furioso aos homens: não deixem morrer as palavras, assassinos! Não deixem morrer as palavras!
[...]»
José Gomes Ferreira, Gaveta de Nuvens, Lisboa: Diabril, 1975, p. 235.


O trecho acima, do escritor português José Gomes Ferreira (1900-1985), brinda-nos com o abespinhamento de um aguardentado explicador de português a propósito de “gente parda a repisar, de manhã à noite, os mesmos termos, as eternas expressões”, a par do “jazigo de nação” contido nos dicionários. Se fosse hoje, será que o dito explicador de português teria reparado bem no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e no que ele faz diariamente para não deixar morrer as palavras? Teria ele reparado bem na palavra do dia do Dicionário da Priberam, iniciativa que hoje comemora mais um aniversário? Há dezasseis anos que uma geração de “gatos-pingados” linguistas revira “mausoléus de papel” com “séculos e séculos de palavras [...] à espera de um toque de dedos para regressarem à monotonia da vida diária” para destacar, nem que seja por um dia, um termo maioritariamente raro, curioso, pouco usado, caído no esquecimento ou mesmo moribundo, como alguns dos que foram partilhados neste último ano:


A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, Bluesky e TikTok), sendo também divulgada em programas radiofónicos da Rádio Morabeza e da Rádio Voz de Alenquer.

terça-feira, 1 de abril de 2025

16.º aniversário do Dicionário Priberam


Hoje, dia das mentiras, é dia de celebrar a mendácia mas, por aqui, é dia de celebrar mais um aniversário do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. No seu 16.º ano de vida, o Dicionário Priberam acolheu mais de 4800 novos verbetes, 5600 novas acepções, 6550 sinónimos, 6500 etimologias e incorporou mais de 800 imagens na ilustração das suas definições.

O retrato de grande parte deste ano de vida pode ser visto através do balanço feito pelo site O Ano em Palavras, que apresenta algumas das pesquisas que os consulentes do Dicionário Priberam fizeram ao longo de 2024, associadas a conteúdo dos repórteres fotográficos e dos jornalistas da agência de notícias Lusa, que dão contexto a cada uma das palavras.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

500.º aniversário de Luís de Camões

 

Luís de Camões, Rimas, Lisboa: Livraria Almedina, 1994

Este ano celebra-se o quingentésimo aniversário do nascimento do poeta português Luís de Camões (1524-1580), autor do soneto acima. Nele, o eu poético amaldiçoa o dia em que nasceu, pois "que este dia deitou ao Mundo a vida / Mais desgraçada que jamais se viu!".  Cremos, no entanto, que o dia em que Camões nasceu foi uma data afortunada para a língua e para a literatura portuguesas. 

Passaram 500 anos do seu nascimento, mas o poeta do infortúnio, do amor, do desconcerto do mundo ou d’Os Lusíadas não foi esquecido. O engenho e a arte da poesia camoniana não definharam com o passar do tempo e, neste meio milénio, Camões tornou-se símbolo de Portugal, instituto cultural, sinónimo de língua portuguesa, figura popular (quem  nunca mandou alguém chatear o Camões?) e até hashtag (como #aguentacamões, #choracamões, #chupacamões ou #ripcamões, para assinalar erros de português nas redes sociais). 

As comemorações camonianas irão decorrer até 2026. Hoje é dia de Camões, vamos chateá-lo!


segunda-feira, 8 de abril de 2024

15.º aniversário da “Palavra do dia”

«Colega, passe-me o quebra-palavras:
encontrei uma que deve ter qualquer coisa lá dentro.»
Alexandre O’Neill, “O Lanterna Vermelha”, Poesia Completa & Dispersos, Lisboa: Assírio & Alvim, 2022.


Evidenciando a sua capacidade de “quebra-palavras”, utensílio que permite chegar ao significado que as palavras têm dentro, como refere o poeta português Alexandre O’Neill (1924-1986), o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa celebra hoje o 15.º aniversário da sua palavra do dia. Há quinze anos que o Dicionário Priberam destaca todos os dias um termo maioritariamente raro, curioso, pouco usado ou caído no esquecimento, como alguns dos que foram partilhados neste último ano:

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e Bluesky), sendo também divulgada nos programas radiofónicos “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da Rádio Morabeza, e “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

15.º aniversário do Dicionário Priberam


Hoje celebra-se mais um aniversário do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Neste 15.º ano de vida, o Dicionário Priberam incorporou mais de 8400 novos verbetes, 9500 novas acepções, 16700 sinónimos e 23600 etimologias. Podia ser lampana, pois hoje celebra-se igualmente o dia das mentiras, mas não é: o Priberam também tirou centenas fotografias, incorporando mais de 600 novas imagens nas suas definições ilustradas. 

A propósito de imagens, o retrato de parte deste ano de vida pode ser visto através do balanço feito pelo site O Ano em Palavras, que apresenta algumas das pesquisas ao longo de 2023 no Dicionário Priberam, associadas a conteúdo dos repórteres fotográficos e dos jornalistas da agência de notícias Lusa, que dão contexto a cada uma das palavras.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Priberam Machine Learning Lunch Seminars (15.ª série)


O seminário “Few-shot learning with transformers via graph embeddings for molecular property discovery”, de Luís Torres, dá início a mais uma série de seminários de aprendizagem automática organizados pelos Priberam Labs

A 15.ª temporada tem início no próximo dia 27, mantendo a frequência quinzenal no campus da Alameda do Instituto Superior Técnico.

Os interessados podem inscrever-se aqui.

sábado, 8 de abril de 2023

14.º aniversário da “Palavra do dia”

Quino, Toda a Mafalda - Edição Comemorativa dos 50 anos, Lisboa: Babel, 2014.

Mafalda, a personagem emblemática de banda desenhada que odeia sopa, pode ficar descansada: sopa nunca será palavra do dia do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, apesar de os seus hipónimos gulherite e sopetarra já o terem sido... Isto porque, com a partilha da palavra do dia, iniciativa que celebra hoje o seu catorzeno aniversário, o Dicionário Priberam pretende dar destaque, nem que seja por um dia, a termos maioritariamente raros, curiosos, pouco usados ou caídos no esquecimento, como alguns dos que foram partilhados neste último ano:

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), sendo também divulgada nos programas de rádio “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da Rádio Morabeza e “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.

segunda-feira, 3 de abril de 2023

14.º aniversário do Dicionário Priberam

Quino, Toda a Mafalda - Edição Comemorativa dos 50 anos, Lisboa: Babel, 2014, pág. 127

No catorzeno aniversário do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que se celebrou no passado dia 1, confirmamos que ele continua a crescer, o que poderá dificultar ainda mais a leitura de alguns consulentes, como o pai da Mafalda. No ano que passou, o Dicionário Priberam incorporou mais de 14600 novos verbetes, mais de 5700 novas acepções, mais de 5800 sinónimos e mais de 600 antónimos. O resumo deste ano de vida pode ser visto através do balanço do ano passado ou do site O Ano em Palavras.

Como o dicionário não foi feito para ser lido de fio a pavio, antes consultado ou degustado, à medida da necessidade ou da curiosidade do seu leitor (ou até do acaso...), contamos com os nossos utilizadores para mais um ano de leituras, consultas e eventuais sugestões.


sexta-feira, 3 de março de 2023

Priberam Machine Learning Lunch Seminars (14.ª série)


Estão de volta, ao vivo, a cores e com refeição grátis, os seminários de aprendizagem automática organizados pelos Priberam Labs

A 14.ª temporada, que tem início na próxima terça-feira, dia 7 de Março, retoma a presença quinzenal na sala PA2 (piso -1, Pavilhão de Matemática) do campus da Alameda do Instituto Superior Técnico.

Os interessados podem inscrever-se aqui ou obter mais informação aqui (em inglês).


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Centenário de Eugénio de Andrade

Celebramos hoje o centenário do nascimento do poeta português Eugénio de Andrade (1923-2005), com a partilha do seu poema “Agora as Palavras”:

“Obedecem-me agora muito menos,
as palavras. A propósito
de nada resmungam, não fazem
caso do que lhes digo,
não respeitam a minha idade.
Provavelmente fartaram-se da rédea,
não me perdoam
a mão rigorosa, a indiferença
pelo fogo-de-artifício.
Eu gosto delas, nunca tive outra
paixão, e elas durante muitos anos
também gostaram de mim: dançavam
à minha roda quando as encontrava.
Com elas fazia o lume,
sustentava os meus dias, mas agora
estão ariscas, escapam-se por entre
as mãos, arreganham os dentes
se tento retê-las. Ou será que
já só procuro as mais encabritadas?”
in Eugénio de Andrade, O Sal da Língua, Porto: 1995, Fundação Eugénio de Andrade, colecção Obra de Eugénio de Andrade/26, pág. 35

As comemorações do centenário do poeta, que irão decorrer ao longo deste ano, incluem várias iniciativas, como leituras, concertos, exposições, conferências e um colóquio internacional. Mais informação, aqui.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Números e palavras de 2022

Dados de actualização 
Ao longo de 2022, o Dicionário Priberam de Língua Portuguesa (DPLP) foi actualizado com mais de 14600 novos verbetes (incluindo as 11 000 entradas de nomes de aves já referidas no primeiro trimestre deste ano), juntamente com mais de 5700 novas acepções, 5800 sinónimos e mais de 600 antónimos.

Excluindo as pertencentes ao domínio da ornitologia, muitas das mais de 3600 inclusões recentes no DPLP pertencem à linguagem geral (ex.: blonda, cartofilia, debitação, empilhável, factualizar, gerôntico, hipersexualização, incrementalismo, luso-ucraniano, microssaia, násico, oligarquismo, pipoqueira, redatar, seitana, transicionar, unipessoalidade, xanadu, zoossanitário), mas também há termos de outras áreas técnicas como astronomia (ex.: extra-solar), biologia (ex.: macroorganismo), botânica (ex.: extrafloral), direito (ex.: cartular, infralegalidade), linguística (ex.: desvozeamento, lheísmo), geografia (ex.: arreísmo, subdeserto), geologia (ex.: intemperização), informática (ex.: lematizador), medicina (ex.: fisiometria, interaural, liquórico, paradiscal, telelaudo), meteorologia (ex.: ceráunico), química (ex.: nitrocomposto, xilano) ou zoologia (ex.: pacarana). Foram ainda incluídos alguns termos pertencentes a diferentes níveis e variedades de língua (ex.: feloso, ladral, sacoto; mija-na-escada, senaita; malinguar, manâmbua). 


Palavras mais pesquisadas
Em Portugal, a palavra mais pesquisada foi mensagens, no Brasil foi mexer e, no cômputo geral, a palavra mais pesquisada no Dicionário Priberam em 2022 foi oligarca.

Figura 1: Palavras mais pesquisadas em Portugal e no Brasil no Dicionário Priberam em 2022

Nos restantes países de língua oficial portuguesa, as palavras mais procuradas no Dicionário Priberam foram cota (Angola), interativo (Cabo Verde), tranche (Guiné-Bissau), fungível  (Moçambique), adenda (São Tomé e Príncipe) e  lavanderia (Timor-Leste).


O ano de 2022 em palavras
No ano em que a guerra na Ucrânia esteve em destaque nos meios de comunicação e também nas pesquisas do Dicionário Priberam, a parceria da Priberam com a agência de notícias Lusa, pelo sexto ano consecutivo, ilustra com imagens e notícias algumas das palavras que, em algum momento, estiveram em destaque na nuvem do Dicionário Priberam.

No site O Ano em Palavras, é possível visualizar, cronologicamente, 24 palavras pesquisadas no Dicionário Priberam relativas à actualidade nacional e internacional de 2022, bem como as notícias e fotos dos eventos que originaram essas pesquisas e que marcaram o ano a nível político, económico, cultural e social.

Entre a centena de palavras que, devido ao elevado número de pesquisas diárias, ganharam destaque na nuvem do dicionário e foram recolhidas ao longo do ano para posterior selecção, é inevitável encontrar muitas que se referem, directamente ou indirectamente, à guerra da Ucrânia, como desmilitarização, genocídio ou oligarca, ou a momentos importantes da política nacional e internacional, como no caso de maioria absoluta, politização ou polarização. Também não faltaram as buscas em momentos de acidentes ou desastres, como fajã, monções, grisu ou intempérie, nem de algumas celebrações, como jubileu e bicentenário:


Figura 2: Palavras pesquisadas no Dicionário Priberam que reflectem alguns dos principais acontecimentos de 2022

Este ano, pela primeira vez, o site O Ano em Palavras  permite que os visitantes votem nas suas palavras e imagens preferidas, bastando para tal clicar no ícone do “coração” que está em cada uma delas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Centenário de José Saramago

Comemora-se hoje o centenário do nascimento de José Saramago (1922-2010), o escritor português para quem o ideal de vida era ser árvore

“A árvore está ali, alimenta-se directamente do chão, da terra, cresce, abre-se, dá flores se é árvore para dar flores, ou frutos se é ... E vive o tempo que tenha que viver.”

Imagem do documentário José e Pilar

As celebrações do centenário de Saramago incluem várias iniciativas em Portugal e no estrangeiro, levadas a cabo por diversas entidades. Em particular, o programa do Centenário de Saramago da Fundação José Saramago incide em quatro eixos, biografia, leitura, publicações e reuniões académicas. A programação está disponível aqui.


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Adriano Moreira (1922-2022)


Hoje prestamos homenagem a Adriano Moreira, político português que nos ofereceu também pensamento sobre a lusofonia, sobre a língua portuguesa, que "não é nossa, também é nossa" (Adriano Moreira, Memórias do Outono Ocidental - Um Século sem Bússola, Coimbra: Almedina, 2013, pág. 145) e sobre o Acordo Ortográfico:

«A discussão sobre a oportunidade e validade do Acordo Ortográfico tem posto em evidência que nenhuma soberania é dona da língua, pelo que não haverá nenhum acordo que impeça evoluções desencontradas. O conceito que tem circulado em algumas das intervenções, e que parece ajustado à natureza das coisas, é o que sustenta que a língua não é apenas nossa, também é nossa. É por isso que acordos, declarações, tratados, são certamente adjuvantes de uma política que mantenha a identidade essencial, mas nenhum terá força vinculativa suficiente para evitar que as divergências surjam pelas tão diferentes latitudes em que a língua portuguesa foi instrumento da soberania, da evangelização, do comércio. [pág. 1]

[...]

A língua é uma tão essencial expressão da identidade dos povos, um tão indispensável instrumento de afirmação no mundo, que não devem estranhar-se as discussões não apenas técnicas, mas também apaixonadas, que rodeiam as intervenções directivas de qualquer origem, e certamente com destaque para as que envolvem a soberania. É um valor essencial que a cidadania não pode deixar de acompanhar, e que exige que todas as dúvidas e inquietações que rodeiam os processos decisórios fiquem na memória vigilante da evolução que requer cuidados, recebe criatividades que surpreendem, mas sem perder a qualidade de ser a pátria que não é só nossa, mas é nossa. [pág. 4]»

in Adriano Moreira, A Língua Portuguesa e o Acordo Ortográfico, Lisboa: Academia das Ciências e Lisboa, 2015 [consultado em 24-10-2022]


sábado, 15 de outubro de 2022

Centenário de Agustina Bessa-Luís

“E, nessa ocasião em que, pela última vez, a vira com vida, recomendara-lhe:
— Reze três Ave-Marias como penitência. 
— Reze-as o senhor abade, que tem mais vagar do que eu. 
Era, aos noventa e quatro anos, um lucilar ainda do seu humor impávido e irreverente.”
in Agustina Bessa-Luís, A Sibila, Lisboa: Guimarães Editores, 2009, pp. 121-122


Comemora-se hoje o centenário do nascimento da escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís (1922-2019).

As celebrações do Centenário de Agustina, que arrancam com a antestreia de um filme de Eduardo Brito baseado num dos romances mais conhecidos da escritora, A Sibila, e com um concerto da Orquestra do Norte, irão decorrer durante um ano e incluem leituras, colóquios, exposições, teatro e música (mais informações aqui e aqui).

A Priberam celebra esta efeméride com a inclusão de agustiniano no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e com a sua promoção a palavra do dia. Até à data desta publicação, à excepção do Dicionário Priberam, nenhum dicionário ou vocabulário de língua portuguesa regista o termo relativo à escritora ou à sua obra, apesar da sua pertinência, da sua boa formação morfológica e das suas numerosas e variadas ocorrências.


sexta-feira, 8 de abril de 2022

13.º aniversário da "Palavra do dia"

“[...] Se minto?... Minto, pois! 
Mas nas orais palavras que vos digo. 
Não nas que entoo a sós comigo [...].”
José Régio, “Improviso corrigido


Ao contrário do poeta português José Régio (1901-1969), o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa não mente nunca, nem sequer na partilha da palavra do dia, iniciativa da Priberam que decorre há já 13 anos, os mesmos que o dicionário celebrou na semana passada. Podem ser termos maioritariamente curiosos, pouco usados, caídos no esquecimento ou particularmente actuais, mas são sempre termos verdadeiros, ainda que desconhecidos ou novos, como alguns dos que foram partilhados neste último ano: 

A partilha da palavra do dia acontece na página online do Priberam e nas suas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), sendo também divulgada nos programas de rádio “Primeiro Plano” (de segunda a sexta-feira, das 07h00 às 09h00), da Rádio Morabeza e “Quinta Avenida” (quinta-feira, das 22h à meia-noite), da Rádio Voz de Alenquer.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

13.º aniversário do Dicionário Priberam

A par do dia das mentiras, hoje celebramos o aniversário do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que entra assim oficialmente na idade da adolescência. São 13 anos, uma bela dúzia de frade, que se traduzem em milhentas consultas, inúmeras inclusões e incontáveis sugestões de utilizadores. O resultado está à vista: o teenager Priberam é um dos 20 sites portugueses mais visitados, de acordo como o ranking auditado netAudience

No ano que passou, o Dicionário Priberam incorporou quase 2600 novos verbetes, mais de 4700 novas acepções, mais de 5000 sinónimos e mais de 700 antónimos. O resumo deste ano de vida pode ser visto através do balanço do ano passado ou do site O Ano em Palavras.

Neste primeiro trimestre de 2022, o Dicionário Priberam contabiliza já mais de 59 milhões de consultas feitas por mais de 12 milhões de utilizadores. Muitas dessas buscas reflectem inevitavelmente o principal tópico do momento, a invasão russa da Ucrânia, como comprovam as buscas por desnazificar, oligarca, lei marcial ou cessar-fogo, por exemplo.

A principal novidade (de Janeiro de 2022) é que o Priberam passou a incluir cerca de 11 000 entradas de nomes de aves, redigidas a partir da nomenclatura proposta (e gentilmente cedida) por Paulo Paixão em Os Nomes Portugueses das Aves de todo o Mundo: Projeto de nomenclatura (2.ª edição, a separata, n.º 1, suplemento d’«a folha» n.º 66 — Verão de 2021 [consultado em 20-01-2022]).

Se a esta novidade juntarmos a quantidade de fotos que já reúne para algumas aves, como a de cegonha-de-bico-amarelo ou tântalo-africano abaixo, é caso para questionar se o jovem Priberam não estará a criar um hobby, o de observador de pássaros...



terça-feira, 22 de março de 2022

Priberam Machine Learning Lunch Seminars (13.ª série)


Teve início no passado dia 8 a 13.ª temporada dos seminários de aprendizagem automática promovidos pela Priberam. Como é habitual, os seminários ocorrem quinzenalmente, à terça-feira, das 13h às 14h, e são um ponto de encontro para a apresentação e para a discussão de vários tópicos relacionados com a aprendizagem automática.

Os seminários são organizados pelos Priberam Labs e, tal como na temporada anterior, irão decorrer remotamente (via Zoom) e, por essa razão, sem a habitual distribuição de almoço grátis. Mais informações aqui (em inglês).

 






Priberamt
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